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terça-feira, 3 de maio de 2016

FILHOS SIM, FAMÍLIA TALVEZ


A sociedade portuguesa está a mudar os seus comportamentos, as suas opções, a sua mentalidade. Um dado recente do INE refere que, em 2015, um em cada seis bebés nascidos eram filhos de pais não casados e que não viviam em comum.
Repararemos que as condições (não casados e não vivem na mesma casa) são cumulativas e aplicam-se a bebés, ou seja, há uma opção consciente destas mulheres e homens em terem filhos apesar de não serem casados, não viverem juntos e não haver perspetivas de o serem.


Partindo do princípio que a esmagadora maioria dos nascimentos ocorridos no ano anterior foram planeados, estes dados permitem-nos duas grandes conclusões: há um enorme desejo das mulheres e homens portugueses  serem pais, apesar de todos os obstáculos; a mentalidade social quanto aos comportamentos está a mudar.

Claro que a crise económica fez desaparecer muitos homens jovens de Portugal nos últimos oito anos; claro que há muito desemprego que adiou casamentos; claro que há muitas mulheres no limite de idade fértil que são impelidas a tomar uma decisão pouco ortodoxa quanto à maternidade, mas parece-me que estes dados refletem algo mais do que isso. As condicionantes já se verificaram há três décadas e o «fenómeno» living apart together não ocorria.

O que se está a passar então? Muitas mulheres e homens tomaram consciência da importância de serem pais para a sua realização plena como pessoas e decidiram concretizar esse anseio independentemente de haver casamento ou não, de haver vida em comum ou não.
O que antes parecia uma ideia «amalucada», com tudo para dar errado, acabou por se tornar numa solução possível para a incerteza económica, social e afetiva em que muitas relações caíram.
Se o que tem de ser tem muita força, o que não se pode mais adiar tem de se concretizar. O período fértil de uma mulher não dura eternamente e por isso muitas decisões ousadas tiveram de ser tomadas.

A constatação de que alguns casais divorciados conseguiram proporcionar aos seus filhos uma educação minimamente coerente e equilibrada deve ter decidido alguns a arriscar uma solução de maternidade/paternidade nada convencional. E ainda bem que o fizeram, porque a maternidade/paternidade é das realizações mais plenas que o ser humano pode experimentar e não deve ser inibida por qualquer convencionalismo social ou comportamental.
Obviamente ninguém tinha imaginado este projeto de vida, mas, desde o bíblico Samuel que já sabemos que “são insondáveis os caminhos… da felicidade”.

Gabriel Vilas Boas   

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