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sábado, 30 de setembro de 2017

LUTA-SE PELA PAZ, MAS NÃO SE MENDIGA A PAZ


A 30 de setembro de 1938, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain dizia aos jornalistas «A resolução do problema da Checoslováquia que agora foi alcançada é, a meu ver, somente o prelúdio de uma decisão mais ampla através da qual a Europa pode encontrar a paz. Esta manhã tive outra conversa com o chanceler alemão, Herr Hitler, e aqui está o documento em que figura o seu nome e o meu. […] Considero que o acordo assinado ontem à noite e o Acordo Naval Anglo-alemão simbolizam o desejo dos nossos dois povos nunca mais entrarem e guerra um com o outro.»
Esta inacreditável inocência prosseguiu, horas mais tarde em Downing Street.
«Esta é a segunda vez na nossa história que a paz volta da Alemanha para Downing Street com honra. Creio que se trata da paz para o nosso tempo. Agradeço-vos do fundo do coração. E agora recomendo-vos que vão para casa e durmam tranquilamente na vossa cama».


Toda a gente sabe o que se passou, na Europa, nos seis anos seguintes, e por isso custa a crer como Chamberlain foi capaz de tanta inocência e ignorância políticas, até porque o Acordo de Munique deu carta-branca ao terrível líder germânico para  absorver a região sudeta, de maioria alemã, na Checoslováquia, apesar de existir uma aliança anterior entre França, Checoslováquia e Reino Unido.

Chamberlain acreditava na palavra de Hitler (como foi possível?!) e julgou que as ambições territoriais deste ao território checo tinham terminado, mas essas promessas revelaram-se falsas em poucos meses: em Março de 1939, Hitler anexou mais território checoslovaco e onze meses depois invadiu a Polónia e precipitou a Segunda Guerra Mundial de que estava tão desejoso.


Nessa altura (1938), este acordo obtido por Chamberlain foi recebido em Londres como uma proeza, mas os meses futuros provaram que fora o engodo perfeito, lançado por Hitler, para apanhar a Grã-Bretanha ainda mais impreparada para a guerra.

Há um provérbio latino – Si vis pacem, para bellum (Se queres a paz, prepara-te para a guerra)  - que encaixa na perfeição naquilo que o primeiro-ministro inglês não fez e devia ter feito.
É meritório, louvável e desejável lutar pela paz, mas isso não pode ser confundido com mendigar paz. A paz é um valor nobre, não se mendiga, conquista-se, impõe-se. Infelizmente, há pessoas, como Hitler, que só conhecem o conceito de paz armada.

GAVB

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ARRENDAMENTO JOVEM: A PORTA 65 ESTÁ FECHADA PARA JOVENS CASAIS



O jovem que quiser concorrer ao subsídio do estado ao arrendamento jovem tem até segunda-feira para submeter a sua candidatura ao Porta 65 (programa de apoio ao arredamento jovem).

As regras definidas parecem razoáveis; o conceito de jovem está bem definido e foi alargado (até aos 35 nos); as prioridades estão bem estabelecidas (têm prioridade os rendimentos mais baixos); a taxa de esforço (60%) e o limite de rendimento do agregado familiar (quatro salários mínimos) são realistas face à realidade portuguesa e até há especificidades consagradas (grupos de jovens, como por exemplo jovens universitários, podem também concorrer desde que declarem aquela como sua morada permanente, tenham IRS e se comprometam a subarrendá-la) muito positivas.

O problema é outro, mas acabará por inviabilizar o apoio a grande parte dos jovens candidatos, especialmente aos jovens casais com filhos – o teto máximo definido, por lei, para cada tipologia, em cada concelho. Isto é, a lei define quanto pode custar, no máximo, a renda de um T1, T2, T3 ou T4 em Aveiro, Coimbra, Lisboa, Gaia, Porto, Braga… 
Parece um conceito perfeitamente justificado, não fosse dar-se o caso dos tetos serem completamente irrealistas face à realidade atual do arrendamento nas principais cidades portuguesas.

Reparem neste breve quadro referente a um T2 (habitação necessária para um jovem casal com filho(s), onde podemos comparar o teto máximo definido pelo PORTA 65/ renda média.

CIDADE
Renda Média (€)
 Teto máximo (€)
Diferença
Lisboa
1233
730
Mais 503 €
Porto
792
561
Mais 231 €
Faro
951
561
Mais 390 €
V. N. de Gaia
671
561
Mais 115 €
Almada
678
561
Mais 17 €
Oeiras
808
730
Mais 78 €
Braga
480
472
Mais 8 €
Aveiro
525
505
Mais 20 €
Coimbra
465
561
Menos 96 €
Amadora
560
730
Menos 170 €



A partir deste quadro, é fácil concluir que em Lisboa, Porto, Faro e até certo ponto Vila Nova de Gaia, a ajuda estatal ao arrendamento jovem é uma ajudazinha; isto no caso de os jovens conseguirem mesmo encontrar casa, pois a maioria dos imóveis está a ser encaminhado para o arredamento aos turistas ou a jovens universitários, através do arrendamento de quartos.
Para os jovens casais das duas principais cidades portuguesas, a porta da família continua por abrir e este programa de ajuda ao arrendamento jovem parece apenas um programa de boas intenções.
Tenho muita pena que os candidatos às Câmaras do Porto, Lisboa, Faro (especialmente estes) não tenham suscitado o tema, porque o futuro das cidades portuguesas começa nos jovens portuguesas que nelas

querem residir e não apenas nos turistas que ocasionalmente nelas passam férias.

GAVB

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

PROPOSTA DIABÓLICA E INDECENTE


Há propostas, entendimentos, pensamentos que só podem nascer de mentes diabólicas e maldosas. Erdogan, o terrível presidente turco, propôs a Trump um troca direta de dissidentes políticos, que, por acaso, são clérigos.
Nos EUA está refugiado Fethullah Gulen, a quem o presidente turco acusa de estar na origem do golpe de estado falhado, em Outubro de 2016, enquanto na Turquia se refugiou o pastor evangélico Andrew Brunson e que a justiça norte-americana quer ver repatriado.
Nas últimas horas, Erdogan sugeriu uma possível troca direta entre estes dois clérigos, dizendo que os EUA estão a pressionar Ancara para extraditar Brunson e não são capazes de um gesto de igual medida.
O que Erdogan não diz é que a morte espera Gulen na Turquia. Quanto a Trump põe-se de tal modo a jeito com os seus patéticos tiques de autoritarismo mimado que até uma figura do calibre de Erdogan se acha tão democrata como ele.

Erdogan humilha todos os dias o seu povo, retirando-lhes a liberdade de expressão política; ao sugerir esta troca, pretextando-a como admissível, está a colocar Trump no mesmo patamar e, indiretamente, o povo americano, pois a maioria apoia o presidente.
As atitudes de Trump levam a desplantes deste género e outros se seguirão. É muito pouco provável que o presidente dos EUA aceite o repto, mas só facto de ele ter existido já é suficientemente mau. No fundo, Erdogan acha-se um democrata ao estilo Trump. Os mais básicos princípios da democracia, o Estado de Direito e os próprios direitos humanos só existem quando lhe são convenientes.
A devastação do estatuto internacional dos EUA, levada a cabo pela administração TRump, é tão profunda que demorará anos a restabelecer.
Como se sentirão os diplomatas americanos quando têm de conversar com gente cordata, com princípios e valores? Afinal de contas, era essa a sua gente…

GAVB

terça-feira, 26 de setembro de 2017

FILHOS-TROFÉU


Talvez alguns pais não o façam conscientemente, talvez outros não sejam suficientemente honestos e corajosos para o admitir, mas a verdade é que muitos atuam com os seus filhos como se estes fossem um troféu para exibir, para se validarem socialmente, para cumprirem os sonhos que não puderam realizar ou simplesmente para atirarem à cara dos rivais o sucesso da filha ou do filho.
Querem lá saber daquilo que o filho quer, do que o filho sente, do que lhe custa dar corpo àquela quase obsessão dos progenitores.
Não lhes basta que o filho seja bom, ele tem de ser o melhor e, sobretudo, tem que ser melhor do que. Tem que desejar seguir o curso X ou Y, almejar o emprego mais bem pago, mais chique, mais conceituado.
Da felicidade dos filhos sabem eles, mas não querem saber nada sobre os limites psicológicos, afetivos, físicos daqueles que dizem tanto amar.

Não é raro encontrarmos pais com expectativas desmesuradas e irrealistas sobre as capacidades dos filhos. E como são cruéis e frios, quando estes as frustram.
«A minha mãe ia à escola para saber quais tinham sido as notas das minhas colegas. Como me sentia envergonhada!» Este desabafo, feito por uma aluna brilhante, mas profundamente infeliz e sem coragem para afrontar a mãe, representa bem o modus operandi de alguns pais. Por que motivo o fazem? Por muito duro que possa parecer, acho que é mesmo por egoísmo. Pensam em si,  na glória de ter um filho(a) bem sucedido e não na satisfação pessoal dele ou dela.

E isto não acontece apenas na escola; é também recorrente (e chocante) no desporto, nas atividades extracurriculares.
E como os filhos “topam” logo este espírito de doentia competição  e como lamentam que desse modo algumas amizades de décadas sejam postas em causa e outras não se desenvolvam.
Acho que falta a muitos destes pais descer à terra e peguntar-se, humildemente, “O que faz o meu filho(a) feliz? Como o posso ajudar a atingir essa meta?”
Amar um filho é querer vê-lo feliz, não é querer vê-lo fazer-nos felizes.

GAVB

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

OS ÁRBITROS DE FUTEBOL GANHAM MAL! COITADITOS!



Se lhe disser que um árbitro de futebol da 1.ª divisão em Portugal ganha 1342 euros por jogo que apita, provavelmente não acredita, mas é a mais pura das verdades. Ao fim de duas horas de árduo trabalho, um árbitro de 1.ª categoria (alguns não têm categoria nenhuma), embolsa mais que um mês do salário de um enfermeiro ou de um professor com mais de 15 anos de serviço. Se apitar um jogo por fim de semana, a soma ascende a mais de cinco mil euros, isto sem contar com o subsídio por ser vídeo-árbitro, além de manter na íntegra o salário da profissão que exerce.
A isto acresce as ajudas de custo para deslocações, ds refeições pagas, os hotéis de 4 estrelas em que ficam nas noites antes e após os jogos. Os árbitros ainda têm direito a equipamentos desportivos de qualidade totalmente gratuitos e podem faltar à sexta-feira ou à segunda-feira, nos seus trabalhos, se os jogos que apitarem forem à sexta-feira ou ao domingo.

Mesmo aqueles árbitros que não são internacionais conseguem receber regularmente mais de quatro mil euros líquidos de salário. Apesar de todas estas mordomias, os árbitros não estão satisfeitos. E o problema não são os constantes insultos, veladas acusações de corrupção, parcialidade, favorecimento sistemático de determinados clubes e desvirtuamento da verdade desportiv de que são acusados. Nada disso aborrece os árbitros. O que eles querem é um aumento de 10%. Já estão a cobrar tanto como os empresários de jogadores de futebol.
É verdade que eles fazem parte de um espetáculo que gera milhões de euros, mas eles não são os artistas nem são eles que contribuem decisivamente para a angariação dessas verbas. Diria até que, em certa medida (quando apitam mal), até dificultam a captação de patrocinadores.

Aos árbitros de futebol portugueses falta a humildade para perceberem que ganham muito acima da sua qualidade das suas arbitragens.  A única coisa de que são credores (e não é pouco) é da dignificação da sua função. É por isso que devem lutar, não por aumento do salário, que na verdade nem salário é, porque a maioria deles não é árbitro profissional.
Desgraçadamente os árbitros portugueses continuem a seguir a máxima do ex-árbitro Olegário Benquerença (de que não guardo nenhuma boa memória) que um dia afirmou: “A mim podem chamar-me Filho da p… à vontade, desde que me paguem… e bem!”.

GAVB

domingo, 24 de setembro de 2017

D. MANUEL – UM BISPO DE QUEM OS PORTUGUESES TINHAM ORGULHO



Durante as últimas décadas, a Igreja Católica portuguesa teve o «seu» Papa Francisco. Chamava-se D. Manuel Martins e fora bispo de Setúbal durante vinte e três anos. Nesse quarto de século, ele prestou relevantes serviços à Igreja, ao Cristianismo, à sociedade portuguesa.
O bispo vermelho não se encolhia perante os problemas, as polémicas, os ignóbeis silêncios dos seus companheiros de missão. Os fiéis admiravam-no, os colegas elogiavam-no mas não tiveram a coragem de lhe seguir as pisadas. Ele fez o seu caminho, levando a mensagem de Cristo a todos, sem cobardia. Indicou e percorreu aquele que devia ser o caminho que a Igreja portuguesa devia ter trilhado.

Não é por acaso que um homem da Igreja consegue o respeito de tantos que se declaram não católicos, não é por acaso que vários concelhos do país o tornaram seu cidadão honorário, nem que que o seu nome figura numa Escola Secundária de Setúbal ou tenha sido agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo, é porque ele foi mesmo uma das grandes personalidades do século XX português.
Aquando da sua ordenação como bispo de Setúbal, ficaram célebres as suas palavras: “Nasci bispo em Setúbal. Agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o evangelho da Justiça e da Paz.” E foi o que fez, com coragem, inteligência, humor, assertividade. 

O padre que na rua se vestia como qualquer cidadão, dispensando o estatuto que as vestes de sacerdote lhe outorgavam no Portugal de então, sabia que o seu caminho estava muito para além da igreja. Quem vivera por dentro, como ele viveu, a crise da deportação de D. António Ferreira Gomes por Salazar, na década de sessenta, percebia claramente que o lado da Igreja era o lado dos desprotegidos, da Verdade, da Justiça, da Paz. Se esse lado era o da esquerda, se nesse lado estavam os vermelhos, os comunistas, então ele seria vermelho, comunista, porque a doutrina de Cristo antecede em muitos séculos as ideologias políticas do século XX.
Hoje partiu o nosso Papa Francisco. Deixou um legado difícil de igualar mas fácil de honrar. Basta seguir os ensinamentos de Cristo. Quase que nem é preciso ser cristão.
GAVB

sábado, 23 de setembro de 2017

JOVENS MÉDICOS PAGARÃO PARA TRABALHAR NO PRIVADO



Ser forte com os fracos é próprio de gente com fraca coragem. Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde de Portugal, anda a desiludir-me um pouco. Depois de ter gerido de modo infeliz a contestação dos enfermeiros, tem uma greve de médicos à porta e anuncia hoje esta ideia peregrina de obrigar os jovens médicos portugueses a ficarem três ou cinco anos no Serviços Nacional de Saúde, após terminarem a especialidade ou em troca pagarem para sair de imediato para o setor privado.

Tenho dúvidas sobre a legalidade/constitucionalidade da intenção ministerial, mas partindo do princípio que é legal, acho-a imoral, pelo menos nos termos em que o ministro a desenhou.

A ideia de um período de fidelização dos médicos ao Estado tem alguma razão de ser, porque o Estado investiu muito dinheiro na formação destes médicos e tem direito moral a usufruir desse investimento, mas começar a fazer doutrina com os jovens médicos é mostrar força de um tigre de papel. Já não bastava o governo ter aceitado a sugestão da Ordem dos Médicos em reduzir para metade o tempo de internato dos neófitos doutores, amputando os jovens médicos de uma formação tão qualificada como a dos seus antecessores, e agora ainda os quer obrigar a permanecer à força no SNS? Quer obrigá-los porque não consegue fazê-lo com os mais velhos, cujo estatuto e mercado é muito mais vasto.

Dir-me-ão que os mais velhos já deram esse tempo ao SNS no passado. Não é certo que todos o tivessem feito, mas é verdade que todos os novos médicos, provavelmente, o farão. Esta medida aprofundará ainda mais as desigualdades sociais e económicas entre os médicos mais antigos e os mais novos e servirá para desunir uma classe fundamental em qualquer sociedade e que não deve ser exposta a injustiças inter pares.
Qualquer ministro que se preze deve procurar sempre que os setores sociais que tutela se sintam confortáveis, que haja justiça em relação a outros setores profissionais e que não haja diferenças ilegítimas entre profissionais. Quando uns são filhos e outros enteados, não há família que fique unida.

Post Scriptum: os médicos ameaçam com nova greve, porque dizem que têm horas extraordinárias a mais, doentes em excesso. Só espero que o ministro não resolva isto com mais dinheiro. Eles querem é descanso, não dinheiro… pelo menos é o que dizem!

GAVB

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O FIM DA GASOLINA E DO GASÓLEO ESTÁ PARA BREVE E COMEÇA NA CHINA



A China é provavelmente, é economia mais capitalista e mais temível em todo o mundo. Com uma força brutal, é capaz de deter grande parte da dívida pública americana, comprar o que lhe apetece no mercado europeu e influenciar de forma decisiva o mercado automóvel mundial.

Apesar das principais marcas automóveis já se terem convencido da inevitabilidade dos carros elétricos e do fim do diesel, os governos europeus ainda apontam para lá de 2030 como data provável da morte dos carros a gasolina e gasóleo, até porque ainda estudam como vão buscar ao setor automóvel a receita fiscal proveniente das altas taxas aplicadas aos combustíveis. Na China deu-se um passo de gigante, que trocará a volta aos líderes europeus, aos donos das principais marcas de automóveis e a toda a economia.

Há sete anos, a empresa chinesa Geely comprou a sueca Volvo, quando esta só dava prejuízo. Este ano comprou a fabricante dos famosos e glamorosos táxis londrinos e esta semana adquiriu 50% da malaia Proton e 51% da Lotus. Ao mesmo tempo anuncia que dentro de dois anos deixa de produzir carros a gasóleo (talvez por isso se empenhe tanto em vender todas as carrinhas Volvo que tem em stock) e quer colocar meio milhão de carros elétricos no mercado chinês em dois anos. Em consonância com a estratégia comercial desta empresa, o governo chinês admitiu, esta semana, proibir a venda e a produção de carros a gasolina e gasóleo, em 2020, o que na prática significa “amanhã”. Ao admitirem tal medida é porque sabem que a «sua» Geely está preparada para entrar em força no mercado dos carros elétricos. Obviamente, que as marcas europeias não podem perder o mercado chinês, que é só o maior mercado automóvel do mundo, e por isso, ou respondem à letra e estão preparadas para produzir em massa carros elétricos em 2020 ou sofrem uma derrota de proporções gigantescas.

Se a China estiver elétrica em 2025, a Europa não pode andar a gasóleo e não haverá EUA que nos acuda, até porque eles já produzem o seu Tesla. A força e o poder do petróleo têm os dias contados e parece já não ter salvação. Em 2030, os carros movidos a gasolina ou gasóleo serão uma minoria e apenas visíveis em países subdesenvolvidos.

Já pensaram que os atentados terroristas na Europa podem ser mais do que ideologia e religião? E se estiveres perante o estrebuchar horripilante de economias que assentaram todo o seu poder no petróleo? A China pôs a rolar a bola de neve. Desta vez eles não tiveram paciência de chinês mas a pressa gulosa dos capitalistas.

GAVB

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O FIM DO IMPÉRIO MUGHAL


Há precisamente 160 anos, a 20 de Setembro de 1857, o xá Bahadur Shah Zafar (1775-1862) rendia-se às autoridades inglesas, na Índia, e punha assim fim ao Império Mughal. 

Durante esse ano de 1857 rebeldes indianos puseram em questão o poder inglês no território indiano e o rei de Deli tornara-se numa figura icónica para os rebeldes.
A sua rendição pôs termo à denominada Revolta Indiana e, mais do que isso, ao Império Mughal. O velho xá «reinava» sobre um pequeno território pobre e pequeno, constituído apenas pelo Forte Vermelho de Deli, mas era um homem muito respeitado e extramente culto. Poeta e calígrafo, o último rei da dinastia Mughal formou na corte um centro de saber e literatura urdu.

Infelizmente os acontecimentos políticos e a falta de grandeza e nobreza de quem representava o poder inglês na Índia não permitiram um fim digno ao rei de Deli. O capitão William Hodson tornou ignóbil o ato da rendição de Bahadur Shah Zafar, depois de anteriormente já ter mandado fuzilar os filhos do xá.
O último rei da dinastia Mughal foi julgado, condenado e exilado na Birmânia, acabando por morrer numa prisão de Rangum. No entanto, tornou-se numa fonte de inspiração para os futuros nacionalistas indianos que viam em Bahadur Shah ZZafar um exemplo da revolta pacífica e digna contra a arrogância e prepotência inglesa na Índia.
A postura do rei de Deli é um exemplo também para os líderes políticos atuais, que apenas conhecem o exemplo da ameaça, do exercício despudorado da força, da chantagem económica e militar como formas de se imporem. Nada mais errado.

GAVB

terça-feira, 19 de setembro de 2017

TODA A GENTE QUER RESIDIR EM PORTUGAL. POR QUE RAZÃO SERÁ?




Quatro mil pedidos de visto em apenas uma semana! Se não é recorde mundial, deve andar lá perto! Não é um fenómeno do Entroncamento, mas do Portugal que escancara as portas a quem quer residir no país, sem critério nem cuidado. Agora já nem é preciso pagar (vistos gold), nem ser um reformado rico e conhecido (ao estilo Madonna ou Cantona), porque o governo do Partido Socialista, em consonância com os partidos do arco da geringonça, aprovou uma lei em que exige ao estrangeiro, para a obtenção de visto de residência em Portugal, a barbaridade de uma “promessa de contrato de trabalho” e a inscrição na Segurança Social. Desde já declaro que estou disponível para prometer trabalho a quem quiser, desde que seja estrangeiro, e a preencher o boletim da segurança social a todo o ucraniano, russo, nepalês, birmanês, indiano, brasileiro, cabo-verdiano… que pretenda viver em Portugal. A comissão é barata!

A legislação que entrou em vigor, ao arrepio de mais elementar bom senso e da discordância dos SEF (Serviços de Estrangeiros e Fronteiras), é uma tremenda irresponsabilidade, especialmente numa altura em que a Europa regista a média de um atentado terrorista de 10 em 10 semanas.
Ainda hoje, uma amiga estrangeira manifestava-me a sua estranheza por este franquear de portas do governo português e brincava, dizendo que qualquer dia os marcianos também pediam visto de residência em Portugal.
Neste momento o que mais me preocupa é a segurança, mas isto trará também problemas sociais e económicos. São pessoas provenientes de culturas muito diversas que chegam, sem qualquer enquadramento e que só por muita sorte não arranjarão problemas. Por outro lado, o governo mantém a intenção de não cobrar IRS aos reformados estrangeiros, pensando que os investimentos que farão em Portugal acabarão por cobrir a arriscada aposta.
Dando de barato que o tiro não sairá pela culatra, subsiste a gritante questão de injustiça social e fiscal. Então um reformado português, com uma reforma de 4000 euros tem de deixar na fonte mais de mil euros e um reformado sueco pode não pagar nada?
O que convém as pensionistas portuguesas não é o aumento das reformas, mas apenas tornarem-se estrangeiros.

GAVB

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

POR QUE NÃO SE FALA DA MUNICIPALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO DEBATE AUTÁRQUICO?



A Municipalização da Educação, em Portugal, está em marcha. Silenciosamente vai concretizar-se, em quase todas as vertentes, exceto na dos professores, até ver… Há projetos-piloto em curso, espalhado pelo país, e creio que a flexibilização curricular é também uma peça do puzzle.
Daqui a um ou dois anos, é possível que as autarquias assumam um papel importante nas escolas portuguesas, mas o tema da Educação está fora da agenda do debate político autárquico. Porquê? Porque queima e poucos se querem comprometer com aquilo que farão. Dir-me-ão que a tutela ainda não definiu os termos da passagem de testemunho, é verdade, mas é claro que a transferência para as autarquias da parte patrimonial, de conservação e dos auxiliares de ação educativa é uma ideia assumida (ainda que envergonhadamente) pelo Partido Socialista.

Nas últimas semanas, os candidatos às autarquias desdobram-se em ideias, projetos, promessas, mas ainda não vi ou ouvi nenhum explicar que projetos tem para as escolas degradas do seu concelho, como pretende fazer a gestão dos recursos humanos escolares. Os diretores escolares sempre se queixaram ao Ministério da Educação da falta de funcionários para as escolas e agora que eles estão prestes a passar para as Câmaras Municipais, ninguém pergunta aos candidatos o que farão no futuro? Aumentarão o número de auxiliares, como reclamam as escolas e as populações ou manterão tudo igual? Há Câmaras que se gabam (e com razão) dos vários projetos co-financiados pela União Europeia que conseguiram pôr em marcha, mas vejo poucos, de grande envergadura, sobre Educação. Bolsas de estudo, ATL´s gratuitos, salas de estudo são boas ideias, mas ações em pequena escala.
Nas próximas eleições autárquicas há muitos professores envolvidos e também por isso esperava que o tema da Educação estivesse muito mais no centro do debate, mas não está!

Em Portugal, gosta-se muito de dar o exemplo do estrangeiro… quando isso convém, por isso era bom atentar em alguns projetos de fôlego que diversas edilidades europeias promovem. 
Algumas sugestões: autarquias com forte envolvente florestal ou fluvial podiam patrocinar projetos de aproveitamento energético das florestas ou das águas; quem tem tradição histórica nas artes podia propor, nos Conselhos Gerais das Escolas, a criação de uma turma por ano, paga através da autarquia, dedicada à música ou à pintura ou ao teatro, sempre numa perspectiva de continuidade e de qualidade. O preço destas iniciativas é mais ou menos conhecido, é suportável e diria que não fica muito longe daquilo que se gasta em foguetório inútil ou propaganda eleitoral em outdoors.
GAVB 

domingo, 17 de setembro de 2017

OS TERRAMOTOS TAMBÉM SE APRENDEM

Há dez dias, o México voltou a ser sacudido por um sismo violentíssimo – 8,2 na escala de Richter. O normal seria estarmos ainda hoje a contabilizar as vítimas mortais, provavelmente na casa dos milhares ou dezenas de milhares, dada a densidade populacional do México e a violência do terramoto.
No entanto, as vítimas não chegaram à centena, ou seja, mil vezes menos do que aconteceu há três décadas (1985), quando um abalo semelhante provocou a morte de mais de cem mil pessoas.


Isto prova bem que os mexicanos aprenderam como agir em caso de terramoto. Normas de construção antissísmicas rígidas e cumpridas; uma população educada e instruída, que sabe o que fazer em caso de catástrofe e avisos sonoros eficazes, por parte das autoridades, alertando a população para a forte possibilidade de sismo, ditaram milhares de vidas salvas.
Quando todos fazem o seu papel, o azar tem menos hipóteses e nem é preciso ser japonês ou do norte da Europa, para saber como se faz. Os latinos também sabem ser assertivos!

GAVB

sábado, 16 de setembro de 2017

O MINISTRO DA EDUCAÇÃO ESTÁ A PRECISAR DE UMA PERMUTA


Inábil, sonso, injusto… não sei que adjetivo escolher para caracterizar o Ministro da Educação. Nos últimos meses, só temos somado desilusões com as ações e as atitudes de Tiago Brandão Rodrigues. A maneira como geriu a colocação dos professores efetivos, em especial aqueles que tentaram, em vão, a mobilidade interna, revela bem quão impreparado é o jovem ministro de António Costa.

O ministro e o primeiro-ministro perceberam claramente que meteram o pé na poça na questão da colocação de professores do quadro de zona de pedagógica, ao não fazerem sair todos os horários a que estes professores podiam concorrer, ao mesmo tempo, criando gritantes injustiças entre professores. Tal como aconteceu na questão dos alunos que acederam ao exame de Português antes dos outros, o ministro não sabia o que fazer para sanar o erro e por isso achou que se deixasse passar o tempo o problema resolvia-se. E resolveu-se... com prejuízo para milhares de professores! Que terá prometido António Costa no fim-de semana passado aos professores em Matosinhos? Que ia dar uma palavrinha a Tiago Brandão Rodrigues? Ele obviamente não sabia descalçar a bota e saiu-se com duas tiradas absurdas e quase a raiaram o insulto. 

Sugerir aos professores, que se sentem injustiçados, que sempre podem fazer uma permuta é “gozar” com eles. Então os professores que ficaram longe vão pedir permuta aos colegas que ficaram com o seu lugar e agora estão satisfeitinhos da vida? Imagine Tiago Brandão Rodrigues que amanhã, por qualquer lapso informático ou decisão desvairada do primeiro-ministro, é colocado como diretor regional de educação em Beja. Como solução para recuperar o seu posto, o líder do governo dá-lhe como hipótese uma permuta com qualquer ministro, desde que este queira, ou então sempre pode esperar um ano e fazer novas provas para Secretário de Estado ou Ministro do Ambiente.
Tiago Brandão Rodrigues já deu provas suficientes que não tem qualidades suficientes para o cargo. E nem se pode queixar de má imprensa ou ataque cerrado dos partidos da oposição.

GAVB