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sexta-feira, 20 de maio de 2016

CONNETING OR DISCONNECTING PEOPLE?

«Não posso crer! Não tenho rede!» «O quê? Aqui não há wi-fi? Que desgraça!»
Não estar permanentemente «ligado à net» tornou-se uma angústia difícil de disfarçar para milhões de pessoas em todo o mundo. Como um viciado que não consegue ocultar por muito tempo a ausência da dose certa da sua droga de eleição, consultamos o visor do telemóvel vezes sem conta à procura de uma qualquer novidade nas redes sociais, no feed noticioso de um jornal, no email privado, como se aquela informação fosse vital para respirarmos.
Esta permanente necessidade de estar conectado ao mundo virtual é de tal modo evidente que se tornou obsessiva, mas poucas vezes damos conta do estado a que chegamos.

Por quê esta necessidade? A necessidade não existe! O que se passa é que fomos apanhados na rede e não demos conta que nos tornámos dependentes deste frenesim diário de coscuvilhice global, para iludir o vazio que nos consome a alma.
Procuramos avidamente na net qualquer coisa que nos entretenha, porque sentimos o peso da solidão. Buscamos pessoas e as suas histórias; queremos desabafar, encontrar alguém que nos ouça, que nos apoie, mas temos imenso medo do contraditório que a simples presença do outro podia trazer.

Queremos chegar, ver sem ser visto, desabafar sem ter que ouvir o outro, partir quando nos apetece sem ter que ser descortês, receber sem ter nenhuma obrigação de dar. 
No mundo maravilhoso da net tudo isto é possível, mas não é real. Todos aqueles “likes”, “smiles”, comentários elogiosos são pouco fiáveis e nós sabemos bem disso. Preenchem-nos apenas no instante em que deles usufruímos e extinguem-se de seguida. Rapidamente regressamos ao vazio e ao estado de necessidade.
Por outro lado, à medida que vamos conectando a nossa vida social virtual, vamos desconectando o nosso círculo real de amigos. Custa-nos imenso encontrar uma oportunidade para conversarmos sem hora marcada, abordar alegrias e tristezas sem rodeios, apreciar e criticar sem receio.
A net é uma rede fantástica que permite inúmeras possibilidades de ampliares conhecimentos, angariares conforto, estabeleceres contacto. Se não te souberes servir dela, ela servir-se-á de ti.

Gabriel Vilas Boas

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