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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UM DIA


Há quatro anos, numa sala de cinema, fui surpreendido por um filme sobre o acaso, o destino, o amor e a vida. Chamava-se “UM DIA” e baseava-se no livro homónimo de David Nicholls que acabaria por assinar o argumento.
A 15 de julho de 1988,precisamente no dia em que acabavam de se formar em Edimburgo, Emma Morley (Anne Hathaway) e Dexter Mayhew (Jim Sturgess) conhecem-se e instintivamente se cria uma química entre eles que os ligará toda a vida numa relação de amizade e amor imprevisível, dolorida, indestrutível.

A lei das coisas previsíveis e estruturadas dirigiu-os por caminhos diversos, durante vinte anos, de acordo com as suas personalidades. Emma era a rapariga simples, bela, cheia de ambições e princípios, que sonhava transformar o mundo num lugar melhor. Dexter era o típico playboy das histórias de amor moderno, que pensa que o mundo será sempre uma eterna loja de doces, onde todas as guloseimas são permitidas.
Decidiram apenas colocar um pouco de areia na engrenagem dessa terrível máquina que produz seres normais e banais: todos os anos se encontrariam no dia 15 de julho para fazer o ponto de situação das suas vidas.

Ao longo de duas décadas Emma e Dexter seguem caminhos de vida diferentes, encontram novas pessoas, outros lugares, realizações profissionais diversas, mas todos os anos recuavam ao 15 de julho que os unira. Nesse dia conseguiam falar de si, das esperanças perdidas, das lágrimas e dos risos que nunca se apagaram da memória, das discussões que sempre tiveram…
Com o passar dos anos foram ganhando consciência que só eram verdadeiramente felizes no dia 15 de julho e que aquilo que procuraram por todo o lado e por todo o tempo sempre estivera ali, à espera que decidissem abrir o presente que o acaso lhes tinha deixado vinte anos antes.
Lembrei-me logo de Milan Kundera em “A insustentável Leveza do Ser”, quando explica que muitas das decisões mais importantes da nossa vida nascem a partir de um acaso qualquer sem importância aparente. Detestamos essa ideia e muitas vezes resistimos-lhe com toda a força que a lógica tem, mas, frequentemente, a leveza do seu peso é tão insustentável que acabámos por ceder.
Foi o que aconteceu com Emma e Dexter, todavia o destino resolveu mostrar outra das suas facetas mais conhecidas: a crueldade, e numa esquina de azar terminou com um amor que demorou vinte anos a arrancar.
UM DIA mostra toda a beleza e tragédia da vida: todas as vidas têm, pelo menos, um dia extraordinário e único: infelizmente muitos de nós demoram demasiado tempo a reparar nisso.
Gabriel Vilas Boas    

1 comentário:

  1. Não conheço. Li a matéria puxado por outra que descobri também aqui, nestas páginas. Parece uma boa dica. Vou ver se o encontro por aí. Há tanta coisa - filmes, inclusive - que passa discretamente, de forma tão despercebida!

    Abraços.

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