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domingo, 6 de setembro de 2015

A ENTRADA NA UNIVERSIDADE


Há poucas horas foram publicados os resultados das candidaturas dos alunos que concluíram o ensino secundário, às várias faculdades das universidades públicas portuguesas. Para mais de quarenta mil jovens, este é um momento único e especial nas suas vidas.
A entrada na universidade é um marco, um momento de passagem e de viragem na vida de cada jovem, que estes perspectivam risonha, por é chegado o momento de concretizar todos os sonhos atravessados na memória e escondidos no coração.

A entrada na Universidade não representa apenas a definição mais clara do que farão profissionalmente no futuro, mas também a experiência da liberdade e da responsabilidade longe dos pais.
Poder decidir o que fazer com o imenso tempo livre que sobra das aulas e do estudo sem ter que dar explicações nem sentir restrições baila na cabeça de milhares de rapazes e raparigas como uma atração irresistível.
A universidade, os novos professores, os colegas de todos os sítios, a cidade nova e desconhecida que os acolherá, são sentidos, por todos, como um upgrade na vida de cada caloiro.


Estão felizes! Inocentemente felizes, mas felizes e é bom que vivam plenamente esse tempo de gostosa ilusão. A ilusão de que com eles será diferente, pois são especiais. E são-no. Cada ser é único e irrepetível… no entanto não tão único e especial como pensa. Daqui por um ano verão este momento sem a salutar embriaguez da ilusão. É um processo necessário para o crescimento pessoal e geracional.
Por falar em geração, os dados publicados nos jornais desta manhã dizem-me que estamos pouco diferentes do tempo em que eu próprio entrei na universidade. Os cursos de Medicina parecem feitos apenas para alunos estratosféricos; as escolhas dos alunos seguem a tendência da oferta pública de emprego; as universidades do interior têm dificuldade em captar alunos; os melhores alunos do secundário optam cada vez mais por uma seleção monolítica e materialista. Onde para a paixão de seguir uma vocação, um sonho?
Apesar desta tendência há ainda coisas que me surpreendem: os cursos de enfermagem estão, desde já completamente, cheios, embora no último ano seis enfermeiros por dia tenham sido obrigados a emigrar por falta de oferta de emprego digna.
Outro dado que me chamou a atenção foi o de apenas metade dos candidatos ter obtido colocação na sua primeira prioridade, o que sugere que o futuro profissional desta geração começa por ser logo uma segunda escolha. Não tem que ser necessariamente maus, mas não é um bom indicador
Sem qualquer indicador, número ou estatística, não quero deixar de lembrar a imensa legião dos excluídos do ensino superior, ou seja aqueles que por razões económicas (pais no desemprego ou com baixos rendimentos) abandonaram precocemente o sonho de fazer um curso superior. São milhares. E este é um dia silencioso e triste. Para eles não houve sequer a oportunidade de ilusão.
Gabriel Vilas Boas

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