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domingo, 16 de novembro de 2014

SER MÃE SOLTEIRA


Sempre achei que ser pai ou mãe era das coisas mais extraordinárias que um ser humano podia experimentar, pois  gerar um ser humano assemelha-nos a pequenos deuses. Com o tempo, percebi que ser mãe é estar um grau acima deste estádio de felicidade plena. Para algumas mulheres, trata-se duma sensação e dum sentimento tão únicos e maravilhosos que as palavras são seres demasiado pobres para os descrever.  
Quem percebe a magia de ser mãe entende, sem dificuldade, que algumas mulheres decidam ser mães, ainda que os pais dos seus filhos se  recusem a cumprir o seu papel.


Admiro muito as mães solteiras! Na maioria dos casos, esse facto é mais fruto das circunstâncias do que duma opção inicial e deliberada das mulheres. Aprecio a força interior que essas mulheres revelam ao lutar contra a tristeza, a desilusão, a angústia que o momento do abandono dos companheiros traz.
Enfrentar uma gravidez nunca é fácil, enfrentá-la sozinha é sempre difícil. A gravidez é um momento psicológico e físico delicado quer para a mãe quer para o bebé, por isso é de louvar aquelas mulheres que decidem trilhar esse caminho apenas com o conforto dum ser que se mexe dentro delas.
A decisão de ser mãe solteira traz óbvias implicações em todas as pessoas que rodeiam a mulher. Todos parecem ter opinião sobre uma decisão que apenas cabe àquela mulher tomar e, quando tomada, muitos continuam a querer discuti-la, emitindo juízos de valor moral indecentes sobre algo que não lhes diz respeito. Isto acontece no trabalho, entre as amigas, no seio da família. Por mais que queira, uma mulher não é imune a toda esta avalanche opinativa, que não raras vezes se torna em julgador feroz e ameaçador. Contra isso, a mulher tem apenas a fé inabalável da sua decisão e o abraço dum coração que bate junto ao seu.


Depois de enfrentar o monstro do preconceito, a mãe solteira enfrentará os Trabalhos de Hércules dos primeiros meses de vida do seu rebento.
Todos os casais costumam salientar as noites mal dormidas, os cansativos trabalhos com fraldas e biberões, a falta de tempo para estarem um com o outro… A mãe solteira tem o trabalho dos dois e sobrevive. Não tem é o tempo nem o dinheiro que um casal dispõe para enfrentar os encargos com o nascimento duma criança.
A questão económica assume, por vezes, contornos dramáticos, pois na esmagadora maioria dos casos, o pai não contribui com nenhum dinheiro para o sustento da criança. Além disso, ter que tomar conta dum filho diminui drasticamente o tempo disponível para trabalhar. O certo é que muitas mães solteiras fazem verdadeiros milagres todos os meses para sustentar os seus filhos, garantindo-lhes também roupa, brinquedos, livros, consultas no médico….

Podíamos dizer que são pessoas excecionais, mães de ouro, um impressivo exemplo de amor, mas isso melhoraria muito pouco a sua situação. Melhorar a sua situação é começar por fazer uma coisa muito simples: RESPEITAR a sua decisão. O valor da maternidade é um valor tão cheio de amor e generosidade que quem decide abraçá-lo jamais pode merecer censura. Depois podemos e devemos APOIAR a mãe. Há uma imensidão de pequenas e grandes coisas que podemos fazer para ajudar uma mãe solteira. Nenhuma delas custa dinheiro e todas são duma grande utilidade.

Quando um dia destes nos depararmos com uma mãe solteira era bom que nos lembrássemos que aquela mulher tomou a mesma decisão que a nossa mãe tomou quando decidiu que havíamos de nascer. Aí, talvez percebamos bem aquilo que o Papa Francisco disse há uns meses: “Não existem mães solteiras, existem mães. Porque mãe não é um estado civil.”    
Gabriel Vilas Boas    

2 comentários:

  1. Oi gabriel, adorei o posto, gostaria de coloca-lo na minha pagina com referencia ao seu blog. Poderia?
    Abraços

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