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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

CONJUNTO HABITACIONAL «PANTERA COR DE ROSA»




O conjunto habitacional «Pantera Cor-de-Rosa», na Zona N de Chelas, marca a emancipação dos arquitetos Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita dos seus mestres modernos portugueses a quem devem a formação. Com este conjunto habitacional de 382 apartamentos, os dois arquitetos definem uma nova teia de influências para a arquitetura portuguesa.
O «Pantera Cor-de-Rosa» nasce de uma circunstância singular. Após a realização dos bairros Olivais Norte e Sul, a urbanização do vale de Chelas foi entregue pela Câmara Municipal de Lisboa, a profissionais experientes que incluem nas suas equipas os jovens arquitetos Gonçalo Byrne e António Cabrita. Os dois arquitetos tinham vencido o concurso para o Plano da Zona da Pontinha (Faro, 1971), surgindo, com naturalidade, na equipa dos consagrados Teotónio Pereira e Nuno Portas.

 

Em Chelas, a dupla Byrne/Reis Cabrita tem ao seu dispor uma área de intervenção “nova”, distante da cidade tradicional e sem nenhum contexto histórico de enquadramento.
A primeira inovação desta parelha de arquitetos está na maneira como eles se propõem relacionar este edifício com o território. O edifício «Pantera Cor-de-Rosa» reanima as relações de sociabilidade, evocadas na sua “disposição” urbana.
E como Byrne e Reis Cabrita “criam sociabilidade” a partir da arquitetura?   
Num lugar sem qualquer referência, os quatro blocos habitacionais recriam uma praça e ruas.  Seguindo um modelo trabalhado em Milão, na mesma altura, pelo arquiteto Carlo Aymonino, a dupla de jovens arquitetos portugueses introduz variabilidade de formas e conteúdos na sua proposta arquitetónica. No «Pantera» há uma proliferação de diferentes elementos que compõem o espaço público: galerias múltiplas, cilindros que albergam caixas de escada, passadiços entre blocos.


Os edifícios permitem leituras a diferentes níveis. Por detrás de uma fachada mais compacta existe uma sucessão de acontecimentos complexos. Os dois arquitetos procuraram criar um cenário mais agradável, que amenize a dureza e monotonia dos típicos espaços de habitação social moderna.
Sempre que Lisboa é evocada no cinema como uma cidade não pitoresca, o edifício «Pantera Cor-de-Rosa», em Chelas é falado. É por isso que, numa das imagens mais marcantes do filme de Wim Wenders, “Lisbon Story”, o «Pantera» é usado como enquadramento. E isso acentua o seu destino de ícone de uma cidade que se procurava redimensionar, há quarenta anos, entre um subúrbio deserto, mas habitado, e um centro denso, ainda que vazio.
Gabriel Vilas Boas  


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