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domingo, 9 de abril de 2017

O SILÊNCIO NEM SEMPRE É DE OURO. ÀS VEZES, PESA COMO CHUMBO


Saber calar. Gerir silêncios. Fazer-se de morto. – O elogio da arte do silêncio vem de longe e parece não encontrar rival. No entanto, muitas vezes, esse tático uso do silêncio não causa outra coisa senão dor.
         É verdade que o silêncio nos pode ser útil e, frequentemente, é o mais aconselhável para acalmar a fúria do outro, deixá-lo vomitar toda a frustração sem provocar a sua ira, mas também pode ser (e é-o vezes sem conta) uma maneira de o fazer sofrer, de o castigar, de o manter na dúvida, que o corrói e mata.
         É tão importante saber guardar silêncio como saber quebrá-lo, libertando da angústia quem nele está preso.

        
Assiste-se com frequência à degradação de muitas relações através da imposição da lei do silêncio. Nenhum fala, pergunta, estrebucha, reclama sequer. 
Por que o faz? Primeiro começa por achar que é uma fraqueza, depois deixa-se invadir pelo orgulho e pela mágoa e finalmente acaba preso ao medo das respostas.
O silêncio não serve somente para dissolver problemas; também tem o efeito contrário, ainda que de um modo mais insidioso. Potenciador de dúvida e desconfiança, o silêncio é um ótimo gerador de equívocos e enigmas.

E nem todos temos palavras finas e hábeis para desfazer esses nós duros e cegos. Mais do que a cobardia de alguém que foge à resolução dos problemas, o silêncio denuncia a incapacidade para os encarar.
Não sei o que fazer!” “Nem sei por onde começar. Até tenho medo da falar e ser mal interpretado!”

Não é possível dominar todos os efeitos perversos do silêncio. Quando usado de uma maneira cínica, o silêncio pode tomar o efeito boomerang e atingir até quem dele se serviu.
O silêncio é tão oportuno e certeiro como as palavras. E por muito desajeitadas que elas possam ser, há momentos em que elas desanuviam um horizonte de chumbo e silêncio.

GAVB

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