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domingo, 24 de janeiro de 2016

FINALMENTE MARCELO É PRESIDENTE


Não foi preciso Cristo descer à Terra nem voltar a mergulhar no Tejo frio e poluído: aos sessenta e sete anos Marcelo Rebelo de Sousa torna-se no vigésimo Presidente da República Portuguesa. Numa corrida eleitoral com dez candidatos mas sem nenhum interesse político, o professor Marcelo atingiu finalmente o objetivo e o sonho de toda uma vida.
Enfrentando uma panóplia de candidatos menores e usufruindo da simpatia de uma população descrente na classe política que a governou nas últimas duas décadas, Marcelo conseguiu o extraordinário feito de ser eleito sem precisar do apoio de nenhum partido político. Depois de mais de vinte anos a fazer comentário político na rádio e na televisão, a ser escutado como nenhum outro português o foi, a ser seguido com atenção por sucessivos decisores políticos, Marcelo ganhou finalmente coragem para se candidatar à Presidência da República.

Chega demasiado tarde. Há dez anos faria mais sentido e temo que estejamos a repetir o erro que cometemos com Cavaco Silva, quando procuramos dar ao outro professor mais famoso da democracia portuguesa uma espécie de prémio de final de carreira e obtivemos em troca um presidente imóvel, partidário, incoerente, sem reação nem determinação para orientar o país na grave crise económica, social e política que ainda atravessamos.
Chega ao mais alto cargo da nação um dos mais bem preparados e informados cidadãos do país, um homem que consegue ser das elites e ao mesmo tempo amado pelo povo; um homem que simplificou a política todos os domingos à noite, explicando-a. No entanto...

Talvez Marcelo não tenha reparado mas, nos últimos anos, tornou-se muito consensual, muito politicamente correto, condescendendo com algumas práticas políticas que tinham de ter sido obstruídas. Não sei se o fez por tática ou poque a idade sénior o tornou menos irrequieto, mas não foi esse Marcelo que a minha geração ouvia com atenção na TSF, nas temidas notas semanais que dava aos governantes e outras figuras públicas da sociedade portuguesa.

Não sei se Marcelo terá força ou vontade de voltar a ser o enérgico professor “Martelo” que mereceu um boneco do Contrainformação, mas sei que Portugal precisa de um Presidente da República que seja mais do que um velhinho consensual que ameaça usar a bomba atómica da dissolução da Assembleia da República. Governar o país está difícil, mas ser um bom presidente não está mais fácil. Portugal precisa de um presidente com sabedoria e com golpe de asa, que una geracionalmente o país e o torne respeitado no estrangeiro, que nos faça ter orgulhe em sermos portugueses e termine de vez com o fado do desgraçadinho que já ninguém tem pachorra para mais desculpas, para mais um “mas”, para um outro “para o próximo é que é”. 
Que seja desta e nos faça voltar a sorrir.

GABRIEL VILAS BOAS 

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