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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

IMAGINE JOHN LENNON


IMAGINE é tudo o que podemos fazer sobre John Lennon desde há trinta e cinco anos, quando um alegado fã, em perfeito desequilíbrio mental, resolveu disparar mortalmente sobre o seu ídolo, a quem não perdoava a vida luxuosa em que vivia em contraste com o discurso pacifista.
Lennon e McCartney criaram a mais poderosa e emblemática banda de rock do anos sessenta do século passado e influenciaram decisivamente uma geração farta de guerra e prestes a rebentar com todos os tabus sociais.

Quando as divergências pessoais puseram fim aos Beatles, emergiu o imenso talento de Lennon e McCartney , em separado. Lennon, o ícone perfeito do lema “paz e amor”, deixou-nos a imortal canção “Imagine”, onde sobressai a força das palavras, “ditas” com a calma de um sábio, complementada pela imponência sonora que brota do piano.
É trágico que a morte de Lennon tenha sido marcada por tão absurdas circunstâncias, mas é ainda mais trágico e incompreensível que ainda hoje tenhamos de “Imagine” o mundo como ele preconizava nessa belíssima canção.
O “Imagine” de Lennon pedia-nos pouco, mas a cada ano que passa esse pouco tem-se multiplicado tanto que hoje nos parece um sonho irrealista. Um mundo sem fome nem ganância, um mundo de paz, amor e partilha, não é um sonho utópico ou um paraíso longínquo. É algo que esteve nos planos de muitas das nossas infâncias, mas que o fanatismo, o egoísmo e o desejo incontrolado de poder destruíram.

Já não é difícil imaginar um mundo de ódio, de arrogância, de guerra e intolerância porque crescemos e vivemos nele. A paz e o amor foram remetidos para o mundo da imaginação e do sonho.
É difícil imaginar como aceitamos isso tão facilmente; é difícil perceber como vivemos num mundo que dizemos não querer; é trágico imaginar que um dia a imaginação pode cansar-se de tanta desilusão.

Gabriel Vilas Boas

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