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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A ESTREIA DA QUINTA SINFONIA DE BEETHOVEN


A Quinta Sinfonia em dó menor de Beethoven, a sua Sexta Sinfonia, o seu Quarto Concerto para Piano e seis outras obras foram simultaneamente estreadas num concerto épico de quatro horas em Viena, na noite de 22 de dezembro de 1808. No entanto, o concerto não foi o sucesso esperado, pois a sala estava fria e a orquestra era medíocre, mas as apresentações posteriores da Quinta Sinfonia tiveram muito mais impacto junto do público, entre os quais se figurava o escritor alemão E.T. A. Hoffmann.
Cinco meses depois do concerto, os exércitos de Napoleão bombardeavam Viena e Beethoven, cuja surdez aumentava de dia para dia, procurou fugir desesperadamente do ruído do bombardeamento para preservar o que restava da sua audição.
Cito as palavras de Hoffmann sobre a extraordinária Quinta sinfonia de Beethoven pela sua sensibilidade artística.


«Poderá haver alguma obra de Beethoven que confirme tudo isto em mais elevado grau do que a sua indescritívelmente profunda, magnífica sinfonia em dó menor? Com esta composição maravilhosa, num clímax que não para de crescer, conduz imperiosamente o ouvinte para o mundo espiritual do infinito! … Sem dúvida que o todo flui para uma engenhosa rapsódia À frente de muitos homens, mas a alma atenta de cada ouvinte é agitada, profunda e intimamente, por um sentimento que não é nenhum outro senão a indescritível e portentosa melancolia, e até ao acorde final é impotente para sair daquele reino espiritual onde a dor e a alegria o envolvem sob a forma de som. A estrutura interna dos andamentos, a sua execução, a sua orquestração, a forma como se sucedem, tudo entre os temas que constroem a unidade que por si tem o poder de manter firmemente o ouvinte num estado de espírito único. Esta ligação é, por vezes, clara para o ouvinte quando a escuta na ligação dos dois andamentos ou a descobre nos baixos fundamentais que têm em comum; uma relação mais profunda que não se revela desta forma, fala noutros momentos apenas de mente para mente, e é precisamente esta relação que imperativamente proclama o autodomínio do génio do mestre.»  

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