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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A VIRGEM E O MENINO COM SANTA ANA, de Leonardo Da Vinci

Para esta noite especial, escolhi um quadro de Leonardo Da Vinci, pertencente à coleção do Museu do Louvre, que celebra a maternidade, pois, além da Virgem e do Menino, ilumina a mãe da Virgem, ou seja, a avó do Jesus Cristo. Com ela, Da Vinci dá humanidade à figura de Cristo, mostrando a sua família desconhecida.
A pintura, datada de 1510, que Leonardo Da Vinci realizou a partir do popular tema da Virgem e do Menino Jesus, com a mãe da Virgem, Santa Ana, está muito afastada dos primeiros arranjos rígidos e frontais de grupos familiares e executados pelo pintor.
O artista trabalhou em versões deste tema nos primeiros anos do século XVI: um tratamento algo diferente que inclui São João Baptista criança, sobrevive na forma de desenho na National Gallery em Londres e um esboço que se perdeu causou sensação quando foi exibido no convento de Annunziata, em Florença em 1501.
Embora Santa Ana pareça aqui na sua habitual posição com a Virgem à sua frente, as três são vivas e naturais. Num afastamento claro da tradição que apresenta Ana como uma matrona envelhecida, Leonardo Da Vinci mostra-a surpreendentemente jovem e atraente. O infeliz cordeiro a que o Menino deita a mão sugere o seu próprio papel no futuro como Cordeiro de Deus, o irrepreensível sacrifício pelo pecado; mas, à parte esta referência, o trio íntimo e divertido, nesta paisagem de sonho, faz um uso ligeiro de significados simbólicos.
O elemento-chave desta composição pictórica do século XVI é Santa Ana. O culto de Ana (século I), mãe da Virgem, chegou inicialmente ao Ocidente com os refugiados cristãos que escaparam às conquistas islâmicas.
 Uma primeira imagem da Santa, datada de 650, aparece um Santa Maria Antiqua, em Roma, onde é mostrada com a Virgem. Por volta do século XIV, Santa Ana era uma figura popular, em parte porque a maternidade numa idade avançada confirmava a doutrina da imaculada conceção da Virgem. Normalmente aparece com a filha. Diz a lenda que se casou três vezes e teve três filhas. ´É representada no final da Idade Média, com toda a sua família, por artistas como o mestre de Santa Verónica. Em 1479, as Carmelitas, em Frankfurt, formaram uma irmandade de Santa Ana e encomendaram um retábulo que lhe era dedicado, ilustrando cenas da sua vida.


Há cerca de quatro anos, este quadro de Leonardo Da Vinci este envolvido numa polémica, pois o Museu do Louvre decidiu restaurá-lo, mas o resultado dessa intervenção foi muito criticado por peritos em conservação e pintura, como Ségolène Bergeon Langle e Jean-Pierre Cuzin, que acusaram o Louvre de fazer uma limpeza exagerada à obra que ficou com cores diferentes das originais e um brilho pouco comum em trabalhos renascentistas. Na altura, houve técnicos que defenderam a intervenção de restauro executado enquanto outros a criticaram.

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