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quarta-feira, 4 de março de 2015

ABRAHAM LINCOLN, O PRÍNCIPE DA HUMANIDADE


O dia 4 de março é um dia marcante na história dos Estados Unidos da América e na história da luta contra a escravatura: Abraham Lincoln tornou-se no décimo sexto presidente dos EUA. Unanimemente considerado um dos três mais importantes presidentes da história dos EUA, Lincoln é um verdadeiro príncipe da humanidade.
Haveria de pagar com a própria vida a “ousadia” de ser um ser presidente excecional para quem o princípio de que todos os homens nascem iguais era sagrado, pois morreu assassinado em 15 de abril de 1865.

Lincoln foi presidente extremamente americano e visceralmente universal, pois o seu mandato ficou marcado pela busca da União entre todos os Estados que compunham a nação americana e igualmente pela luta pela abolição da escravatura. Para atingir os seus objetivos lançou mão de todos os instrumentos possíveis, jogando com a sua capacidade de persuasão – era um orador emérito -, com o seu poder enquanto presidente, com a sua empatia junto de congressistas, militares e povo; com a lei e com o tempo. A propósito da luta pela abolição da escravatura, Lincoln aplicou divinalmente aquele princípio de Maquiavel: “O fim justifica os meios”.


Lincoln era um homem determinado, um político astuto, um ser humano ímpar. Tinha o dom da oratória, como se comprova pelos debates que levou a cabo em 1858, por toda a América, explicando aos seus concidadãos que a escravatura era um ato indigno. É desse ano o celebérrimo discurso da Casa Dividida, baseado no evangelho de S. Marcos: "Uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer. Eu acredito que este governo não pode suportar, permanentemente, ser metade escravo e metade livre. Eu não espero a dissolução da União, eu não espero ver a casa cair, mas espero que deixe de ser dividida. Terá que se tornar inteiramente algo uno, ou todo de outra forma."

Mais tarde, em 1863, teria outro assumo oratório que ficou na História com o Discurso de Gettysburg, proferido quatro meses depois da batalha com o mesmo nome, que se revelou decisiva na Guerra de Secessão. Este discurso, com menos de trezentas palavras, teve um impacto enorme, além de ser recorrente na cultura americana, é um hino à liberdade e à igualdade.

Cito apenas uma pequena parte:
«Há 87 anos, os nossos pais deram origem neste continente a uma nova Nação, concebida na Liberdade e consagrada ao princípio de que todos os homens nascem iguais. (..)
Cumpre-nos, antes, a nós os vivos, dedicarmo-nos hoje à obra inacabada até este ponto tão insignemente adiantada pelos que aqui combateram. Antes, cumpre-nos a nós os presentes, dedicarmo-nos à importante tarefa que temos pela frente – que estes mortos veneráveis nos inspirem maior devoção à causa pela qual deram a última medida transbordante de devoção – que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que esta Nação, com a graça de Deus, renasça na liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da terra.»

Lincoln convencia quando discursava, entusiasmava quando liderava, alcançava o que pretendia na ação política. Ganhará a guerra pela União contra os Confederados e sobretudo soube conduzir em paralelo a abolição da escravatura. Lutou, com astúcia e determinação, por dois bens que pareciam difíceis de alcançar ao mesmo tempo e venceu, porque era um homem e um político superior. Em 1962, deu-se, no meu entender, o momento decisivo do seu mandato com a Proclamação da Emancipação, lei que entrou em vigor no primeiro dia de 1963 e que abolia a escravatura em todo o território confederado ainda em guerra civil. Com este pequeno grande passo, ficava a porta aberta para aquilo que Lincoln arquitetou: a XIII.ª Emenda Constitucional

“Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.” 


Com Lincoln os EUA não ficaram mais ricos monetariamente nem chegaram à Lua primeiro que qualquer outro povo, no entanto a humanidade ganhou uma dignidade que ainda hoje não é imaculada. 
Gabriel Vilas Boas

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