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sábado, 18 de março de 2017

O DIREITO A DESLIGAR


Timidamente começa a ganhar forma na sociedade atual o protesto contra o excesso de conectividade a que estamos sujeitos. Parece-me um protesto justo, mas com poucas hipóteses de êxito.
Fomos nós que instalamos o wi-fi nas nossas vidas e ele só está ligado 24 horas por dia porque esse é o nosso desejo. 
“Não perder oportunidades”, “estar em cima do acontecimento”, “saber as últimas de tudo e de todos” – foram vontades nossas e não dos nossos patrões; eles apenas aproveitaram a porta aberta que lhes deixamos ao dispor para otimizarem o seu tempo à custa do nosso.

Irrita-nos o abuso, mas fomos somos que o atraímos, que o facilitámos. É possível que conquistemos esse «tal» “direito a desligar”, até porque ainda não está instituída a obrigatoriedade de estar ligado. Durante mais algum tempo será opcional até que nos tornemos completamente dependentes e viciados. Depois nem será preciso impor nada, pois já estaremos tão habituados à invasão da nossa vida que nem estranharemos.
Apesar de pensar que a conetividade é já uma inevitabilidade, fazia-nos muito bem uma travagem a fundo, neste delírio tecnológico, porque a nossa mente não aguentará indefinidamente.

Há ainda uma margem de decisão que está nas nossas mãos e, por isso, este direito a desligar, que alguns invocam e reivindicam aos seus patrões, deve ser lido como um alerta que todos devem ter em conta.
Urge que cada um ganhe consciência do seu dever de desligar, porque daqui a cinco anos pode já ser tarde.
Em qualquer época a vida sempre precisou de equilíbrio e esse equilíbrio está em perigo quando deixamos de comandar a máquina para ser ela a nos comandar.

GAVB

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