Etiquetas

sexta-feira, 17 de março de 2017

CÁRITAS: RECEBE MILHÕES, AJUDA COM TOSTÕES


Não há semana que os portugueses não sejam confrontados com uma notícia chocante relativa ao mau uso do dinheiro público ou confiado a privados. Os bancos, as seguradoras, os partidos, ex-ministros, ex-primeiros-ministros – parece que somos um país patologicamente corrupto.
Esta semana, o jornal «Público» revelou que a Cáritas da Diocese de Lisboa, instituição de solidariedade social que recebe milhões de euros de donativos para ajudar os pobres, tinha uma conta bancária com mais de dois milhões de euros, há vários anos, além de uma carteira de ações e imóveis avaliados em quase milhão e meio de euros.
Ao analisar as contas de um ano recente (2013) verificou-se que a Cáritas de Lisboa deu um lucro quase tão grande como a quantia aplicada na ajuda aos pobres. Essa quantia, que não chegou aos 150 mil euros, representa muito pouco naquilo que a Cáritas guarda em caixa.
         Isto mostra como a Cáritas segue o péssimo e obsceno exemplo do Vaticano, que apenas gasta com os pobres umas migalhas daquilo que tem. Quem faz doações à Cáritas fá-lo com a convicção que esse dinheiro, esses imóveis são aplicados na ajuda aos pobres, o que de facto não acontece.
        
A Cáritas atua como uma qualquer empresa corretora, fazendo aplicações de dinheiro em busca do lucro, mas com dinheiro doado pelos pobres, o que é um crime moral gravíssimo.
         Esta atitude da Cáritas é vergonhosa e merece a nossa total reprovação. Não faltam pobres para ajudar e mesmo que os pedidos de ajuda não esgotassem os recursos, era obrigação da Cáritas disponibilizá-los a outras instituições de solidariedade social.
         A Cáritas desacreditou-se e lançou lama sobre quem apela à caridade social. A partir de agora, muitos portugueses interrogar-se-ão sobre o destino do dinheiro que deixam aos voluntários da Cáritas e muitos deixarão de lhe fazer doações.
         A sociedade portuguesa necessita de instituições em que possa confiar como de pão para a boca. Desconfiar de tudo e de todos (e com boas razões para isso) atira-nos para uma espécie infelicidade sem esperança coletiva.

GAVB

Sem comentários:

Enviar um comentário