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quarta-feira, 30 de julho de 2014

INGMAR BERGMAN


“Filmes são sonhos, filmes são música. Nenhuma arte passa a nossa consciência na forma como o filme passa e vai diretamente para os nossos sentimentos, no fundo escuro das salas das nossas almas.” 
Ingmar Bergman




    A 30 de julho de 2007, o mundo perdia dois monstros sagrados do cinema: o sueco Ingmar Bergman e o italiano Michelangelo Antonioni. Os dois marcaram um modo muito europeu de fazer cinema na segunda metade do século XX e viram a sua vasta obra reconhecida pelas mais prestigiadas academias de cinema do mundo. Hoje falo-vos de Bergman.

   Na sua obra cinematográfica, Ingmar Bergman refletiu sobre o silêncio de Deus, a morte, a falta de comunicação entre as pessoas, as fraquezas humanas, a incompreensão do casal, o amor, a guerra… O seu estilo era inconfundível e muito apreciado entre os críticos de cinema.

    Filho de um pastor protestante, o sueco nasceu a 3 de julho de 1918, em Uppsala. Estudou Literatura e Arte, ao mesmo tempo que se interessou pelo teatro (experimentou a direção cénica e foi autor dramático). A seguir nasceu a atração pelo cinema e, depois de ter escrito argumentos, abordou a realização, ao dirigir “Kris”, em 1945. 

    Sorrisos de uma Noite de Verão (1955), que lhe deu fama internacional, marcou o final da primeira fase da sua obra cinematográfica, que teve como ponto alto Noite de Circo de 1953, no qual as relações humanas são abordadas sob forma figurada. 

   Bergman partiu, depois, para uma nova etapa. O Sétimo Selo (1957), alegoria sobre o sentido da existência humana, balizou o início duma etapa assinalada por filmes de intenção metafísica, que fizeram do sueco o realizador da moda para a intelectualidade. 



   Morangos Silvestres, 1957, síntese da vida de um velho à beira da morte, No Limiar da Vida, 1958, estudo dos traços femininos no pequeno universo de uma maternidade, ou O Rosto, 1958, conflito entre um racionalista e um hipnotizador mesmeriano, puseram a descoberto as suas preocupações metafísicas. 

   A Fonte da Virgem, 1959, talvez a película mais académica desta fase, deu-lhe o primeiro de três Óscares de Melhor Filme Estrangeiro. 

   A terceira etapa Bergman consolidou-o como um dos grandes mestres do cinema moderno e ficou caracterizada por uma série de obras notáveis. 

   Em Luz de Inverno, 1962, e O Silêncio, 1963, focou a crise de valores do mundo moderno, ao passo que em A Máscara, 1966, e Lágrimas e Suspiros, 1972, confirmou a fascinação pelo rosto feminino. Ele que, no patamar teórico, considerou o olhar como o mais belo meio de expressão de um ator e que, no plano técnico, abusou do “facial close-up”.



  Em A Vergonha, 1968, denunciou a crueldade da guerra; em A Paixão, 1969, constatou a ação destruidora do amor e em Fanny e Alexandre, 1983, foi de algum modo autobiográfico, dando conta de uma infância vivida sobre rígido ambiente familiar. Este filme valeu-lhe seu terceiro Óscar de Melhor filme estrangeiro. 

   Antes de morrer tranquilamente em Fårö kyrkogård, Suécia, ainda haveria de fazer mais um par de filmes e assinar alguns trabalhos para televisão. Morria o homem para quem filmar não era um ofício, mas apenas ARTE.
 Gabriel Vilas Boas




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