Etiquetas

sábado, 13 de setembro de 2014

ACORDOS DE OSLO (CONFLITO ISRAEL-PALESTINIANO)


13 de setembro de 1993!
Eis a data que todos deveríamos saber de cor. Teve tudo para ser a data mais feliz após o fim da segunda guerra mundial e enterrar definitivamente os restos daquele conflito que dizimou judeus e arruinou a Europa.
                Naquele dia lindo de 1993, Bill Clinton conseguiu o impensável: abençoou aquele aperto de mão entre Yasser Arafat e Itzhak Rabin, que devia ter sido o primeiro dia da convivência pacífica entre palestinianos e israelitas.
                Durante nove meses representantes do governo israelita e da OLP andaram por Oslo a negociar os termos dum acordo, que não era nenhuma perfeição nem resolvia todos os problemas, mas tinha lá dentro as sementes da paz.


                Rabin era um líder extraordinário. Sempre o admirei pela sua capacidade de amar a paz e de perceber que esta se constrói com cedências, porque os outros também devem ter as suas razões, ainda que não as entendamos…
                E que assinaram Arafat e Rabin a 13 de setembro de 1993? Coisas simples, mas hoje mais ou menos utópicas!
O exército israelita retirava da Faixa de Gaza e da Cijosdânia, ao mesmo tempo que se reconhecia o direito aos palestinianos ao autogoverno nas zonas governadas pela Autoridade Palestiniana. Rabin e Arafat combinaram que haveria três áreas: uma governada em absoluto pela autoridade palestiniana e outra com total controlo do governo israelita. Uma terceira área teria o controlo civil dos palestiniano e o controlo militar judeu.

Os dois líderes assentaram que o governo palestiniano duraria cinco anos, mas, a partir de 1996, o estatuto da Palestina seria renegociado. As sensíveis questões do que fazer com Jerusalém, os clonatos judaicos, os refugiados, a Guerra dos Seis Dias, as fronteiras e a eterna questão da segurança também ficaram contempladas no acordo, que levou a igualmente a assinatura de Shimon Peres, Mahmoud Abbas, Andrei Kozyrev (Rússia) e Warren Cristopher (Noruega), além do já citado Clinton, pelos EUA.
Eu ainda não tinha vinte anos, mas lembro-me perfeitamente da satisfação com que fiquei, pois acreditava sinceramente na boa-fé dos dois líderes, e acreditava, como hoje ainda acredito que parte substancial da resolução dos conflitos mundiais passava pelo entendimento entre judeus e árabes.  
Os meses seguintes confirmaram o meu otimismo. Em 1994, o Prémio nobel da Paz era atribuído a Rabin e Arafat e dois anos após “Os Acordos de Oslo” assinados nos EUA, foram subscritos, em Taba, na península do Sinai, no Egito, um acordo mais pormenorizado e completo sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Era a prova mais do que evidente que o caminho da paz estava a ser trilhado com sucesso, ainda que muita pedra pudesse tornar o caminho doloroso…

Essa pedra chegou num dia escuro e terrível de novembro de 1995, que preferido não recordar hoje. Daí para cá construíram-se muros de ódio, raiva, razões e mais razões de ambos os lados. Os homens que apertaram sinceramente as mãos estão mortos e com eles parecem ter levado as chaves da paz.
Quero acreditar que o dia 13 de setembro de 1993 não foi apenas um sonho lindo que durou dois anos e dois meses. Quero crer que os líderes que a minha geração produzir saberão ter a inteligência e a grandeza de deixar ao mundo um legado de PAZ.
Gabriel Vilas Boas   


  

Sem comentários:

Enviar um comentário