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quinta-feira, 15 de março de 2018

A ESCOLA PRECISA DE SE TRANSFORMAR PARA NÃO SE TORNAR IRRELEVANTE



Há trinta anos a Igreja Católica tinha uma grande relevância na sociedade portuguesa; hoje, a sua importância é pouco mais que residual. O que aconteceu? Fechou-se; recusou aceitar as críticas que lhe eram apontadas e cristalizou a mentalidade. Como resultado recolheu o progressivo afastamento das pessoas e sobretudo deixou de influenciar as suas decisões.

A Escola corre um risco semelhante, só que as consequências serão bem piores, porque a sua importância na saúde de qualquer sociedade é elevada. É a Escola que permite pensarmos em igualdade, democracia, justiça, coesão social.

A Escola trabalha as gerações futuras e, por isso, mais do que vergastadas, críticas acintosas, opiniões doutorais sobre como é que se deve ensinar, educar ou aprender, a Escola portuguesa precisa que a ajudem a não perder relevância, porque isso seria desastroso. 

Quem faz a escola assim ou assado são os professores. Hostilizá-los, enxovalhá-los, criar-lhes sistemáticos obstáculos é um erro crasso, mas que nem sempre se tem evitado. Precisámos deles, precisamos de os ajudar a fazer um Escola mais competente, assertiva, inclusiva, responsável, dinâmica.
De que ajuda precisam os professores? Em primeira lugar, que não atrapalhem o seu trabalho, com burocracias inúteis,  com teorias discutíveis, com tentativas parolas de ensiná-los a  fazer o seu trabalho. Eles erram como qualquer profissional, mas a percentagem de acerto é bem mais elevado que em muitas outras profissões.

Outra ajuda que seria bem-vinda era a definição clara dos principais objetivos de cada Escola. Por vezes, numa mesma Escola existem «várias escolas», pois há grupos de alunos que prosseguem objetivos bem diferentes. Os professores têm de perceber essa diferença e dar a cada grupo aquilo que eles precisam, fazendo-os crescer na medida das suas competências e capacidades.
Ajudaria imenso aos professores perceberem que a Escola não é um lugar para ensinar, mas um local para aprender. 
É verdade que são eles os detentores da autoridade, do saber, do conhecimento, da técnica, mas não são eles o objetivo final do seu trabalho. Por isso, não pode ser “à sua maneira”, mas à maneira que é mais útil a quem aprende. Não confundir útil com fácil, como não se deve confundir trabalho com diversão. A escola não é nenhum parque de diversão para só aprendermos de forma divertida.

É verdade que os meios materiais ao dispor dos professores são tão antigos e obsoletos que até mete dó, mas a principal transformação está no modo como se faz, ou seja, no método. Poucos são aqueles que mudam para um método onde não se sentem confortáveis. Ora, muitos professores sentem-se confortáveis no intragável método expositivo, que até a eles lhes daria sono.

Como se muda? O ideal seria que tivéssemos perdido o medo de perder o controlo da aula, através de formação. Como ela não existiu nas últimas décadas, cabe a cada professor não deixar-se fossilizar no que ao método diz respeito. Não sendo uma coisa propriamente fácil, também não é um bicho papão. Largar o domínio absoluto da aula, aceitando que o conhecimento chegue aos alunos por diversos canais e modos (não apenas pelo livro, não apenas por aquilo que o professor diz), deixando que ele seja construído. Ensiná-los a pensar, a ter espírito crítico, a não ter de demonstrar tudo em teste ou por escrito. 

Obviamente que nos primeiros tempos os resultados podem ser frustrantes e ficarmos com um mão cheia de quase nada e com o tempo de aulas dado. No entanto, se o trabalho for feito com critério, rigor e planeamento, os frutos hão de aparecer. Se não for no nosso pomar, será no de outro. O importante é que apareçam e sejam consistentes.
O que não podemos esperar é ter resultados diferentes fazendo sempre do mesmo modo. E se os alunos são diferentes daquilo que eram quando começámos a trabalhar, por que razão continuamos a fazer igual? O comodismo é um luxo caro!    
GAVB

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