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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

PREFIRO TRABALHAR NO SUPERMERCADO

 


É a economia, estúpido! 

Quando o Ministério da Educação oferece cerca de 500 euros a um professor para fazer meio horário, numa cidade a 50 quilómetros da sua residência está, obviamente, a convidá-lo a rejeitar a oferta. Nem precise de ser tão longe que o obrigue a arrendar um quarto ou uma casa. Agora imaginem quem tem  de contar também com este custo acrescido na hora de tomar uma decisão.

Basta ter de se deslocar três vezes por semana do Porto a Amarante, por exemplo, para o professor ser obrigado a gastar 75 euros semanais em portagens, combustível e almoço. Ao fim de quatro semanas terá deixado na estrada e no restaurante 300 dos 500 euros que lhe pagaram. Ser caixa de supermercado garante-lhe três vezes esse rendimento, sem desgaste do carro.

Evidentemente que ninguém quer ser professor com opções destas, muito menos com a falta de respeito e consideração que a profissão merece de grande parte da sociedade portuguesa. 

E o futuro não se afigura brilhante. Ao encolher de ombros generalizado, seguir-se-á o "cada um trate de si", para terminarmos numa sociedade cada vez mais desigual, onde o presidente da Associação Académica de Coimbra declara com lucidez e crueza, no arranque de mais um ano letivo "Escolhemos o curso consoante o custo da habitação e o nosso rendimento familiar".

Daqui a poucos anos ter um curso superior com um mínimo de qualidade será uma utopia para a maioria dos filhos da classe média. Pior do que isso é os jovens perceberem que será pouco eficazmente economicamente. 

GAVB

sábado, 4 de maio de 2019

UM BOM POLÍTICO RESOLVE PROBLEMAS, UM POLÍTICO MEDÍOCRE FAZ CHANTAGEM

Gostemos muito, pouco ou nada da causa dos professores, acho que ninguém intelectualmente honesto considera justa a medida de apagar o tempo de serviço prestado pelos docentes. Professores, polícias, magistrados, médicos... quem tem uma carreira definida, com regras estabelecidas pelo patrão tem expectativas e direito à progressão remuneratória anunciada e negociada. 

A situação económica do país ou da empresa pode obrigar a uma compreensão por parte do trabalhador, quanto ao tempo em que se reponha a legalidade, mas não dá direito ao patrão recusar cumprir o que foi acordado.

Dizer que o país fica novamente próximo da bancarrota, que se desequilibra as finanças públicas porque não se paga o que se deve é assumir que não se tem capacidade para governar. 
Se eu não pagar os meus compromissos, posso gastar mais do que arrecado que nunca irei à falência, mas isso não é governar, gerir, dirigir corretamente qualquer empresa, negócio ou Estado. Isso é ser, no pior sentido da palavra, uma habilidoso,  que rima bem com mentiroso. 
António Costa não sabe governar cumprindo compromissos assumidos pelo seu partido, não sabe governar sem esquemas, não sabe governar sem chantagem ideológica, não sabe governar sem estourar dinheiro com bancos e banqueiros incompetentes e corruptos,usando o dinheiro dos trabalhadores.  

O problema não é dos professores, nem dos enfermeiros, nem dos polícias, nem dos trabalhadores do setor privado; o problema é de um homem, um governo, um partido que gasta mais tempo a nomear familiares para o governo do que a pensar em estratégias para  fazer crescer o país, de modo a poder pagar aquilo a que se comprometeu pagar e de maneira a proporcionar aos portugueses, a todos eles, aumentos de salários de acordo com a sua produtividade, mérito, competência. 
O país não saiu da bancarrota com Costa, mas foi lá posto por um governo a que ele pertenceu.
Portugal não precisa de um chantagista, Portugal precisa de governantes com coragem, dignidade, dinamismo, honra e trabalho económico sustentado. O primeiro-ministro de Portugal, infelizmente, já deu provas que não tem nenhum destes predicados. 
O lugar de um jogador e de um chantagista é no casino.
Gabriel Vilas Boas

quinta-feira, 2 de maio de 2019

RECUPERAÇÃO DO TEMPO DE SERVIÇO DOS PROFESSORES FOI APROVADA. QUANDO SERÁ CONCRETIZADA?

Finalmente a oposição, em Portugal, fez alguma coisa de jeito e com alguma autenticidade: aprovou a recuperação integral do tempo de serviço dos professores. 
Faltou fazer o serviço completo: pôr na lei o modo.


Este é um «pormaior» importantíssimo que pode adiar muitíssimo  a que se faça justiça aos professores. 
Obviamente que não só os professores que merecem que o tempo de serviço lhes seja contado, mas foram estes os que mais lutaram por essa contagem, foram eles que sofreram todo o tipo de humilhações e desconsiderações e tentaram de todas as formas que tudo o que trabalharam fosse contado, na progressão da sua carreira, demorasse o tempo que demorasse. Esse mérito tem de lhes ser outorgado.

A «guerra» com o governo e o PS ainda não acabou, mas hoje foi vencida uma importante batalha. Agora é esperar que Costa respeite a vontade do Parlamento como Passos Coelho soube respeitar quando foi apeado do poder, por uma coligação de perdedores, e que o Presidente da República não se ponha com considerações subjetivas sobre uma lei, pois se o Parlamento é a casa da democracia para umas coisas tem de ser também para outras. 

Mesmo que os professores consigam recuperar efeitvamente os 9 anos e 4 meses de tempo de serviço, isso nunca acontecerá antes de 2025, ou seja, terão passado duas legislaturas, ou seja oito anos. Muito tempo, muitas cicatrizes acumuladas, muitos colegas entretanto desaparecidos que não chegaram a ver os frutos de luta tão longa.
Aos que ficaram e nunca desistiram, o meu muito OBRIGADO.

Gabriel Vilas Boas

sábado, 8 de dezembro de 2018

PROFESSORES PORTUGUESES EM DIFICULDADES EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE


É verdadeiramente surreal que mais de trinta professores portugueses contratados no início do ano letivo pela Escola portuguesa de São Tomé e Príncipe, tutelada pelo Ministério da Educação Português, estejam em situação ilegal, naquele país africano de língua oficial portuguesa porque ainda não têm vistos de permanência.
Começaram a trabalhar com um visto de turista, imagine-se, e agora caíram na ilegalidade, havendo multas a pagar e um processo de legalização por concluir.

como é possível que o ME português tenha deixado os seus professores caíram numa situação tão degradante, constrangedora e ilegal? é possível, porque no ME não se sabe trabalhar com eficiência e qualidade. Os trabalhadores deste ministério são muitas vezes abandonados à sua sorte, sem o mínimo de proteção legal ou social. 

Jamais os Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros deviam ter permitido que os  professores embarcassem para São Tomé sem que a sua situação contratual e  legal estivesse realmente estabelecida, mas o pouco profissionalismo aliado a um facilitismo inadmissível ditou infelizes regras.
No entanto, não se ficam por aqui as queixas dos professores portugueses a lecionar em São Tomé e Príncipe, pois o ME trata de maneira bem diferente os professores do quadro e os contratados: aos do quadro, paga-lhes alojamento, viagens e seguro familiar, além do salário correspondente ao que teriam em Portugal; aos contratados, nega-lhes o subsídio de arrendamento e não comparticipa no custo das viagens nem lhes oferece qualquer seguro de saúde. Aberrante, injusto, imoral.
GAVB

sábado, 17 de novembro de 2018

AS CRIANÇAS PRECISAM DE SER FELIZES, NÃO PERFEITAS




As primeiras idades são fundamentais para todos os seres humanos, a necessidade de proteção, a dependência dos seus cuidadores, a sede de amor e a satisfação dos seus objetivos é o que determinará, em grande medida, como se desenvolverão em suas vidas como adultos. 

A maioria das culturas deixa de lado as principais necessidades das crianças e o propósito da vida como tal, para colocá-los numa corrida para a qual elas nem estão preparadas, argumentando competitividade, qualidades de liderança, independência, encorajamento e atitudes que as ajudam a destacarem-se, superando as habilidades dos outros. 

As crianças, como boas esponjas, absorvem tudo o que suas principais fontes de influência lhes oferecem - ideias e crenças básicas que as acompanharão durante a maior parte de suas vidas. Somente quando o adulto questiona essas crenças ele é capaz de transformá-las em favor. 



Frequentemente, nós, adultos, pressionamos uma criança a destacar-se num desporto, sacrificando a recreação tão necessária a qualquer criança, provavelmente para cumprir os nossos caprichos ou sonhos frustrados. 

Se ensinarmos as crianças a ouvir, a fazer o que gostam, a pensar, a administrar suas emoções, certamente lhes daremos ferramentas para que possam escolher suas próprias opções, mesmo desde a infância. 



É sempre útil uma orientação, alguma sugestão, mas a imposição não deve ser um recurso. Infelizmente, muitas vezes, os presentes das crianças não se desenvolvem para encorajá-los a realizar qualquer outra atividade que consideremos ser a melhor para eles. 

É preciso que os adultos percebam que a melhor coisa para as crianças é manter a sua essência, o que lhes permite ter o equilíbrio que perderá rapidamente se estabelecermos, por elas, prioridades erradas, desde a infância. 




A contribuição mais valiosa que podemos oferecer aos nossos filhos é o amor, o respeito pelos seus tempos, pelos seus gostos, pelas suas preferências, pelo tempo de qualidade que oferecemos, pelo interesse que mostramos nas suas coisas, mesmo que os vejamos muito pequenos. 

É isso que definirá sua segurança, sua autoconfiança, seu amor próprio, seu senso de pertencimento. O que deve ser encorajado é o impulso de ser melhor que eles mesmos, de fazer de si mesmos, dia após dia, sua melhor versão, não importando o que o irmão, o colega de classe ou o filho do vizinho faça. 



Cada ser é único e tem todo o direito de ser feliz, rodeado de pessoas que valorizam o que é, quem o guia sem forçá-lo. 

Toda a criança merece crescer e ser formado por ser amado, por quem o rodeia e aprender todos os dias a gostar de si também. Quando essas bases são bem fundamentadas, haverá poucas hipóteses de ele não estar alinhado com sua felicidade e certamente se destacará, mas não porque procure competir, mas porque saberá o que quer, o que o faz feliz. 

Não será perfeito, mas será mais claro do que muitos o propósito da vida, que não é outro senão: ser feliz! 

Sara Espejo

sábado, 20 de outubro de 2018

PROFESSORES, É PRECISO ACABAR COM O DISCURSO DE CALIMERO

Todas as semanas aparece uma queixa nova: o salário que não atualiza há décadas; os alunos que são agressivos e mal-educados; o cansaço físico e psicológico que toma conta da mente e do corpo; os pais que reclamam injustificadamente a nota dos filhos mas recusam responsabilidades perante a sua má educação; O Ministério da Educação que promete melhores condições salariais e de trabalho e depois não cumpre; a modernização do ensino imposta «de cima» sem ouvir os professores, quando estes é que estão no «terreno»....

Os professores entraram numa espiral de queixas e queixinhas, que os degasta imenso, e aumenta a antipatia social de que atualmente gozam. Não é por ser os professores, pois o mesmo aconteceria com qualquer outra classe profissional se assumisse a atual postura da classe docente.

É urgente que os professores mudem de registo, deixando esta infeliz atitude de Calimero, a quem todos devem e ninguém lhes paga. 

Os professores têm justas reivindicações, mas não são os únicos e, sobretudo, devem perceber que há um tempo para falar e outro para calar!
Calar não significa desistir ou ceder, mas tão só serenar a mente e encontrar outras estratégias para chegar ao porto pretendido.
No últimos anos, os professores somam derrotas, em vários quadrantes, e algumas eram perfeitamente evitáveis. Quando se perde, a culpa não é sempre da prepotência do adversário ou da sua batota; muitas vezes, cometemos erros e seria bom que soubéssemos fazer autocrítica interna e privada. 

Um exemplo: para o bem e para o mal, os professores são representados pelos sindicatos (e dentro destes a Fenprof assume papel principal). Ora, a Fenprof tem, há décadas, a mesma estratégia comunicacional, e esta tem afundado a imagem dos professores, além de não conseguir resultados palpáveis. Não estará na altura de renovar a estrutura diretiva da Fenprof, para que outros professores possam mudar a perceção que a sociedade tem de nós, estabelecendo uma nova estratégia de atuação com o governo, a comunicação social e outras profissões? 
Parece-me que sim!

Parar, pensar, mudar!

Acho que a prioridade deve ser valorizar a profissão (não confundir com carreira). Não porque somos melhores que os outros, não porque temos mais razões de queixa, não porque sem nós o mundo não anda, mas porque queremos ser parte ativa numa sociedade moderna, humanizada, tecnológica, artística, com autoestima e que prioriza o conhecimento. 
Precisamos de nos concentrar na qualidade daquilo que fazemos, aceitando que a nossa profissão tem espinhos cruéis e rosas belíssimas e perfumadas, como qualquer outra. 

O tempo passa, as sociedades transformam-se, algumas evoluem, e se os professores querem assumir um papel de destaque na construção de sociedades mais inteligentes e humanizadas, têm de se deixar de queixume e azedume, de crítica e ceticismo, adotando uma atitude de resiliência, aprendizagem, humildade e ação colaborativa, que tanto recomendam aos seus alunos!

GAVB   

terça-feira, 2 de outubro de 2018

NÃO HÁ RECUPERAÇÃO DO TEMPO DE SERVIÇO, PORQUE O OBJETIVO É ACABAR COM A CARREIRA DOCENTE


8 de Dezembro de 2017
Resolução aprovada pela AR, com os votos a favor do PS
“A Assembleia da República recomenda ao Governo que, em diálogo com os sindicatos garanta que (…) é contado todo o tempo para efeitos de progressão na carreira [com a] correspondente valorização remuneratória.”


18 de Agosto de 2018
António Costa
“Nunca foi criada qualquer tipo de expectativa por parte do Governo de que iriam ser contados os nove anos, quatro meses e dois dias. Nunca.”

Tal como aconteceu no caso do Infarmed, um político não surpreende: seja promessa, resolução da AR ou até lei, por norma, não cumpre. Não vale a pena crer no contrário.

Um ano volvido sobre o primeiro embate entre governo e professores sobre a recuperação do tempo de serviço, os professores continuam sem ver confirmadas as suas justas expectativas sobre a contagem integral do tempo de serviço para a carreira do docente. Nem verão tão cedo. Há mais de uma década que a maioria dos ordenados na função pública estão parados e assim permanecerão. 
O objetivo do governo é acabar com as carreiras na função pública, cristalizando os salários daqueles que já cumpriram, pelo menos, metade da carreira até chegar a idade da reforma. 

Tomemos nota de alguns sinais evidentes.

Os poucos trabalhadores que entraram nas diversas carreiras públicas, nos últimos dez anos, já trabalhavam na função pública há vários anos como precários. Somando os anos de "contratados" aos que permanecerão no primeiro escalão da suposta carreira, facilmente atingiremos um número entre os 15 e os vinte anos. Ou seja, metade da dita carreira é feita no primeiro nível remuneratório. A outra metade andará a passo de caracol, sempre condicionada a qualquer crise financeira criada pelos desmandos políticos. O mais certo é chegarem à reforma e nem a meio da escala remuneratória chegar.  

Mesmo tendo dinheiro, o governo recusa-se a atualizar os salários dos funcionários públicos de acordo com a inflação.

Apesar de ter alterado a estrutura, as competências e a responsabilidade de algumas profissões públicas, o executivo recusa-se a rever carreiras e vencimentos, mesmo sabendo ter aprofundado gritantes injustiças entre oficiais do mesmo ofício. (Veja-se o caso dos Conservadores e Notários, onde a disparidade salarial é enorme, apesar da alteração de competências ter igualado a carga de trabalho entre os trabalhadores).

A maneira como as carreiras gerais da função pública estão estruturadas torna impossível o acesso aos escalões mais altos a mais de 80% dos  trabalhadores, por muito competentes que sejam. 

O grande problema dentro da função pública, na perspectiva do governo, é a carreira docente. Como o governo não tem coragem de acabar com ela, como gostaria, optou por uma estratégia de desgaste dos professores, bloqueando, na prática, as progressões até à idade da reforma. 
Quando os professores com mais de cinquenta anos chegarem à reforma, a carreira docente não será mais do que um conto de natal. 
Vencidos os professores, todas as restantes carreiras públicas cairão com facilidade, com exceção dos magistrados, pois os juízes ainda podem levar os políticos a tribunal e colocar alguns sob prisão preventiva. Condená-los a penas de prisão, já é muito mais difícil, por muito evidente que seja a corrupção.

Com o fim das carreiras públicas, terminará a contestação laboral e será ainda mais fácil aprovar leis que ponham em causa os direitos mais básicos dos trabalhadores. 
Perderão todos: trabalhadores do público e do privado, porque a referência pública, dos direitos dos trabalhadores, deixará de existir, quando as carreiras públicas implodirem.
Portugal será apresentado como um caso de sucesso económico segundo o modelo do FMI: salários made in China, oportunidades de negócio made in USA. 
GAVB 

  

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

PROFESSORES SEM AULAS AOS 60 É UMA BOA PROPOSTA, MAS MUITO INGÉNUA


Quando os professores mais novos do sistema educativo português desesperam com a ausência de notícias sobre a sua colocação profissional para o novo ano letivo, a Associação dos Diretores Escolares propõe algo profundamente naïf: os professores com mais de sessenta anos podem optar por deixar de dar aulas, cumprindo o seu horário apenas com atividades não letivas (projetos, clubes, assessoria...).

Ninguém contesta o mérito da proposta e ela não é nova, mas as hipóteses de ser aceite são muito reduzidas. 
Então o governo do partido socialista não reconhece aos professores o direito a ter um carreira, apagando-lhes mais de nove anos de tempo de serviço, e agora ia permitir que os professores deixassem de exercer a sua principal atividade seis anos antes da idade da reforma?

A razão principal pela qual a reforma sem penalização só se atinge depois dos sessenta e seis anos é económica. 
Quando igualou a idade da reforma dos funcionários do Estado aos do setor privado, o governo tornou-se cego, surdo e mudo para as profissões de grande desgaste físico e psicológico. Na última década a situação não se alterou nem se vai alterar significativamente. 

Além da docência há outras atividades de grande desgaste físico e psicológico como é o caso dos enfermeiros ou de algumas forças de segurança e não se vê os governantes portugueses com vontade de atender à especificidade de cada profissão. Antes pelo contrário! A única exceção é a classe política, cuja pouca vergonha nas pensões e subvenções vitalícias é tão grande que acharam por bem impedir a divulgação da lista da vergonha.

A proposta dos diretores parece-me demasiado ingénua e destinada apenas a tentar restabelecer o clima de confiança entre diretores e professores, agora que a municipalização da educação está em marcha e todos os apoios conta. Lembram-se tarde que também são (ou foram) professores. 
Se queriam mostrar a sua solidariedade e coragem deviam mostrar a sua repulsa e indignação perante a falta de respeito que todos os anos o ministério da Educação manifesta com os professores, anunciando apenas nas últimas horas de Agosto a colocação profissional de milhares de professores. Além disso, ninguém ouviu a Associação de Filinto Lima ter uma palavra inequívoca sobre a justa luta dos professores pela restituição do seu tempo de serviço.
GAVB

quarta-feira, 25 de julho de 2018

POR QUE RAZÃO OS PROFESSORES DO QUADRO “FOGEM” DE LISBOA?



Ficaram mais de seiscentas vagas do quadro por preencher no QZP7, ou seja, Lisboa e arredores deixaram de interessar aos professores do quadro. A razão principal é o salário. 
Mesmo para um professor do quadro, ou seja, inserido nessa carreira tão bem remunerada, lecionar em Lisboa não atrai. Pode Filinto Lima (que se acha competente para falar de tudo e mais alguma coisa) dizer que são as zonas problemáticas ou os sindicatos acharem que é o interior. Não é, é o salário. Ele é tão baixo para o custo de vida da capital portuguesa, especialmente se tiver que pagar casa e alimentação e transportes, que o professor se arrisca a pagar para trabalhar. Ora, como ninguém é tonto, procura um local onde lhe paguem pelo trabalho e não seja ele a pagar para trabalhar.
Nos últimos anos, o Ministério da Educação tem tentado conter este abandono dos professores do quadro da zona de Lisboa, “obrigando” os contratados a penar na capital, sobretudo através da alteração das regras do concurso de colocação de professores, em regime de mobilidade interna, fazendo sair em momentos diferentes as colocações dos horários completos e incompletos.

 É claro que os professores contratados não têm escolha e muitos sujeitam-se a ter um rendimento mensal inferior ao ordenado mínimo para não perderem anos de serviço e desse modo continuarem a acalentar a esperança de entrar para a carreira docente. Outros já desistiram de tal ideia e procuraram outra profissão.
O problema de base é o mesmo que está na génese da luta dos professores – os baixos salários de uma parte significativa da classe. Se o professor trabalha perto da sua residência, ele ainda consegue sustentar-se e à sua família, mas se tem de ir viver para Lisboa ou Porto, arcando com todos os custos de uma deslocalização forçada, então o mais sensato é concorrer para outro lado.

A sociedade portuguesa tem desconsiderado os professores, nos últimos anos. Acham que trabalham pouco e ganham muito. O tempo e as circunstâncias tratarão de fazer justiça a uns e dar uma lição a outros. Terão cada vez menos professores, tê-los-ão pior preparados e muito menos disponíveis para os vossos filhos. Haverá tempo em que pagarão muito mais por gente bem menos competente. E é bem possível que em certas zonas do país (não necessariamente no interior), os lugares a concurso fiquem vazios.
GAVB

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Ó CENTENO, QUANTO CUSTOU A RECAPITALIZAÇÃO DA CAIXA AO ORÇAMENTO DE ESTADO?

Segundo dados do INE, os portugueses gastaram quatro mil milhões de euros com a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. 
Quatro mil milhões são dez vezes 400 milhões de euros (os tais que custavam a reposição de todos os professores no seu devido escalão da carreira docente) e nesse altura, Mário Centeno não nos perguntou nada nem disse que a decisão de aplicar todos esse dinheiro do Orçamento de Estado foi a pensar em todos os portugueses. https://eco.pt/2018/03/26/recapitalizacao-da-cgd-vai-mesmo-toda-ao-defice-de-2017/

Centeno foi tapar os enormes buracos que o anterior governo socialista permitiu na Caixa Geral de Depósitos, fruto de má gestão e suspeitos de casos de corrupção.

Canteno arriscou 2% do PIB para tapar os desmandos de Armando Vara e José Sócrates. Usou o dinheiro que falta para pagar salários justos aos funcionários públicos.
Centeno diz que não vai pôr a perder o que conquistou, mas ele não conquistou nada, ele limitou-se a usar o dinheiro de quem trabalha para pagar os colossais desvios no banco público. 
O homem que andou a suplicar a António Domingues que ficasse a administrar a CGD prometendo-lhe algo ilegal e imoral, acha-se a Ronaldo das Finanças, mas o única coisa que faz é cativações chocantes como a da verba destinada à ala pediátrica do Hospital de São João.

Centeno devia perceber que Portugal não é uma folha de excel, mas o cargo no Eurogroup subiu-lhe à cabeça como sobe o poder a gente que não está preparada para ele nem o sabe usar. Mais ano menos ano, acontecer-lhe-á como ao balão que a criança larga distraída. 
António Costa sabe que o país não é uma folha de excel, mas ainda não aprendeu um dos pensamento mais certeiros de Abraham Lincoln "Pode-se enganar todos por alguns tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos durante todo o tempo."

GAVB



sábado, 7 de julho de 2018

SER PROFESSOR É TÃO BOM QUE APENAS 1% DOS JOVENS PORTUGUESES QUEREM ESTA PROFISSÃO




Nunca pensei que a nobre profissão de professor chegasse a tamanho estado de impopularidade, mas a verdade é que o resultado da sondagem aos jovens portugueses sobre os seus desejos profissionais não deixa dúvida: ser professor? Nem pensar?
Por que razão chega esta profissão a este estado de impopularidade? Em primeiro, lugar, porque os jovens cresceram a ouvir que há professores a mais em Portugal; depois porque a sua consideração/estatuto social diminuiu imenso nos últimos trinta anos. 

Além disto acresce o facto, não menos importante, dos alunos terem uma longa experiência de convívio com a profissão docente e por isso serem uns ótimos avaliadores das suas (des)vantagens profissionais, económicas, sociais e afetivas.
Aqueles que passam a vida a dizer que os professores têm uma ótima vida deviam perguntar aos seus filhos por que razão não querem eles ser professores, se é algo tão bom, tão rentável, tão fácil? A verdade é que a profissão se degradou a todos os níveis e os jovens querem ser tudo, menos professor. E note-se que não há nenhuma profissão que eles conheçam melhor os meandros…

Além de fazer refletir a sociedade em geral, que tanto desconsidera os professores, e os políticos em particular, que os dececionam, esta eloquente sondagem deve fazer pensar os professores. A maneira como estão a exercer a sua profissão tornou-a muito desinteressante para os seus alunos de tal modo que quase ninguém almeja tornar-se docente. O famoso espírito de missão é coisa que nada diz aos jovens.

Os professores (especialmente aqueles que ainda estão a meio daquilo que outrora se chamou carreira) deviam ponderar optar por outro percurso profissional. Nesta profissão só somarão desilusões, desgaste físico e psicológico e a probabilidade de serem infelizes será grande.
Quando estão sempre com dúvidas sobre a tua competência, quando acham que és irrelevante e não mereces ter uma carreira, o melhor é partires para onde te façam novamente feliz.
GAVB

sábado, 30 de junho de 2018

O GOVERNO É MUITO BOM A PROMETER AQUILO QUE NUNCA PENSOU CUMPRIR




Estão cumpridos três dos quatro anos do mandato do governo português, que teve uma conjuntura política, económica e social muito favorável, apesar de ser um governo minoritário.
         Contou com uma presidente da República colaborante como nenhum outro governo teve; contou com uma oposição de direita muito suave, até porque houve mudança de líder no maior partido da posição; contou com uma ajuda enorme dos partidos de esquerda, quer a nível parlamentar quer a nível da não existência de conflitualidade social. Os sindicatos nunca foram tão mansos!
         Ao mesmo tempo que contava com as boas graças da generalidade da imprensa, o governo português não baixava a carga fiscal e até teve a lata de aumentar alguns impostos indiretos, aproveitando a descida ocasional dos preços do petróleo. Enquanto isto acontecia economia gerou emprego e retirou-lhe pressão social.
        
Desde que assumiu o poder, o governo do partido socialista foi-se comprometendo (de uma forma dúbia, é certo) com alguns dos seus funcionários (enfermeiros, oficiais de justiça, professores) a atender algumas das suas reivindicações, ainda que de um modo faseado, para não comprometer a saída da fase de recobro em que Portugal se encontrava face aos seus parceiros europeus.
De uma maneira paciente, aqueles que trabalham diretamente para o Estado português esperaram que o governo honrasse os seus compromissos. A um ano de terminar funções, o governo diz que não o fará! Timidamente ainda ensaiou a estafada justificação do «não há dinheiro», mas como foi rapidamente contraditado, passou à argumentação do «não podemos comprometer o futuro» como se não se esses encargos não fossem esperados pelos compromissos assumidos perante professores, enfermeiros, oficiais de justiça, polícias… com se esses encargos não decorressem da estrutura das carreiras públicas.


Na verdade, o governo português nunca teve a intenção de cumprir a sua palavra. Na melhor das hipóteses, o governo português andou três anos a amealhar através de altíssimos impostos e derrogando o cumprimento de promessas para usar essas verbas como cenourinha eleitoral como se o povo fosse um coelho estúpido que acreditará piamente em quem lhe mentiu repetidamente.
Acha o governo que só precisa de escolher um coelho diferente. Haverá alguém que queira fazer de estúpido?

quarta-feira, 13 de junho de 2018

ESTÁ NA ALTURA DO GOVERNO TROPEÇAR NO SEU PRÓPRIO CINISMO



Os próximos dias serão importantíssimos para a classe docente, pois a sua coesão e unidade serão postas à prova. Não que seja uma prova muito difícil de ultrapassar, mas pode dar-se o caso de não ser superada.
A luta dos professores pela contagem integral do tempo de serviço, para a progressão na carreira docente começa a enervar o governo e a fazê-lo cometer alguns erros, que serão maiores e mais evidentes se tivermos uma coragem suficiente.
Através de uma nota informativa da Dgeste, o Ministério Educação tenta coagir os professores a realizar os conselhos de turma de avaliação do ano letivo que agora finda. Haverá por certo alguns diretores ávidos de serem politicamente úteis, mas a maioria dos professores parece firme na intenção de não se deixar intimidar, continuando a fazer greve às reuniões de avaliação.

Além da razão que lhes assiste por completo, os professores contam com trunfos que convém não desperdiçar: a legalidade da sua ação, a força da sua razão, o silêncio da opinião pública.
Não ter medo das notas informativas, cumprir o que a lei determina, estar disponível para abdicar de algum dinheiro, obter das direções escolares um posição de cumprimento da legalidade, ser capaz de responder com objetividade, racionalidade e classe à pressão mediática que surgirá nos próximos dias – são objetivos ao alcance de todos os professores.
O mais provável é que o governo não ceda para já, mas a primeiro desconforto será sentido por eles. Eles é que vão ter que explicar ao país por que razão irão os alunos a exame sem terem saído as notas; são eles que terão de desatar os nós que a sua hipocrisia política criou. Se nos mantivermos firmes nas nossas convicções e razões, não tardarão a surgir vozes que lhes perguntem por que razão não cumprem aquilo com que se comprometeram.
Quando confrontados com as suas patranhas e ardis, os políticos costumam tropeçar nos seus próprios sofismas.
GAVB

segunda-feira, 4 de junho de 2018

PERDÃO DA DÍVIDA SALARIAL



Começa a ficar clara a estratégia do governo para a próxima campanha eleitoral: declarar as contas saldadas com os professores pagando apenas 30% do valor em dívida.
Seria fantástico que qualquer português pudesse ficar dez anos sem pagar o aumento da renda da casa, da luz, da água, dos transportes públicos, da gasolina (Como seria maravilhoso!) e no final se dirigisse ao seu credor com a seguinte proposta: ‘Vamos acertar contas! Juros do que lhe devo? Nem pensar! Pago-lhe 30% do que lhe devo e ficamos quites. Amanhã, o senhor passa-me uma declaração de que nada lhe devo, para entregar nas finanças. E não diga que vai daqui! Ou isto ou nunca mais lhe pago!’

Não seria fantástico, seria apenas desonesto e uma grande canalhice. Foi aquilo que senti com a proposta que o governo português fez aos sindicatos de professores. É bem pior que uma ignóbil chantagem, é uma indignidade que merece desprezo e revolta.

Em política, não se devem negociar propostas desonestas e aviltantes. O que há a fazer é dar-lhes a única resposta que um patrão destes merece: reduzir o nosso voto neste governo a 30% do seu merecimento. Como cada um de nós só tem direito a um voto…

Obviamente, a chantagem do Ministério da Educação é ridícula. Vai contar os dois anos e nove meses ou até os três anos para todos os professores, o que se traduzirá na subida de um escalão para quase todos os docentes, mas no roubo de dobro do tempo de serviço que será reposto. 
Em alguns casos, esse roubo será definitivo e terá efeito nas reformas da classe docente de forma permanente.
Não colhe o argumento de dizer que não há dinheiro. O que há são opções. Este e outros governos optaram sempre por encharcar os bancos do dinheiro que foram negando aos salários dos funcionários públicos e ao aumento da qualidade dos serviços. 
A uns meses das eleições, vem o governo do PS com a conversa de sempre, os argumentos do século passado… por isso há que lhes dar a única resposta possível – aplicar a fórmula do pagamento da dívida salarial ao voto eleitoral. 
Ou aceitam 30% ou… nada!
GAVB

domingo, 20 de maio de 2018

OS PROFESSORES PERDERAM PESO POLÍTICO E IMPORTÂNCIA MEDIÁTICA





Alguns professores ficaram muito admirados pelo facto da comunicação social falada e escrita ter dado pouquíssima relevância à sua manifestação de protesto, de ontem, no centro de Lisboa. Foram cinquenta mil pessoas e ficaram reduzidos a dois minutos, no meio de um qualquer noticiário, como uma notícia banal entre a crise psiquiátrica do Sporting, o casamento de um príncipe inglês ou o rali de Portugal.

Há muitos que os professores tinham deixado de ser respeitados pelo poder político (ontem, só apareceu o comunista Jerónimo de Sousa, o que não deixa de ser elucidativo, e dos restantes partidos nem um referência) e agora são desprezado pelos media.
Percebo perfeitamente o desalento de quem fez uma viagem de 800 quilómetros e teve de gastar oito horas do seu fim-de-semana em viagens, para ouvir o discurso dos líderes sindicais, engrossar as fileiras dos manifestantes e perceber pouco depois o desprezo a que votam a sua luta, os seus direitos, as suas reivindicações.

Há uma clara sensação de impotência na luta dos professores (como de outras classes profissionais), porque as lógicas mediáticas destroem qualquer tentativa de pressão política. A comunicação social gosta de dizer que afronta o poder, que dá voz a quem não a tem, mas a verdade é que a maneira vampírica com que consome acontecimentos, lutas, denúncias acaba por fazer o jogo daqueles que acusa.
O mundo está em mudança. As velhas fórmulas de lutas sindicais, de pressão mediática ou de denúncia de crimes estão ultrapassadas, mas os problemas não.

         Os professores não devem desanimar, mas «apenas» reinventar outra forma de reivindicar, de fazer passar a mensagem, de conseguir os seus objetivos. Nos últimos tempos, vejo com agrado os professores a procurarem outras formas de luta. Foi assim a ILC (Iniciativa Legislativa de Cidadãos), com a luta dos professores contratados, com o concurso extraordinário de professores, já neste ano letivo. Procurando no sistema, maneiras de apanhar o rato na sua própria ratoeira.
       
  Provavelmente não teremos todo o sucesso pretendido, mas alguma coisa havemos de conseguir. O que precisamos é de não perder a coerência, nem a dignidade.
Nota: na manifestação de professores de ontem, vimos muita gente da velha guarda, de fora de Lisboa, a lutar pelos direitos de professores que parecem já ter desistido. É uma lição, mas impõe também uma reflexão. 
Trazer os professores mais novos para a luta não obrigará a uma mudança de modus operandi? Não estará na altura de renovar os quadros dirigentes dos sindicatos de professores, dando lugar aos mais novos? Fica mal acusar os políticos e fazer o mesmo.
GAVB

sexta-feira, 27 de abril de 2018

FENPROF E PROFESSORES DE COSTAS VOLTADAS FARÃO DA MANIFESTAÇÃO NACIONAL DO DIA 19 UM FIASCO



Estamos a três semanas da grande Manifestação Nacional dos Professores, marcada para 19 de Maio. A iniciativa é dos sindicatos de professores e os professores prometiam uma grande adesão. Prometiam, porque já não sei se prometem.
Os motivos da indignação dos professores são conhecidos e, infelizmente, há que acrescentar mais um concurso de docentes, onde a confusão está instalada.

No entanto, professores e direção da Fenprof estão de costas voltadas. A razão é o amuo do sindicato mais representativo dos professores com a louvável iniciativa legislativa, levada a cabo por um grupo de professores, que pretende angariar vinte mil assinaturas, de maneira a fazer o parlamento português aprovar legislação que obrigue o governo a contar todo o tempo de serviço prestado pelos docentes, para efeito de progressão na carreira.

A Fenprof amuou na piorou altura e pelas piores razões, porque não tem razão nenhuma. A Fenprof devia apoiar esta iniciativa e não ficar com ciúmes dela nem entendê-la como uma crítica ao seu modus operandi, que, de facto, merece críticas.


Entretanto, a grande Manifestação Nacional de Professores pode “flopar” se sindicatos e professores não fizeram as pazes. Os professores precisam da organização do sindicato, a direção do sindicato precisa dos professores, como é óbvio, para fazer uma grande manifestação.
A Fenprof deve perceber que os professores podem e devem ir além dos sindicatos, porque muitos deles não são sindicalizados nem se reveem no taticismo político da Fenprof, nem acham grande piada a que os professores sejam usados como joguete de interesse políticos deste ou daquele partido.

Não sei se os sindicatos deram conta, mas os professores portugueses evoluíram, o país também, e covinha que a direção do Fenprof incorporasse essa informação.
Mário Nogueira refere muitas vezes que a posição da Fenprof será aquela que os professores decidirem. Ora, os professores decidiram tentar uma via menos clássica, já que a clássica não dá os frutos desejados, e assim sendo, o dever da Fenprof é estar ao lado dos professores. Sem amuos, sem críticas, sem boicotes. O que interessa é conseguirmos os nossos objetivos enquanto classe profissional. Se é através do António, do Pedro ou do Mário, isso não interessa nada.
GAVB

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O VELHO TRUQUE DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PÔR PROFESSORES CONTRA PROFESSORES



O Ministério da Educação tem mesmo um problema de consciência com os professores portugueses: a não contagem do tempo de serviço ao longo de uma década. 
O governo não sabe como fazer para excluir os professores do seu plano de devolução mitigada dos rendimentos aos funcionários públicos e por isso passou a um plano subversivo: dividir para reinar. Não conseguindo maniatar todos os professores independentes e livres como engana os sindicatos, o Ministério da Educação lançou mão do ponto mais frágil da união dos professores portugueses: a colocação dos professores contratados e a eterna questão dos professores que fizeram carreira no setor privado.

A maioria dos professores do ensino público acha uma tremenda injustiça que os professores do ensino privado possam concorrer em igualdade de circunstância às vagas do ensino público que agora abriram, quando a maioria deles, por razões que só a eles dizem respeito, optou por uma carreira no ensino privado. As razões são diversas: para conseguirem trabalhar, para ficarem perto de casa, para ganharem melhor… não importa. Fizeram sua opção e agora o ME dá-lhe a possibilidade de efetivar no setor público sem nunca terem trabalho para o Estado Português, excluindo quem, durante décadas, andou de malas às costas a fazer a volta a Portugal em escolas públicas.

É emocionalmente difícil aos professores digladiarem-se com colegas, alguns deles verdadeiros amigos de longos anos, mas parece ser isso que o ME quer, ao lançar um concurso extraordinário sob condições injustas e possivelmente ilegais.
Mais do que dividir para reinar, o governo, através do Ministério da Educação, tenta desmoralizar um classe já tantas vezes sacrificada e injustiçada a quem todos se acham no direito de faltar ao respeito.
GAVB