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sábado, 17 de novembro de 2018

AS CRIANÇAS PRECISAM DE SER FELIZES, NÃO PERFEITAS




As primeiras idades são fundamentais para todos os seres humanos, a necessidade de proteção, a dependência dos seus cuidadores, a sede de amor e a satisfação dos seus objetivos é o que determinará, em grande medida, como se desenvolverão em suas vidas como adultos. 

A maioria das culturas deixa de lado as principais necessidades das crianças e o propósito da vida como tal, para colocá-los numa corrida para a qual elas nem estão preparadas, argumentando competitividade, qualidades de liderança, independência, encorajamento e atitudes que as ajudam a destacarem-se, superando as habilidades dos outros. 

As crianças, como boas esponjas, absorvem tudo o que suas principais fontes de influência lhes oferecem - ideias e crenças básicas que as acompanharão durante a maior parte de suas vidas. Somente quando o adulto questiona essas crenças ele é capaz de transformá-las em favor. 



Frequentemente, nós, adultos, pressionamos uma criança a destacar-se num desporto, sacrificando a recreação tão necessária a qualquer criança, provavelmente para cumprir os nossos caprichos ou sonhos frustrados. 

Se ensinarmos as crianças a ouvir, a fazer o que gostam, a pensar, a administrar suas emoções, certamente lhes daremos ferramentas para que possam escolher suas próprias opções, mesmo desde a infância. 



É sempre útil uma orientação, alguma sugestão, mas a imposição não deve ser um recurso. Infelizmente, muitas vezes, os presentes das crianças não se desenvolvem para encorajá-los a realizar qualquer outra atividade que consideremos ser a melhor para eles. 

É preciso que os adultos percebam que a melhor coisa para as crianças é manter a sua essência, o que lhes permite ter o equilíbrio que perderá rapidamente se estabelecermos, por elas, prioridades erradas, desde a infância. 




A contribuição mais valiosa que podemos oferecer aos nossos filhos é o amor, o respeito pelos seus tempos, pelos seus gostos, pelas suas preferências, pelo tempo de qualidade que oferecemos, pelo interesse que mostramos nas suas coisas, mesmo que os vejamos muito pequenos. 

É isso que definirá sua segurança, sua autoconfiança, seu amor próprio, seu senso de pertencimento. O que deve ser encorajado é o impulso de ser melhor que eles mesmos, de fazer de si mesmos, dia após dia, sua melhor versão, não importando o que o irmão, o colega de classe ou o filho do vizinho faça. 



Cada ser é único e tem todo o direito de ser feliz, rodeado de pessoas que valorizam o que é, quem o guia sem forçá-lo. 

Toda a criança merece crescer e ser formado por ser amado, por quem o rodeia e aprender todos os dias a gostar de si também. Quando essas bases são bem fundamentadas, haverá poucas hipóteses de ele não estar alinhado com sua felicidade e certamente se destacará, mas não porque procure competir, mas porque saberá o que quer, o que o faz feliz. 

Não será perfeito, mas será mais claro do que muitos o propósito da vida, que não é outro senão: ser feliz! 

Sara Espejo

domingo, 6 de novembro de 2016

SETE PECADOS PARENTAIS



Os filhos são o ponto fraco de qualquer homem ou mulher. Amam-nos tantos que facilmente se deixam manipular. Falham, porque o amor tolda a objetividade com frequência. 
Há alguns pecados frequentes na relação com os filhos… resolvi elencar 7, ou não tivesse este blogue o nome de “sete pecados (i)mortais”.

Comecemos pelo clássico “Não impor limites”, que é com quem diz não impor regras. A sociedade está cheia delas e criar uma exceção em casa é começar a perder o respeito e a consideração dos filhos.

Não é um clássico, mas tornou-se um hábito dos tempos modernos – Discutir à frente dos filhos. A criança/adolescente fica exposta a um sofrimento injusto e incompreensível. Não é apenas o idílico mundo dos pais perfeitos que se desfaz, mas a horrível sensação de ser objeto de arremesso e ter de tomar partido.
A inconstância na educação e nos castigos deixa os filhos baralhados. Não sabem com aquilo que contam. Uns dias, o pai está bem-disposto e deixa passar uma falha grave; noutros dias a mãe está com a neura e cria um caso por uma ninharia. As crianças e os jovens têm a noção clara da dimensão dos seus erros e por isso não entendem uma educação incoerente.

Outro erro dos nossos dias é deixar que a televisão seja o educador oficial. As séries, as telenovelas, os filmes apresentam o problema e a resolução. Os pais demitem-se da discussão dos temas levantados ou então empurram às crianças para este fastfood educativo, gerido a gosto pelo telecomando. A televisão não foi pensada para educar nem crianças nem jovens nem adultos. Diversão e educação até podem rimar, mas combinam mal.
A entrega à televisão do papel de educador faz lembrar doutro grande “pecado” educacional: subornar as crianças para que tenha determinado comportamento. Eles rapidamente a fraqueza dos pais e tornam-se manipuladores implacáveis. Além do mais, passamos-lhes um valor altamente censurável. Os filhos precisam de ter consciência que há determinados comportamentos e atitudes que não têm prémio; fazem parte de um comportamento social, cívico e familiar normal.

Deixei para o fim, três erros menos óbvios, mas que são a cara de uma geração para quem procura nos filhos o contrabalanço de uma vida pessoal falhada.
Sonhar pelos filhos, que é como quem diz: querer determinar o seu futuro profissional, pessoal, social. Querer o melhor para os filhos (quase sempre isso quer dizer um emprego muito bem remunerado e considerado) não é querer determinar o seu futuro, mas sim deixá-lo decidir em liberdade. É triste, mas muitas vezes têm de ser os avós a lembrar que os filhos são nossos, mas não são nossa propriedade.
Trabalhar demasiado para dar tudo aos filhos é um erro do passado que teimamos em repetir. Péssimo. Nenhum líder, nenhuma pessoa bem-sucedida chegou ao topo sem o ter conquistado. Trabalhar até ao limite para deixar o máximo aos filhos é só deixar peixes no cesto, mas nunca ensiná-lo a pescar. Por mais peixes que existam, um dia eles vão acabar e o filho(a) não saberá pesar um único peixe e passará fome. Um fome horrível e sem fim à vista.
Gabriel Vilas Boas