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sexta-feira, 19 de abril de 2019

ELES NÃO TÊM FILHOS MAS TÊM O PODER DE DECIDIR O FUTURO DE QUEM OS TEM


















 Recentemente um jornal brasileiro, o Globo, fez um curioso balanço sobre a relação entre quem manda na Europa e a família, especialmente na vertente «ter filhos». Eis algumas conclusões.


MACRON, o presidente francês, não tem filhos.
A chanceler alemã, ANGELA MERKEL, não tem filhos.
A primeira-ministra do Reino Unido, THERESA MAY, não tem filhos.
O primeiro-ministro italiano, PAOLO GENTILONI, não tem filhos.

MARK RUTH, da Holanda, não tem filhos.
STEFAN LOFVEN, da Suécia, não têm filhos.
XAVIER BETTER, do Luxemburgo, não tem filhos.
NICOLA STURGEON, da Escócia, não tem filhos.
JEAN-CLAUDE JUNCKER, presidente da Comissão Europeia, não tem filhos.


Ou seja, um grande parte das pessoas que tomam decisões sobre o futuro da Europa não tem nenhum interesse direto nesse futuro. 
Como pode ser então sensível às políticas de família, às questões ambientais, à harmonização entre vida do trabalho e a vida familiar?
Ter filhos, constituir família parece uma coisa suburbana, fora de moda, um empecilho num mundo apenas pensado e feito para o «aqui e agora», onde só o «eu» conta.
Os europeus andam a escolher gente que pode saber muito de finanças, de economia ou estratégia política, mas pouco sabe de PESSOAS, de VALORES, de FAMÍLIA. 
As coisas só fazem sentido porque existem pessoas. 

domingo, 6 de novembro de 2016

SETE PECADOS PARENTAIS



Os filhos são o ponto fraco de qualquer homem ou mulher. Amam-nos tantos que facilmente se deixam manipular. Falham, porque o amor tolda a objetividade com frequência. 
Há alguns pecados frequentes na relação com os filhos… resolvi elencar 7, ou não tivesse este blogue o nome de “sete pecados (i)mortais”.

Comecemos pelo clássico “Não impor limites”, que é com quem diz não impor regras. A sociedade está cheia delas e criar uma exceção em casa é começar a perder o respeito e a consideração dos filhos.

Não é um clássico, mas tornou-se um hábito dos tempos modernos – Discutir à frente dos filhos. A criança/adolescente fica exposta a um sofrimento injusto e incompreensível. Não é apenas o idílico mundo dos pais perfeitos que se desfaz, mas a horrível sensação de ser objeto de arremesso e ter de tomar partido.
A inconstância na educação e nos castigos deixa os filhos baralhados. Não sabem com aquilo que contam. Uns dias, o pai está bem-disposto e deixa passar uma falha grave; noutros dias a mãe está com a neura e cria um caso por uma ninharia. As crianças e os jovens têm a noção clara da dimensão dos seus erros e por isso não entendem uma educação incoerente.

Outro erro dos nossos dias é deixar que a televisão seja o educador oficial. As séries, as telenovelas, os filmes apresentam o problema e a resolução. Os pais demitem-se da discussão dos temas levantados ou então empurram às crianças para este fastfood educativo, gerido a gosto pelo telecomando. A televisão não foi pensada para educar nem crianças nem jovens nem adultos. Diversão e educação até podem rimar, mas combinam mal.
A entrega à televisão do papel de educador faz lembrar doutro grande “pecado” educacional: subornar as crianças para que tenha determinado comportamento. Eles rapidamente a fraqueza dos pais e tornam-se manipuladores implacáveis. Além do mais, passamos-lhes um valor altamente censurável. Os filhos precisam de ter consciência que há determinados comportamentos e atitudes que não têm prémio; fazem parte de um comportamento social, cívico e familiar normal.

Deixei para o fim, três erros menos óbvios, mas que são a cara de uma geração para quem procura nos filhos o contrabalanço de uma vida pessoal falhada.
Sonhar pelos filhos, que é como quem diz: querer determinar o seu futuro profissional, pessoal, social. Querer o melhor para os filhos (quase sempre isso quer dizer um emprego muito bem remunerado e considerado) não é querer determinar o seu futuro, mas sim deixá-lo decidir em liberdade. É triste, mas muitas vezes têm de ser os avós a lembrar que os filhos são nossos, mas não são nossa propriedade.
Trabalhar demasiado para dar tudo aos filhos é um erro do passado que teimamos em repetir. Péssimo. Nenhum líder, nenhuma pessoa bem-sucedida chegou ao topo sem o ter conquistado. Trabalhar até ao limite para deixar o máximo aos filhos é só deixar peixes no cesto, mas nunca ensiná-lo a pescar. Por mais peixes que existam, um dia eles vão acabar e o filho(a) não saberá pesar um único peixe e passará fome. Um fome horrível e sem fim à vista.
Gabriel Vilas Boas