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terça-feira, 5 de abril de 2016

O PODER TENDE A CORROMPER E OS PODERES ABSOLUTOS CORROMPEM ABSOLUTAMENTE

A frase pertence ao historiador e aristocrata Lorde Acton (1834-1902) e foi escrita há precisamente 129 anos, numa carta dirigida a Mandell Creighton (futuro bispo anglicano de Londres) criticando pela brandura com analisou a ação dos papas medievais, do papa renascentista Sexto IV e a inquisição espanhol.
Na missiva dirigida a Creighton, Acton acrescentou ainda que “os grandes homens são quase sempre maus homens, mesmo quando exercem influência e não autoridade, ainda mais quando aliam a tendência ou a certeza da corrupção à autoridade.

Estas palavras não foram escritas há dias, mas há mais de um século, no entanto elas são mais atuais do que nunca, porque as notícias que nos entram a qualquer hora pelas televisões, rádios, jornais, smartphones estão inundadas de casos de corrupção de gente muito importante, em todo o mundo, e a vários níveis.

 Acton centra a sua reflexão sobre a corrupção no poder e não no indivíduo. Ele defende que o poder favorece a corrupção e que esta será tanto maior quanto mais absoluto for esse poder.
Ora, nós não vivemos num tempo de poder absoluto, mas a corrupção parece generalizada e de certa maneira mais absoluta do que nunca. Como isto é possível? É possível porque apesar de vivermos em regimes democráticos, estes estão sequestrados pelo poder económico que usa o poder político como marioneta dos seus interesses. É fácil influenciar, dominar e corromper meia dúzia de homens que, efetivamente, podem deter o poder.
Quem corrompe conta que só um pequeno grupo a poder ascender ao poder e trata de o cativar e depois capturar.

 No entanto, estes homens e mulheres precisam de ser eleitos por uma massa enorme de gente que não é corrupta nem dela beneficia. Como fazer para assegurar que apenas votarão naquele grupo de gente preparada para manter o sistema tal como ele está: corrupto e iníquo? Controlando a imprensa e os fazedores de opinião pública, passando a ideia que será inútil e demagógico mudar para algo radicalmente oposto da prática vigente, anunciando uma desgraça económica se tal se verificasse, propalando aos quatro ventos que aqueles que desejam a mudança radical são uns anarquistas e irresponsáveis. Por outras palavras, passando uma mensagem de medo e incerteza quanto ao futuro.
E nós caímos como patinhos! Somos nós, eleições após eleições, que mantemos os mesmos de sempre, mesmo depois de sabermos que fizeram e fazem coisas ignóbeis, das quais já não se dão ao trabalho de se desculpar tal a confiança que têm na nossa estultícia.
A corrupção começa no poder exagerado que damos consecutivamente aos mesmos. 
Na base de qualquer pirâmide faraónica está sempre o pobre escravo que perpetua a sua condição de escravo.

Gabriel Vilas Boas  

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