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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MADALENA, uma outra abordagem de Frei Luís de Sousa

Recentemente fui ver a peça MADALENA, encenada por Jorge Pinto e protagonizada por uma das minhas atrizes preferidas, Emília Silvestre.
A peça construída com base na famosa tragédia de Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, afirma-se pela abordagem inovadora que faz ao original de Garrett.  Nesse sentido MADALENA interpela o texto original e presta-lhe homenagem.
O encenador Jorge Pinto criou uma peça onde domina uma atmosfera gore, feita através da música rock e noise a cargo de Ricardo Pinto. Esta atmosfera pretende aproximar um público jovem para quem a peça é dirigida, ou seja, os alunos que estudam o Frei Luís de Sousa no ensino Secundário.
A música, chamada à cena pelo criado Telmo, sugere todo o medo, ansiedade, pânico por que passa a personagem Madalena, a mulher de D. João de Portugal que supostamente morrera em Alcácer Quibir com o rei D. Sebastião.
Madalena sente a culpa não apenas de ter casado com Manuel Sousa e dele ter tido uma filha (partindo do pressuposto que o marido havia morrido), mas sobretudo a culpa de ter amado Manuel de Sousa na primeira vez que o viu, ou seja, ainda com o marido vivo. Madalena vive o tormento e obsessão da culpa e da expiação.
É esta atormentada alma que Emília Silvestre protagoniza com o brilhantismo que lhe é característico. Através da sua atuação e da criação musical de Ricardo Pinto, o jovem público de MADALENA é levado a refletir no difícil jogo entre Culpa e Responsabilidade que convém à consciência de cada um resolver.
Uma nota final para a escolha do cenário. A peça decorre no imponente claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória. Uma escolha muito apropriada do encenador pois é o local perfeito para abordar o destino trágico duma cultura (a portuguesa) obcecada com a culpa e o passado.
Talvez por isso Frei Luís de Sousa de Garrett continue tão atual, como o comprova MADALENA.


Gabriel Vilas Boas

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