Etiquetas

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

OS BRASILEIROS QUEREM O REGRESSO DA PENA DE MORTE?



Há mais de 150 anos que nenhum homem-livre é condenado à pena de morte em solo brasileiro, embora ainda há pouco mais de dois anos dois brasileiros tenham sido executados, na Indonésia, e a abolição  da pena capital em território brasileiro só tenha acontecido em 1889.
Tudo isto faria parte da História se entre a sociedade brasileira não crescesse o desejo de restauração da pena de morte. Atualmente 57% dos brasileiros é favorável à pena de morte. 

Este sentimento tão forte e inquietante tem, certamente, justificação no desencanto que os brasileiros sentem em relação ao seu sistema político e judicial.

O desejo da restauração da pena capital é lamentável, mas não me parece um regresso à idade das trevas, mas antes a confissão do desalento e impotência dos brasileiros para travar a onda de crimes que fazem do Brasil um dos países mais inseguros da América Latina.
Há uns anos, o ex-ministro Paulo Portas dizia que ou a Europa tomava medidas sérias e enérgicas contra o crime organizado e o terrorismo ou em poucos tempos estaríamos a discutir o regresso à pena de morte. Pelos vistos, isso já está na ordem do dia no Brasil.
O que acontece no Brasil é um sinal de alerta amarelo para a Europa, pois os brasileiros têm liberdade de expressão, vivem em democracia e são pessoas esclarecidas. O problema é que já não acreditam na eficácia do seu sistema judiciário, como elemento regenerador da sociedade.
Por outro lado a violência de certos crimes, a perfídia com que são preparados e o não arrependimento dos criminosos atiram as sociedades para soluções radicais, perigosas e desumanas.
A eficácia da justiça pode ser aferida de vários modos: justiça das decisões, proporcionalidade das penas face aos crimes, rapidez das decisões, imunidade das decisões dos tribunais face ao poder político e económico e capacidade de dissuadir comportamentos agressivos e violentos.

O papel da Justiça em cada sociedade vai muito para além das decisões quotidianas dos tribunais. Cada juiz, cada procurador, cada advogado, cada polícia deve perceber que as suas ações, decisões e omissões constroem um caldo cultural e mental que nos fazem sentir mais seguros ou asfixiados pelo medo, insegurança e desencanto.
GAVB

Sem comentários:

Enviar um comentário