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terça-feira, 31 de outubro de 2017

PROFESSORES: NÃO SÃO OS MILHÕES QUE CUSTAM A MAIS, MAS OS MILHÕES QUE FICARAM E FICARÃO POR PAGAR


Há dois dias, o governo, via Correio da Manhã, veio tentar explicar aos professores por que razão lhes rouba 10 anos de progressão nas carreiras e não lhes paga aquilo que lhes deve, apesar de ter condições para saldar algumas dívidas.

É verdade que é quase um milagre um governo do PS inserir publicidade não paga na capa do Correio da Manhã, mas o alvo sendo os professores, até o Correio da Manhã faz uma pausa no constante metralhar das políticas governativas.
Mais do que se justificar, o governo pretendia com aquele título bombástico no CM virar, mais uma vez, a opinião pública contra os professores. 
Reparemos que não se refere quanto o Estado está em débito com os médicos, com os enfermeiros, com os funcionários das finanças ou até da Caixa Geral de Depósitos. Interessava atingir os professores porque eles são muitos, têm força reivindicativa e porque foram a classe social mais atacada pelos sucessivos governos, nos últimos 10-15 anos. 

Por outro lado, não é de excluir que o governo tenha a tentação de acertar algumas contas com outras classes profissionais e excluir os professores, pois aqui a fatura é grande. E é grande porque todos os governos, na última década, acharam que  reformar a Função Pública era igual a despedir professores, impedir-lhe durante 10 anos a progressão e reduzir-lhes salários. 
Ao contrário dos médicos e enfermeiros, os professores não tinham alternativa no privado; ao contrário dos funcionários das finanças, os professores não tinham prémios de produtividade e suspensão do congelamento das carreiras.
Agora há dinheiros, mas para os professores não. Os professores são uma espécie de banco público onde os sucessivos governos fizeram todo o tipo de desfalque e chegada a hora de acertar contas, o governo em funções diz que não paga, porque o calote é grande.
Não pagam nem vão pagar, mas não é porque não há (houve) dinheiro. 

Ainda há dias, o governo acabou de estoirar mais de 400 milhões, por causa da sua incúria, má administração, incompetência. Dois dias de Julho e outros dois em Outubro, resultaram em mais de cem mortos, milhares e milhares de hectares de floresta ardida, milhares de animais mortos, empregos destruídos. O governo vai pagar mais de 400 milhões para repor o que tinha no início do verão. É uma despesa extra, é uma despesa necessária agora, mas que era perfeitamente evitável. Só esse dinheiro dava para pagar quase toda a conta em atraso aos professores.
Depois dos quatro mil milhões de desfalque na CGD, depois dos milhões gastos com a proteção civil que exibiu a pior proteção dos últimos cem anos, depois de…
Todos os anos, os professores produzem bons médicos, excelentes advogados, razoáveis economistas, mas não conseguem produzir meia dúzia de políticos decentes há décadas. 

GAVB

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