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domingo, 22 de julho de 2018

NÃO SERÁ A DERROTA DA GREVE NEM DOS PROFESSORES, MAS DA LEGALIDADE, DA AVALIAÇÃO DOS ALUNOS, DA ESCOLA



É provável que, nos próximos dias, os oitenta mil alunos que ainda não sabem as suas notas as venham a conhecer. Também é muito provável que elas não correspondam à justa avaliação do seu trabalho. 

Quem já participou num conselho de turma, sabe perfeitamente que é raro não haver alteração de notas e que tal é decisivo para a transição, para a média final do aluno, para a candidatura ao quadro de mérito. 
Isso tudo ficará em causa. O ministério da educação diz que os alunos têm direito à avaliação. É um facto, todavia, devia acrescentar que as suas ilegais notas informativas, as suas chantagens inadmissíveis ditarão uma avaliação injusta e pior do que aquela que o aluno poderia obter. 
Não haverá honestidade intelectual para admitir isso.

Além da derrota dos fundamentos de um sistema de avaliação em que 93% dos alunos foram avaliados, durante este ano letivo, esta semana assistiremos também à derrota da escola pública enquanto baluarte da democracia e do estado de direito. Três ou quatro professores decidirão por dez; as leis do país serão desrespeitadas, porque temos um governo autista e diretores com medo que o próximo ano comece “torto”. 
Não será desta maneira que começará melhor. Têm medo de não ter tudo pronto a horas? Terão algo muito pior: professores totalmente desiludidos com os seus diretores, zangados uns com os outros, descrentes na escola enquanto lugar de liberdade, democracia e justiça.

Estarão reunidas as piores condições para fazer uma próxima “temporada” de grande qualidade, porque os docentes se sentirão traídos e desesperançados. 
Que tipo de rendimento se pode esperar de gente com este estado de alma, daqui a dois meses? Não é verdade que para ensinar qualquer um serve. Não é verdade que um professor desmotivado, desiludido, desencantado ensine da mesma maneira que um professor comprometido com a Escola.

Não nos venham com discursos bonitos, com apelos à nossa responsabilidade, à nossa paixão pelo ensino, quando o destruíram, com requintes de malvadez, a nossa confiança em que nos devia defender, quando nos desrespeitaram com prazer. 
Não nos peçam que “vistamos a camisola” da Escola com alma, quando agora querem um papel. Se querem um papel, é um papel que terão, mas não só agora.

Durante a próxima semana não derrotarão a greve nem a luta dos professores. Um terço é sempre menos de metade, um terço é a vitória dos batoteiros. Um terço é uma derrota das grandes. 
Ficaram com um papel, uma ata ilegal, uma pauta com notas suspeitas. Façam bom proveito. Conseguirão fazer História.
GAVB

2 comentários:

  1. Parabéns ao autor deste texto! Quem é ou foi professor percebe o que ele diz e sente !

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  2. Muito bem dito! Esse é, certamente, o sentimento da maioria... dos outros 2/3.

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