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quinta-feira, 29 de junho de 2017

O PORTO TAMBÉM VAI TER A SUA TAXINHA


Em 2014, Pires de Lima do CDS/PP ridicularizou António Costa e a Câmara de Lisboa acusando-a de criar taxas e taxinhas, sobre o turismo de Lisboa, que acabariam por matar a galinha dos ovos de ouro do turismo, de que a capital começava a tirar bons dividendos. António Costa seguiu em frente, apesar de algum embaraço.

Lisboa cobra um euro por noite, a cada turista que a visita. Um euro é uma taxinha, mas Lisboa não é Londres, Roma, Veneza, Paris, Florença, Rio de Janeiro ou Barcelona. Felizmente, a capital saiu-se bem e hoje já consegue arrecadar quase um milhão de euros por mês com a sua taxinha turística.

O Porto de Rui Moreira segue-lhe as pisadas, mas pensa numa taxa de dois euros. Acho exagerado. O Porto não é capital do país e tem uma oferta inferior, embora seja, hoje, uma cidade mais sedutor e requisitada que Lisboa.


Uma taxa turística costuma ter uma de duas funções: ou seleciona os turistas, controlando o número daqueles que podem aceder à cidade ou fá-los pagar um pouco mais por estarem numa cidade muito visitada. Ora o Porto (como Lisboa) está numa fase de expansão turística e por isso não se pode dar ao luxo de parecer demasiado guloso e oportunista. O Porto vale pela sua atmosfera peculiar e única e não pelos extraordinários museus ou obras arquitetónicas. O Porto ainda é uma cidade acessível aos turistas europeus, ainda com uma interessante capacidade de absorção de visitantes e também por isso deve saber gerir a sua imagem junto deles.

Por outro lado, Rui Moreira diz que o dinheiro arrecadado será para investir na construção de habitação mais barata para a classe média/jovem, que quer morar no Porto, mas não tem meios financeiros para o fazer. A ideia é bonita, mas lírica e eleitoralista. Se o Porto quer aumentar o número de turistas, isso fará necessariamente aumentar o preço das habitações na cidade. Além disso, os jovens casais portuenses continuarão a ganhar os salários que se praticam em Portugal e por isso terão cada vez menos possibilidade de comprar habitação própria na cidade. Como tenho Rui Moreira como uma pessoa inteligente, o melhor é mesmo não se pôr com propostas demagógicas à custa das taxinhas do turismo que o Porto também vai ter.

GAVB

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