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sexta-feira, 24 de março de 2017

VIVER SOZINHO


Em Portugal, o número de pessoas que vivem sozinhas já ultrapassa as 425 mil, quando há dez anos pouco passava as 280 mil. Apesar de já 21% da população portuguesa viver só, o nosso país ainda está longe da média da UE, onde praticamente uma em cada três pessoas vive sozinha.

Viver sozinho(a) passou de uma inevitabilidade da velhice a uma opção de vida de gente de todas as idades, sobretudo mulheres. 
Chega, finalmente, a Portugal um fenómeno, a que a Europa rica e cosmopolita já se tinha habituado no final do século passado. 
Nos países do norte da Europa (Dinamarca, Finlândia e Suécia) a média situa-se nos 50%, na Alemanha já está no 40% e a França e Itália ultrapassam os 33%, cada uma.

É certo que a Europa está velha e a morte de um dos cônjuges dita, regra geral, a solidão para o outro (quase sempre a outra), mas é ineludível não atendermos ao fenómeno social mais visível dos nossos tempos: viver sozinho, como opção de vida.
Muitos adultos preferem a liberdade e a independência de uma vida solitária às exigências de uma vida a dois.  Por muito importante e atrativa que a vida a dois possa ser, ela começa a ser encarada apenas como “mais uma” dimensão a ter em conta na vida de cada pessoa.
Estar com os amigos quando e como lhe apetecer, fazer escolhas profissionais sem constrangimentos familiares, viver segundo o estilo de vida que mais lhe convém, entre outros motivos, são razões poderosas que levam muitos adultos com 30, 40 ou 50 anos a optarem por viver sozinhos.   
Muitas vezes, tenho a sensação que não se trata somente de uma visão egoísta, oportunista e materialista da vida, mas também a busca de um certa tranquilidade afetiva ou de uma medida preventiva contra o desencanto vivido em experiências passadas ou anunciado nas histórias fracassadas dos amigos.

GAVB   

sábado, 3 de dezembro de 2016

COMO DIZEMOS MAL DA ROTINA QUE CRIÁMOS!


As rotinas de cada um de nós não nascem por acaso: cada um escolheu a sua, no momento em que fez determinadas opções de vida.
No início tudo era fantástico: levar os filhos à escola, os desafios do emprego novo, o almoço com a colega de trabalho, o ginásio, a ida ao cinema a meio da semana, o jantar de família ao domingo, a natação da filha três vezes por semana, o futebol do rapaz ao fim de semana. Até a arrumação da casa libertava o stresse.
O pior veio depois: cada uma destas atividades instalou-se, tomando conta do nosso  tempo, fazendo exigências e afinal não gostávamos delas assim tanto. Gostávamos da imagem que projetavam de nós, gostávamos delas como um hobby, que aparece de tempos a tempos e depois “desampara-nos a loja”. Ou então até gostamos de todas elas, porque vêm embrulhadas nas pessoas que amamos, só que nos sentimos exaustos, pois não há uma pausa, um obrigado, um “hoje não precisas de me ir buscar; eu cá me arranjo”. Sentimos que nos “utilizam” e que a nossa vida já não é nossa.

Lembrar dos outros não é esquecer de nós! Dizer “não”, uma vez por outra, faz-nos bem e não é sinal de menos amor nem desinteresse; é dizer ao filho, ao marido, à amiga, ao emprego, ao ginásio – “Hoje vou fazer algo que me apetece!”. Veremos então que o mundo dos outros não desabou, que eles lá se arranjaram sem nós, que a nossa importância era menos importante do que julgávamos. 
No dia seguinte, tudo voltará à rotina que certo dia criámos para nós, mas a pausa que nela fizemos esvaziou grande parte da angústia e frustração acumuladas, que trazíamos no peito.
A vida precisa tanto da regra como da exceção. Não foram os outros que criaram a regra, também não serão elas a oferecer-nos a exceção.

Gavb

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O TANTO FAZ


“Na vida tudo é relativo!” – Ouvi esta frase repetidamente dezenas de vezes quando era adolescente e um padre espanhol tentava demonstrar que apenas Deus era absoluto. Não me lembro já das suas teorias, mas a frase continua a gelar-me.
Nunca consegui aceitar a teoria da relatividade aplicada às pessoas. 
É certo que há muitas pessoas que entram nas nossas vidas e rapidamente saem, mas, enquanto estão, são para sempre! Interessa-me pouco a estatística, o poder da rotina, a cultura do descartável.
Talvez por isso me cause muita confusão quando descubro o “tanto faz” entre supostas amizades.
O “tanto faz” é o parente mais chegado do “Na vida, tudo é relativo!” O "tanto faz" é o descaso completo, é o não querer saber, é o estar apenas quando é oportuno e conveniente, é ter uma perspetiva materialista e oportunista dos relacionamentos.

O "tanto faz" parte de um espírito fraco e pobre, mas é capaz de fazer estragos consideráveis naqueles que nos viam como friends forever
O “tanto faz” magoa, entristece, faz-nos desacreditar da bondade das pessoas e da beleza da vida.  
Não é a distância que separa as pessoas; é o "tanto faz"! 
E não é preciso grandes cometimentos para mostrarmos que o “tanto faz” não faz nada connosco. Uma simples sms na altura certa; ficar junto de alguém quando a nossa presença é imprescindível; saber relativizar um descontrolo emocional ocasional; pegar no telefone e esquecer o relógio quando o outro tem necessidade de chorar, desabafar, arrostar contra o mundo.

O "Tanto faz" é o triunfo do desencanto; é uma rua escura e sem saída, onde facilmente perdemos a confiança nos outros e em nós.

Na amizade como no amor há sempre tanto para fazer, mas não há lugar para o “tanto faz”.

Gabriel Vilas Boas

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

ORGULHO NOS FILHOS

O orgulho dos pais nos filhos é um sentimento/afeto fortíssimo, belíssimo e altamente inflamável. Através dele, cada pai e cada mãe provam/revelam o tamanho do seu generoso amor.

Os problemas começam quando os pais confundem aquilo que deve ser objeto de orgulho e aquilo que apenas deve ser objeto de contentamento/alegria.

Orgulho no crescimento pessoal dos filhos; orgulho pela consistência dos seus valores; orgulho pela coerência das suas atitudes. No entanto, não faz grande sentido dizer a um filho “Sinto-me muito orgulhoso pelo resultado que tiraste no exame de Matemática” ou “Foste o melhor da turma neste trimestre! Que orgulho!”. E se não tivesse tirado uma grande nota ou simplesmente fosse um aluno mediano? Já não havia razão para o pai/mãe sentir orgulho nele? E quando há irmãos, como se sentirá aquele que obtém piores resultados escolares, quando vê os pais proclamarem orgulho nos resultados do irmão? Pois…

Outro problema da má interpretação que recorrentemente os pais fazem deste sentimento é exibirem ostensivamente o orgulho que têm nos filhos, como se o estivessem a esfregar na cara dum rival qualquer. Um sentimento tão bonito, conectado com amor e generosidade, não pode/não deve ser usado como forma de amesquinhar quem quer que seja.

Outra questão importante a reter é que o orgulho nos filhos não impede a crítica nem a crítica anula o orgulho que sentimos por eles. Podemos e devemos ter orgulho nos nossos filhos, mas é bom que eles percebam que isso não os isenta de uma justa crítica. Eles percebem isso claramente, quando sentem que os pais continuam a ter imenso orgulho neles, apesar de lhes terem passado um valente raspanete.

O orgulho que temos num filho ou numa filha não pode/deve depender dum qualquer resultado escolar, desportivo, económico nem deve ser medido comparativamente.
É bom ter orgulho nos nossos filhos, mas é ainda melhor fazê-lo sem deixar de ter orgulho nos pais que somos para que, no futuro, os nossos filhos tenham orgulho em nós.

Gabriel Vilas Boas

sábado, 5 de novembro de 2016

LAMENTAR-SE E CRITICAR – DOIS LUXOS DESNECESSÁRIOS


Como todos sabemos, os luxos são caros (por vezes demasiado caros) e quase sempre desnecessários; mesmo assim, alguns são uma tentação.
Vivemos numa sociedade de comunicação muito centrada no Eu. 
Talvez por isso abusemos de dois comportamentos cada vez mais insuportáveis para o Outro: o lamento e a crítica. 
Fazer de Calimero produz cada vez menos efeito, ou melhor, produz um efeito contrário: afasta até aqueles que pensávamos ser a solução dos nossos problemas. 
Fazer o papel de crítico permanente torna-nos insuportáveis, até aos olhos dos mais condescendentes.
Devemos abstermo-nos de lamentos e críticas? Sempre que possível, sim, ou pelo menos tratar as questões mais problemáticas, em nós e nos outros, com uma abordagem mais positiva.

Já repararam como catalogamos um profissional do lamento? Pessoa negativa! 
É isso que queremos ser? Um permanente queixinhas da vida, olhado como um fraco? Lamentar-se tornou-se uma quase inutilidade. 
Resta-nos aplicar o vírus da crítica à doença das queixas.
O contrário também é verdade, podemos começar por lamentar sinceramente esta tendência tão egocêntrica de criticar tudo o que mexe. Primeiro, porque está provado que não é com vinagre que se apanham moscas (É com mel!);depois, porque os Outros, na sua visão muito pessoal dos factos, estão indisponíveis para aceitar críticas; e, finalmente, porque andam a faltar alguns justos elogios para emparceirar com as críticas.

Então, como assinalar o que está mal nos outros, sem ser através da crítica? Uma medida muito eficaz: como gostaríamos que fizessem connosco! E claro, se o objetivo é “destruir” a autoestima do Outro, o melhor é mesmo estar calado e quieto.
Não esqueço que vivemos numa mundo egocêntrico, por isso, devemos fazer isto por nós, pelo nossa saúde mental e física, e não pelos outros. Talvez assim a “coisa” se torne mais fácil…
P.S. Claro que isto foi uma crítica e um lamento. Também gosto de luxos.

Gabriel Vilas Boas

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

CONHECER PESSOAS É BOM. E SABERES DE TI, TAMBÉM É?


Viajar é ótimo! Conhecer pessoas é magnífico, mas até que ponto isso não constitui uma fuga ao espelho?
Enriquecermo-nos através do exterior é uma ideia bastante sedutora. Há sítios fantásticos e fascinantes, que nos alargam horizontes e nos enchem a alma. Recortes da natureza de beleza ímpar, criações humanas admiráveis. Pelo meio, vamos conhecendo pessoas que nos mostram ângulos insuspeitos da vida, mas passamos por elas armados em máquina fotográfica que tudo quer registar, numa ânsia gulosa de açambarcamento, sem saber muito bem como ordenar tanta informação e emoção.

No mês seguinte voaremos para outra paragem, para novo banho de cultura, gastronomia, maneira diferente de encarar a vida. E tudo será bom novamente e de maneira diferente. Pararemos quando o corpo ou a carteira nos enviar uma sms sos.
E como essa paragem é terrível para alguns! Não me parece que seja apenas o vício de viajar… Em muitos sinto o desespero do vazio sobre o qual não têm de pensar enquanto viajam. Muitos deles dizem-me que lhes falta algo, que as múltiplas viagens não conseguem preencher.  
Viajar é bom, mas o ser humano não precisa assim tanto de viajar a não ser que esteja a … fugir. É um contrassenso fugir, quando procuramos encontrar algo. 


Na maioria parte das vezes procurarmos encontrarmo-nos. Na maior parte das vezes, cometemos o erro de pensar que esse encontro connosco se fará quando conhecermos alguém especial. 
Raramente é assim! 
Não podemos pensar a nossa transformação a partir do outro, como coubesse ao outro fazer as mudanças que só nós podemos executar. O outro é essencial e deve chegar à nossa vida, mas não como um Dom Sebastião qualquer, que nos redime de um trabalho doloroso que não quisemos fazer.
Talvez não fosse má ideia dedicarmos algum do nosso precioso tempo a viajar no ignoto território da nossa personalidade. Conhecermo-nos, na total extensão da nossa beleza e fealdade; arranjar o porto, onde outros possam amarrar o seu barco; amar aquilo que somos; efetuarmos as mudanças que nos deixem mais satisfeitos.
Saber tudo dos outros e pouco de nós é um desleixo imperdoável.

Gabriel Vilas Boas

sábado, 22 de outubro de 2016

O QUE TENS, O QUE QUERES E… NÃO PODES COMPRAR


Não penses nos filhos nem nos pais, muito menos nos amigos ou no grande amor da tua vida. Isso não vale. Não são teus, muito menos tua propriedade. Pensa nas pequenas e grandes coisas que compõem o teu dia-a-dia e te deixam alegre, satisfeito, confortável. Sê objetivo, sério, rigoroso.
Agora verifica lá quantas delas não dependem do tamanho da tua carteira. A questão é que não lhes dás valor; algumas nem nelas pensas, mas se as perdesses, por um dia que fosses, percebias quanto são importantes para ti.
Não se trata da velha cantiga sobre o dinheiro que não compra a felicidade, mas de um perceção correta daquilo que nos faz sorrir todos os dias. Sem preconceitos, sem vergonhas, sem autocensura, admitindo mesmo que algumas delas apenas o dinheiro nos pode oferecer e que outras são profundamente egoístas. Mesmo tendo em considerações todos estes «ses», acho que a maioria de nós ficaria surpreendido com o resultado desse check-up pessoal.


Há um núcleo de coisas de que gostámos inexplicavelmente desde sempre. Depois há outro grupo que vai mudando ao longo do tempo. Lenta e inexoravelmente. Às vezes nem nos damos conta, mas as circunstâncias, os amigos, os colegas de trabalho, os familiares que arranjamos e aqueles que nos arranjaram «transformam-nos» e moldam-nos. Alguns reservam ainda um pequeno espaço para as suas opções, os seus projetos, seus sonhos, os seus objetivos de vida.
Se olharmos objetivamente para qualquer um destes grupos, encontraremos momentos, situações, sensações, sentimentos que temos ou queremos ter e que dependem zero do dinheiro. Então, não é verdade que o euromilhões, a raspadinha ou o placard nos devolva a alegria de viver ou garanta a felicidade por vários anos.
Aquilo que temos ou queremos ter e a que damos valor depende, quase sempre, de um esforço pessoal e consistente. 
Os melhores testemunhos de satisfação pessoal vêm de pessoas que mudaram a maneira como perspectivavam a vida; vêm de pessoas que construíram o seu próprio plano de vida, definindo objetivos curtos, realistas, apropriados à sua personalidade e realidade. 
O fator dinheiro, o fator sorte, o fator «não é para mim» passou a ter uma importância relativa. E realmente as suas vidas mudaram… muito.
É verdade que a vida não nos presenteia com muitas oportunidades para mudarmos, mas não é verdade que não haja nenhuma, nem é certo que a última que desperdiçámos foi mesmo a última.

Gabriel Vilas Boas 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

OS AMIGOS DEIXARAM DE JANTAR LÁ EM CASA


Não deixámos de conviver com os amigos, deixámos de os convidar para jantar lá em casa.
Os jantares sem hora para acabar, onde histórias antigas se cruzavam com as novidades que cada um se dispunha a contar da sua própria vida, passaram a realizar-se (quando acontecem) no restaurante da moda ou da memória.
Agora os momentos de intimidade entre amigos de longa data acontecem ao telefone ou no chat do facebook. A casa passou a ser demasiado íntima, até para os nossos principais amigos. Não, não é o trabalho que dá preparar um jantar, nem a chatice da loiça no final para lavar ou a sala que ficou pequena desde a última vez, em que os convidámos.

Preferimos este terreno neutro do restaurante, porque há um mínimo de compostura que se mantém num sítio público e porque há assuntos que convencionamos não abordar num sítio indicado para celebrar. Preferimos o telefone ou a internet, porque tememos que nos escrutinem o olhar e descodifiquem os sinais que a face transmite.
A amizade tem memória de elefante e curiosidade de mulher. Conhece o significado do quadro pendurado na parede; repara nas cadeiras que já faltam à volta da mesa de jantar e quer saber por que raio deixámos de fazer sobremesa, ao sábado à noite.
Consciente ou inconscientemente, fomos mudando os hábitos à amizade. Tornámo-la mais sofisticada, aparentemente mais íntima, na verdade, gerida com telecomando.
Mais ou menos equipada, mais ou menos arrumada, a casa passou a ser o local da nossa intimidade não revelável. O sítio onde as emoções, os segredos, os sonhos e as preocupações passeiam à solta sem que ninguém os incomode, sem que ninguém os questione.
E isso não nos atira às garras da solidão? Claro que sim! Quando não atendem o telefone ou o cardápio do chat não é suficientemente atrativo para as necessidades do momento, refugiámo-nos numa ficção qualquer, frente ao ecrã, mas não nos passa sequer pela cabeça convidar um amigo para a próxima noite de folga.

Gabriel Vilas Boas 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OS ALUNOS SÓ SE PORTAM MAL COM OS PROFESSORES MAIS VELHOS?


Claro que não. Os alunos não fazem esse tipo de distinção perversa: eles portam-se mal ou bem com todo o tipo de professores: os mais velhos, os mais novos, as mulheres, os homens, os efetivos, os contratados, o que estão na escola há décadas, o que chegaram na semana passada…

A única verdade do estudo sobre indisciplina, de que alguns órgãos de comunicação social fizeram eco, é que os professores mais velhos se queixam mais da indisciplina dos seus alunos do que os professores mais novos. E não é fácil perceber as razões. 

No meu ponto de vista, a primeira e mais importante razão é que a maioria dos professores mais antigos tem uma noção mais rígida de indisciplina que os professores mais novos. Há determinados comportamentos, atitudes, palavras que um professor com trinta anos de casa não tolera a um adolescente, apesar de este não o ter feito com intenção ou não ter consciência da gravidade ou má criação que esse gesto, palavra, atitude constituiu para o seu professor.

Há também que considerar o cansaço, o desânimo que invade os professores seniores. São muitos anos de expectativas frustradas, muitas situações de indisciplina vividas, muitas angústia e tristeza acumuladas com injustiças cometidas sobre eles, com agressões verbais e faltas de consideração por parte de alunos, pais, colegas, órgãos diretivos, ao longo de vários anos. Ao fim de décadas de ensino isso produz o seu efeito no modo com toleram ou não os comportamentos irreverentes dos alunos.


Convém ainda recordar que quanto maior é o afastamento etário entre professor e aluno maior é a diferença de mundividência e maior a incompreensão face ao outro. O professor mais velho tem mais dificuldade em entender as atitudes dos alunos como irreverência própria da idade, achando-as à partida indisciplina grosseira, como os jovens não fazem qualquer esforço em perceber que aquele professor mais antigo foi educado com outro código de conduta na escola e portanto a sua noção de disciplina é mais rígida. Quando ninguém se esforça por entender o outro, o choque é mais rápido e violento.

No entanto, tudo isto que acabo de referir não deve tirar o foco do essencial: a indisciplina na escola é um fenómeno transversal a todo o tipo de professor. A generalidade das atitudes de indisciplina são-no assim entendidas por todos os professores. Claro que as escolas, os professores, os pais devem engendrar estratégias que façam diminuir a violência nas escolas portuguesas, mas convém não ignorar o principal: o maior erro é de quem é violento e malcriado. Se esse não mudar radicalmente de atitude não há estratégia que se salve nem professor que esteja a salvo.

GAVB  

sábado, 15 de outubro de 2016

CHEGOU COM AS MÃOS VAZIAS, PARTIU COM O MEU CORAÇÃO NAS MÃOS



“Quando veio
mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
que lhe levasse o medo
Eu disse-lhe um segredo:
Não partas nunca mais!”

Investir em algo ou alguém com potencial é altamente atrativo, mas também racional, fácil, cómodo, lucrativo. O retorno é expectável, sedutor e surgirá rapidamente. Bem mais difícil é investir tudo aquilo que somos num projeto cheio de «ses» ou dedicarmo-nos de corpo e alma a alguém que parece um labirinto de problemas. É preciso competência, vontade e, sobretudo, amor.
Claro que há pessoas mais interessantes do que outras como há projetos mais atrativos que outros, mas o grande segredo do negócio e da felicidade é ver para além do óbvio, ou seja, o lucro imediato.

Muitas relações humanas falham porque apenas nos concentramos naquela máxima tão oportunista “o que é que eu ganho como isso?”, que nos faz perder a profundidade de grandes almas.
Como intuir um grande amor, uma grande amizade, uma ligação maravilhosa em alguém prostrado sobre a vida? A intuição é aquela ciência pessoal que funciona de maneira diferente em cada pessoa, mas há sempre um gesto, um olhar, uma conversa, uma atenção que nos interpela a consciência… e a que devemos dar valor.
A maior riqueza das nossas vidas estará sempre na amplitude das relações humanas que vivemos e portanto devemos aplicar aí o melhor de nós. O tempo, a paciência, a inteligência emocional, o amor/amizade, os recursos materiais.
Alguém que chega até nós com as mãos vazias e/ou o coração despedaçado é um desafio à nossa riqueza pessoal. Ou estamos à altura do desafio ou, então, somos bem mais pobres do que pensamos. Uma vida sem desafios é um tédio insuportável. E aqueles com quem nos relacionamos são um desafio permanente.

Gabriel Vilas Boas

domingo, 9 de outubro de 2016

SER CONFIANTE É BEM DIFERENTE DE TER EXCESSO DE CONFIANÇA



Quem tem excesso de confiança sabe pouco do que é ser confiante.
A confiança diz respeito à crença nos valores que nos regem, à determinação e à capacidade de superação. Remete para a essência de cada um. Já o excesso de confiança é próprio de quem vive num mundo de aparências, alimentado pelo ego. Por isso, este tipo de pessoas necessita constantemente de atenção do outro para viver. Não vive de convicções próprias, mas das convicções da moda.


Aquele que é confiante conhece-se muito bem; alicerça opiniões e convicções nos seus valores. Também é capaz de mudar de opinião, mas essa mudança é feita de modo fundamentado. Muda por sua causa e não por qualquer tático sentido de oportunidade.
Um ser confiante é aquele que está consciente das dificuldades dos obstáculos que se lhe deparam, todavia acredita que a sua força, coragem, determinação e código de valores são capazes de vencer o desafio. E a vitória basta-lha, não precisa de publicidade.
Um homem com excesso de confiança é um gabarolas para quem qualquer obstáculo é, à partida, insignificante face às suas irresistíveis qualidades. Apesar disso, fará de qualquer vitória banal um acontecimento fora do comum, pois tem necessidade de alimentar o seu ego.


Como aproveita da moral e da ética somente aquilo que lhe dá jeito, aquele que tem excesso de confiança não hesitará em humilhar, maltratar, para evidenciar o seu poder absoluto. Ao invés, a pessoa confiante conhece quão importante é o respeito nas relações humanas. Sabe dar liberdade e responsabilidade àqueles com quem trabalha e não tem ciúmes do seu sucesso, pois sabe que este se constrói com competência e não com rasteiras ao adversário.
Aquele que é confiante acredita em si e na sua capacidade de Ser e Fazer; o outro é apenas uma pessoa insegura, frágil e desconfiada. Um tem capacidade de amar e gerar amor; o outro, desgraçadamente, só concebe que o amem.
Gabriel Vilas Boas.  

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O QUE PENSAS E O QUE SENTES

Há quem diga que podemos escolher o que pensamos, mas não podemos escolher o que sentimos. Na verdade, acho que nem o que pensamos podemos escolher.
Se não anestesiarmos a mente e a consciência, os factos são o que são e não podemos fugir deles. Ignorá-los é uma forma de engano que dura pouco.
Também é um engano achar que dominamos as emoções, os sentimentos. São ainda mais poderosos que as razões. Colocar pedras de gelo sobre eles, reprimi-los, combatê-los, detestá-los não termina com eles. Na verdade, em muitos casos, apenas os alimenta e lhes dá força.
O que fazer? Aceitá-los, quer as razões quer aos sentimentos, por mais antagónicos que sejam.


E quando as duas realidades chocam brutalmente? Os opostos tanto chocam como se atraem, mas o melhor é quando se complementam. Quando correm um contra o outro, razão e sentimento estafam-se em duas linhas paralelas, sem nunca se encontrarem, apesar de ser esse o objetivo. Quando correm um pelo outro, razão e emoção facilmente se cruzam e tornam qualquer decisão mais confortável.
Todas as grandes decisões exigem instinto, mas não sobrevivem à irracionalidade. O instinto não se compra no supermercado, mas a razão pode ser trabalhada, alterada… basta que os factos em análise sejam diferentes.
O carro perfeito combina a velocidade e a paixão dos italianos com a perfeição e a segurança na travagem dos alemães. Não podemos ter os dois? Claro que podemos. O que pensas e o que sentes podem estar de costas voltadas, mas estão muito longe de ser incompatíveis.
Gabriel Vilas Boas


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

SE NÃO MUDAS A BEM, MUDAS A MAL


Num dos seus mais célebres sonetos, Camões dizia que “Todo o mundo é composto de Mudança”. Anunciava que não mudavam só os tempos, mas também as vontades e a confiança.
Obviamente que percebemos que mudem os tempos, mas custa-nos que mudem as vontades, a não ser que seja a nossa. Quanto à confiança, só muda quando se perde.
Por que resistimos à mudança? Por medo, claro. A atração da novidade não consegue vencer o temor do desconhecido. Mudar significa sair de uma zona de conforto para uma zona de insegurança absoluta e isso aterra. No entanto, há momentos em que temos de mudar. E o melhor é sermos nós a liderar o processo, porque podemos influenciar o destino dessa mudança enquanto se formos forçados a ela, serão as vontades dos outros a triunfar.
A mais importante das mudanças é a mudança interior. Quando sentimos a insatisfação a corroer-nos a vida nas mais pequenas coisas, é porque algo não está bem connosco. É o emprego que não nos satisfaz, são determinadas relações que se esgotaram, é a nossa rotina diária que nos aborrece.

Isto aconteceu porque, sem darmos por isso, nós fomos mudando e aquilo que nos satisfazia e completava, há alguns anos, deixou de nos fazer felizes.
É muito difícil assumir que somos infelizes. Com frequência usamos o eufemismo para caracterizar a situação ou adiamos pensar nela, até porque pensar sem daí tirar as devidas consequências só aumenta a insatisfação e a infelicidade.
Quando nos recusamos a iniciar o processo de autoanálise, com o objetivo de implementarmos a necessária mudança interior que nos devolva paz, alegria de viver, satisfação, estamos a deixar campo aberto para que os outros usem e abusem da nossa insatisfação, tornando-a caótica e, por vezes, degradante. Mudamos à força. Não para aquilo que queríamos, mas para mais infelicidade.
Claro que todas as mudanças comportam perdas, sejam elas materiais, emocionais, relacionais. Todavia, se ela for conduzida por nós (e não tem de ser à bruta), a insatisfação e a infelicidade deixarão de estar «in» nas nossas vidas. E isso é um bem a não desconsiderar.
Gabriel Vilas Boas 

sábado, 1 de outubro de 2016

DESISTIR É A PIOR DAS SOLUÇÕES

Quando desistes nunca chegas a saber o quão perto estavas de atingir o que querias!
Por vezes, a dificuldade de um objetivo, os sucessivos obstáculos que se nos deparam ou o medo de uma derrota levam-nos à desistência. É a pior das opções! 
Podemos não conseguir, podem ser mais fortes que nós, mas desistir raramente é a solução. Mesmo contra todas as expetativas, podemos triunfar. A derrota faz parte do «jogo» e precisamos tanto de a saborear como a vitória. Até para nos convencermos que não havia mais nada a fazer.
A maioria dos nossos objetivos não são impossíveis de alcançar. Mudar de emprego, ganhar melhor, progredir na carreira, melhor qualificações pessoais/profissionais, emagrecer, fazer amigos… Tudo isto é mesmo possível, embora uns consigam e outros não. Na maioria dos casos é mais uma questão de persistência e valorização pessoal do que competência.

Em primeiro lugar é preciso “querer mesmo” atingir determinado objetivo. Não querer porque é moda, porque os outros querem, porque quero satisfazer um capricho. Querer porque “eu gosto”, querer porque me faz feliz, querer porque me sinto realizado  
Em segundo lugar é preciso ter a noção que precisamos de fazer sacrifícios por esse objetivo maior. Despender tempo, energias, dinheiro, inteligência. Fazer opções que implicam abdicar de algo que gostamos, mas não tanto assim.
Em terceiro lugar, valorizarmo-nos. Somos tão capazes como os outros. Acreditar nas nossas capacidades é fundamental para atingir o sucesso.

Em quarto lugar, perceber aquilo que nos derrota sistematicamente e ter a humildade de mudar.
 Se nas relações pessoais falhamos porque somos demasiado egocêntricos, temos de reconhecer essa falha e alterar comportamentos. Se não conseguimos promoções no emprego por causa do nosso feitio ou porque nos recusamos a aceitar/incorporar os reparos dos nossos superiores, o caminho da vitória passa sempre pela mudança. Se temos medo da mudança, temos de promover frequentemente pequenas mudanças na nossa vida, até sermos capazes de assumir mudanças maiores.
Mesmo fazendo “tudo direitinho”, podemos falhar? Podemos! Não estamos sozinhos no mundo! Os outros podem ser simplesmente melhores ou não estarem interessados no nosso projeto ou na nossa colaboração. A derrota faz parte vida. Por vezes, é ela que nos ensina quão saborosas são as vitórias.
Mesmo perdendo, uma coisa fica resolvida: não ficamos a pensar como teria sido, mas não foi porque não tivemos coragem de ir a jogo.

O futuro está cheio de novos desafios, que só poderão ser vividos se não nos viciarmos em desistências.
gavb

domingo, 25 de setembro de 2016

WHITE LIES


Quando apresentou a sua música à plateia, Rita Redshoes definiu White Lies como “aquelas mentirinhas aparentemente sem importância, que vão corroendo lentamente uma relação”. Fez-se silêncio na sala e cada um absorveu aquele pequeno soco como pôde até que os acordes da música e a voz de Rita preencheram o silêncio constrangedor.
Ontem, quando ocasionalmente voltei a ouvir o tema não pude deixar de pensar quanto nefastas podem ser essas white lies, a partir do momento em que se descobre essas mentirinhas do outro. Instala-se o vírus da dúvida, destruindo o que de mais importante tem uma relação: a confiança.
Há várias razões para um e outro ceder a uma patranha de ocasião: não mostrar as suas fraquezas, encontrar pequenas desculpas para falhar compromissos, receio do que o outro possa fazer com tanta transparência… Mais do que uma estratégia é uma defesa que cada um arranja para não mostrar o seu lado menos bonito.

No entanto, quando as relações avançam e procuram consolidar-se, ou as white lies acabam ou elas acabam com as relações. Não há muita volta a dar! Uma white lie é facilmente reconhecível e cai ao primeiro ou segundo teste de stresse.
Bem pior que uma “mentirinha desnecessária” é a desconfiança, a mágoa e a tristeza que se instala. Baixa a consideração e aumenta a exigência. Quando nos damos conta da devastação causada e da trabalheira que dará remendar tantos estragos, vamos concluir que seria melhor ter confessado que estávamos zangados e não com dor de cabeça ou trabalho atrasado; que nos apeteceu ficar nos copos com os amigos e não ficámos a cumprir horas extras no emprego; que nos deu uma súbita vontade de ver lojas de roupa e sapatarias em vez de irmos ao supermercado.
Dizer “não” a uma white lie pode custar um pouco, mas é um esforço ao alcance de todos; remendar uma darktrue pode ficar rapidamente fora do nosso controlo.

Gabriel Vilas Boas


domingo, 18 de setembro de 2016

E SE O MIÚDO QUE FOSTE ESTIVESSE A OLHAR PARA O GRAÚDO EM QUE TE TORNASTE?


Que estaria ele a sentir? Desilusão? Raiva? Vergonha? Ou então, respeito? Orgulho? Compreensão?
Não falo dos sonhos nem das circunstâncias que um adolescente não avalia, mas daquilo que dependeu de ti e só de ti. Como te sentirias se tivesses de o enfrentar? Como lhe explicarias os falhanços que só dependeram de ti, as cobardias, as oportunidades perdidas?

Se o sentisses na plateia do filme que realizas e protagonizas, ganharias finalmente vergonha ou coragem ou arranjarias mais uma desculpa? Representarias melhor ou viverias melhor?

É verdade que o puto era utópico e vivia num mundo fácil, onde as contrariedades eram só palavras. É certo que tentaste, que fizeste algo de importante e venceste algumas batalhas, mas estás tranquilo com a forma como as conseguiste?
Não é possível escrever uma história perfeita nem viver a vida fabulosa, própria dos sonhos, mas é possível contar uma história digna, de superação, de várias vitórias e algumas derrotas, onde em cada virar de página te mantiveste íntegro, corajoso, apaixonado, determinado. 
Talvez tenhas desembarcado numa ilha desconhecida e nunca sonhada, talvez sejas apenas personagem figurante de uma história maior, mas podes ficar sempre com o orgulho de ser protagonista da tua própria história.

Ou então, não olhas o puto nos olhos, gaguejas, desdobraste-te em desculpas esfarrapadas que até uma criança topa e segues alegremente essa rota enganada. 
O puto que foste nunca mais te incomodará, é certo. 
Daqui a trinta ou quarenta anos apenas te cruzarás com o avô dele. Dar-te-á os parabéns ou dirá que foste um grande burro, mas não haverá segunda oportunidade.

Gabriel Vilas Boas

domingo, 11 de setembro de 2016

SADNESS, OH THE SADNESS


Numa das suas músicas mais conseguidas, a sueca LYkke Lee proclama, com uma voz triste e doce, Sadness is a blessing. É muito difícil concordar com ela, ainda que a música seja realmente boa. No entanto, há algo de verdadeiro naquele verso triste da canção da sueca: a tristeza devolve-nos clareza de raciocínio perante a realidade.
Ficam mais percetíveis os erros assim como a força e a fraqueza de determinados sentimentos; a relevância de cada amigo torna-se mais precisa; a importância de pequenos objetos ou a dependência de um hábito ficam bem visíveis. O nosso mundo fica a preto e branco e com uma nitidez brutal.
De tão real e verdadeira, parece-nos que a fotografia obtida é definitiva. É a parte em que a tristeza se entrega facilmente nos braços da desistência e se consolam mutuamente.
Ainda que a foto obtida seja cruelmente verdadeira, ainda que não nos apeteça perseguir a mesma ou outra ilusão, a tristeza ainda não consegue fotografar o futuro.
Pode ter sido uma bênção ao colocar-nos os óculos corretamente, mostrando-nos que as cores do nosso quadro não tinham nem o brilho nem a intensidade que supúnhamos, mas a verdade é que a nossa vida não pode passar sem uma tela cheia de cor e de vida.
Talvez hoje ou amanhã ainda não seja possível pegar nos pincéis; provavelmente as cores disponíveis na paleta do momento ainda não terão a força suficiente para nos reerguer de imediato; no entanto, é imperativo voltarmos a acreditar no arco-íris que nos encantou e… desencantou.
Lykke Lee canta “Sadness is a pearl” – só na medida em que nos permite recomeçar, com mais lucidez, com mais verdade, com mais paixão pela Vida.
Gabriel Vilas Boas 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

DESAPEGAR-SE DO APEGO


Desapegar-se! De objetos, de coisas, de ideias, de pessoas, de sentimentos negativos ou mesquinhos – como é difícil! Normalmente, só aprendemos a desapegarmo-nos de algo ou de alguém quando o perdemos definitivamente.
Este sentimento de posse, que muitos confundem com amor, radica no medo. Medo de perder amigos, medo de perder segurança material, medo de perder importância social, medo de perder afetos, medo de… medo, medo e mais medo!



Há muitas pessoas que nunca se conseguiram separar dos brinquedos da infância, que podiam ter feito muitas outras crianças felizes, por medo de perder as memórias ternas desse tempo de luz, mas as bonecas na prateleira apenas lhes arrancam um sorriso baço e triste de todas as vezes que as miram.
Muitos escritórios estão cheios de livros velhos, carregados de pó que nunca foram abertos uma única vez, servindo apenas para pretextar um falso conhecimento ou decorar o espaço. Quem ama o conhecimento não o aprisiona e quer que ele chegue ao maior número de pessoas possível. Não tem medo que alguém faça melhor uso dele, não tem medo de ser ultrapassado.

Quantas pessoas não conhecemos que nunca saíram da sua cidade, do seu «ninho», tentando ser felizes noutro lugar, unicamente por medo? Conheço muita gente vive uma vida de dificuldades apenas porque nunca foi capaz de sair da sua zona de conforto ou que ela pensa ser a sua zona de conforto.

Falta ainda falar do pior dos apegos: o apego a sentimentos menores, sejam eles a posse, a vingança, o ódio, a descrença em si. O problema continua a ser o medo. O medo de falhar, o medo de ficar sozinho, o medo de dar uma imagem de fraqueza, o medo de perder.
O desapego melhora imenso a vida de cada um.
 O desapego não é desistir de algo ou de alguém, mas amá-lo tanto que lhe permitimos a liberdade de voar e nos permitimos a liberdade de arriscar Ser além de objetos, de sítios e de pessoas.
Desapegar-se é difícil e envolve riscos e coragem, mas costuma criar seres bem mais felizes.

Gabriel Vilas Boas