“Claques? Não sei que palavra é essa. Sei o que são sócios organizados. Nunca soube que o Benfica tinha claques. Se disserem que naquele espaço não estão sócios… São todos sócios do Benfica e têm os mesmos direitos que eu.” Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.
Nos últimos tempos, o presidente do Benfica tem sido
infeliz nas suas intervenções públicas, mas ontem excedeu-se e entrou no campo do
cinismo puro, ao falar das claques do clube, o que só o deixou mal e ao clube a que
preside.
O cinismo inteligente, ainda se atura quando os temas o
permitem e o humor é de qualidade, mas o cinismo sobre violência no desporto,
nomeadamente sobre claques de futebol, é estúpido e revoltante.
Poucas horas depois do Instituto Português do Desporto e
Juventude (IPDJ) não ter cumprido a ameaça de interdição do Estádio da Luz, por
óbvio apoio do SL Benfica, aos No Name Boys, uma das claques oficiosas do
Benfica, o presidente Filipe Vieira resolveu proferir declarações cínicas sobre
a inexistência de claques no clube, gozando com todos aqueles que gostam do
desporto e abominam a violência.
Luís Filipe Vieira não pode obrigar os No Name Boys a
legalizar-se, nem impedir que entrem com apetrechos de apoio ao clube, mas pode
impedir que eles se concentrem na mesma zona do estádio, pode proibir que
entrem ou guardem no estádio material pirotécnico, que estourem petardos nas bancadas, que usem very ligths como quem atira serpentinas de carnaval, que
viajem em autocarros com gasolina e portagens pagas pelo clube.
Quando, há uns anos, Vieira foi “apertado” por uma fação
dos No Name, numa assembleia geral do clube, também não sabia o que era isso de
claque?
Na maioria das vezes, a claque mais representativa do
Benfica envergonha o clube, os seus valores, a sua história. Como já escrevi
noutras alturas, não faço questão nenhuma na sua legalização, porque parecem-se
mais com um gangue do que com uma claque. Se não fosse o alibi de ser a claque
do Benfica, a maioria dos seus membros já tinha sido detida.
É verdade que o mesmo acontece com as outras claques e por
isso os dirigentes dos clubes rivais deviam ter vergonha em defender as claques
oficiais dos seus clubes, porque o seu registo no IPDJ em nada alterou o seu
comportamento deplorável, na maior parte dos casos sem sanção.
O cinismo de Vieira, ao falar da não existência de uma
evidência, enoja quem gosta de desporto, de civismo e de verdade. Os No Name Boys
são maus e reprováveis, mas não são cínicos. Talvez por isso não peçam a
legalização da claque, pois têm a noção que os seus comportamentos são, por
definição, à margem da lei.
Os benfiquistas não merecem deixar de ver o seu clube no
Estádio da Luz, mas Vieira merecia bem que lhe interditassem a língua, porque
de cinismos já nos bastam os políticos.
GAVB
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