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quinta-feira, 5 de julho de 2018

O PSD VOTARÁ CONTRA O PRÓXIMO ORÇAMENTO, MAS RUI RIO AINDA NÃO SABE




Desde que Rui Rio assumiu a liderança do PSD sempre pareceu mais ou menos claro que o novo líder não queria eleições antecipadas e por causa disso equacionava abster-se no próximo Orçamento de Estado.
Os deputados do PSD ficaram furiosos, os militantes entristecidos, os comunistas enciumados, a comunicação social desiludida, o PS desgostoso. Desde então o governo tem-se esmerado por governar mal (o que, convenhamos, não é particularmente difícil), o CDS tem estado calado e entristecido, as suspeitas dos casos de corrupção envolvendo gente do PSD vão aparecendo nos jornais, mas… Rui Rio não dá sinais de mudança de rumo. 

Na verdade Rio reza a todos os santinhos para que o PCP chegue a acordo com o governo (O PCP reza para que os professores cheguem a acordo com o governo), mas o pessoal do PSD não está para esperar que António Costa constranja Rui Rio e vai fazendo o seu papel de desgaste.
Hoje, Fernando Negrão, o líder da bancada do PSD no Parlamento, garantiu aos deputados laranja que o partido votará contra o próximo OE, apesar dele ainda não ser conhecido, embora Rio ainda não se tenha pronunciado sobre isso. (https://www.publico.pt/2018/07/05/politica/noticia/negrao-diz-aos-deputados-que-psd-votara-contra-oe-2019-1836969)

Como Rui Rio não está na Assembleia da República e até acha normal que Negrão lhe faça a vida negra e vote contra a vontade do presidente do partido, o mais certo é o PSD votar contra. Até António Costa já percebeu como Rio não manda no PSD e por isso já vai dizendo que nada leva a crer que o PSD altere o sentido do seu voto, ao mesmo tempo que tenta um entendimento com Jerónimo de Sousa.

Entretanto, as contas da saúde estão por pagar, mas o ministro já promete inevitáveis contratações para Outubro, mas a pagar em Janeiro; o dinheiro do descongelamento das carreiras continua na caixa forte do banco de Portugal… por isso, só me apetece perguntar:
Where is the money?

quarta-feira, 4 de julho de 2018

ANGOLA PEDE AJUDA À EUROPA PARA RETER A POPULAÇÃO EM ÁFRICA



O presidente angolano coloca bem o problema: África precisa que os seus queiram ficar em casa e a Europa deve ajudar. 
No entanto, João Lourenço está a ser demasiado naif se pensa que a Europa o fará pensando em África ou de uma maneira desinteressada.
Na melhor das hipóteses Europa despejará umas migalhas em forma de euros, nos corruptos governos africanos, para suster os desesperados africanos dentro das suas fronteiras.
Se João Lourenço quer um novo plano Marshall, então ele não percebe nada do que se está a passar no velho continente há mais de três décadas. A Europa está dominada pelo egoísmo, onde cada um fará o menos possível para viver melhor, ainda que isso pressuponha aprofundar as desigualdades.

Talvez João Lourenço não se tenha apercebido, mas são os medíocres e os tecnocratas que governam a Europa. Já não há grandes líderes, estadistas, gente com uma visão ética da política. É verdade que África podia ser um grande negócio para a Europa, mas não para «esta» Europa, nem para «esta» América. Daria muito trabalho e pouco lucro.
África vai ter de aprender sozinha, construir-se, rejeitando este modelo neoliberal em que a Europa chafurdou. 
A solução para reter as desesperadas populações africanas em seus territórios está nos próprios governos africanos. 
Parem com a corrupção, parem com os luxos parolos; invistam os recursos em Educação e Saúde. 
Construam hospitais, escolas, saneamento básico; distribuam comida e medicamentos pelos campos de refugiados. No entanto, antes de tudo, têm de parar com qualquer conflito e expulsem os europeus que vos vendem armas.

Na verdade, não contem com os europeus. Eles não são de confiar. A solução para reter a população em África passa pelos governos africanos respeitarem o seu povo, investindo os seus recursos financeiros naquilo que é essencial e reprodutivo.
Isto não quer dizer que devam hostilizar os europeus, mas apenas ter a consciência que o trabalho mais importante será sempre vosso.
A internet abriu o mundo aos massacrados povos africanos e eles desejam ardentemente atravessar o mar Mediterrâneo, no entanto, essa mesma internet pode ser uma arma poderosa para alavancar a transformação de África.
GAVB  

terça-feira, 3 de julho de 2018

SERÁ A JUVENTUS O MELHOR PARA RONALDO?


Sempre pensei que Cristiano Ronaldo acabaria a carreira no Real Madrid, pois o colosso espanhol era o único capaz de de lhe oferecer a imortalidade futebolística, tornando-o numa lenda do futebol e não «apenas» no melhor jogador português de futebol de sempre.

Ao que parece Ronaldo cansou-se de ser desconsiderado pelo seu presidente e este já não espera mais do português. 
É verdade que Ronaldo já passou os trinta e três anos, já ganhou tudo o que queria ganhar e a sua velocidade e resistência não são as de um jogador de vinte e sete anos, mas o seu espírito continua indomável e o orgulho em ser o melhor também.
Talvez Florentino Perez não se tenha apercebido bem de quanto Ronaldo foi a âncora do Real Madrid na última década, como levou a equipa às costas tantas vezes e como o seu orgulho, virtuosismo e desejo de ultrapassar os próprios limites levaram o Real Madrid a um patamar de conquista impensável há cinco anos. 

Há um mês era uma questão de dinheiro, hoje é uma questão de orgulho. Ronaldo irá para Itália para voltar a sentir-se desejado, feliz, especial. Será em Turim que o melhor jogador português de todos os tempos viverá os últimos anos da sua carreira. 


Ele, que sempre se alimentou de rivalidades, terá no atual presidente do Real Madrid a melhor das motivações para se manter no topo do Olimpo futebolístico. E ao contrário do que acontecia em Madrid não precisará de carregar com a equipa, porque a equipa se encarregará de o amparar.
Mudará ainda mais a sua maneira de jogar, mas creio que será tão mortífero como até aqui e encarará esta mudança como um último e grandioso desafio à sua extraordinária carreira. 
Acredito que nos próximos anos teremos um Ronaldo vintage, daqueles que a Sogrape produz, sob o nome de Barca Velha.

Gabriel

segunda-feira, 2 de julho de 2018

«NUNCA MAIS SE VÃO ESQUECER DE NÓS»



«Não queremos fazer aquilo que já foi feito antes. Se tivermos de chegar ao extremo de fazer uma paralisação pela quarta vez na nossa história, faremos de forma diferente do que foi feito até agora. (…) Não vamos fazer aquilo que aconteceu em setembro do ano passado, quando o PS disse aos juízes para pararem porque quando o projeto chegasse ao Parlamento iam discutir tudo. Mas depois, quando fomos bater à porta do PS para cobrar o compromisso que tinham connosco disseram-nos que que não havia nada para discutir.»

«Enquanto não discutirem connosco o problema das carreiras não há acordo. O Estatuto não é uma peça que se possa partir e dizer que se faz uma revisão, aumentando os deveres, diminuído os direitos e depois recusando uma conversa sobre uma coisa que é absolutamente razoável e que todos dizem que temos razão.»

«Diz-nos o Presidente da República, que reuniu connosco meio às escondidas, tendo pedido reserva. Parece não estar muito interessado em que o problema se resolva. Os partidos dizem que temos razão tal como a senhora ministra da Justiça. Penso que uma ministra que admite que há um problema e não o resolve não está lá a fazer nada.» Manuel Soares, Presidente da Associação Sindical dos Juízes.

Não, não é Mário Nogueira, mas o presidente de um sindicato de juízes. Se calhar suscita mais respeito, mas as reivindicações são as mesmas, apesar de os salários não o serem.

Manuel Soares ameaça diretamente o governo e não me parece que esteja a brincar. 
Agora é que o valente Miguel Sousa Tavares devia transformar a sua verborreia odiosa contra os professores em algo de semelhante contra os juízes, tal como o cronista Rodrigo Moita de Deus (“O Último Apaga a Luz”, RTP). 
É nestes momentos que espero que o corajoso primeiro-ministro que nos governa se dirija ao juiz Manuel Soares e lhe diga:
- O teu aumento? A tua progressão na carreira? Investi tudo em alcatrão, no IP3. Há mais de trinta anos que lá morrem pessoas, mas só agora me lembrei disso. Sabes tu há quantos anos as construtoras, o famoso lobby do cimento, não faturam com um governo do PS? Desde o tempo do Sócrates, com o Parque Escolar, da Maria de Lurdes Rodrigues.


GAVB

domingo, 1 de julho de 2018

A VINGANÇA DO OFFLINE


«A vaidade é o defeito que mais aprecio nos homens.» dizia Al Pacino no início do icónico "Advogado do Diabo”, há vinte anos. 
A vaidade é um defeito tão produtivo quanto destrutivo. Por causa dela, cometemos algumas loucuras e, por causa dela, o mundo “pula e avança” mais rápido que o bom senso deixaria.

A internet revolucionou a maneira de nos relacionarmos. Estar online passou a ser uma necessidade para uns e uma obsessão para outros. Como tudo o que é obsessivo chega a um dado momento em que satura.
 Quando todos fazem o mesmo já ninguém é especial e muitos se questionam «para quê tanto trabalho se todos fazemos o mesmo?». Na verdade, a vaidade perde imensa força quando deixamos de provocar inveja. Para muitos de nós, estar online era um modo de «estar in», de provocar inveja, alimentando ego.

Com todos online, algo que parecia bom e desafiante tornou-se aborrecido e pouco produtivo. Como seria de esperar chegamos facilmente a um estado de intoxicação de comunicação através da internet que precisamos urgente de desintoxicar.

Como isto vai por modas (quase sempre foi assim), alguns hotéis já pedem aos seus hóspedes os seus aparelhos eletrónicos na altura do check-in e apenas os devolvem no fim da estadia; há restaurantes que obrigam os seus clientes a almoçarem offline ao mesmo tempo que começa a ganhar corpo um movimento entre artistas de todo o mundo que proíbe o uso de smartphones nos seus concertos, mesmo naqueles que se realizam em grandes espaços e ao ar livre.

Mais uma vez evoluiremos obrigados pelos outros, ao ritmo da proibição ou novamente atraídos pela vaidade de ser diferentes. 
A vaidade é realmente um defeito muito apreciável, porque através dela estamos constante a manipular o ser humano. Usando-a pensamos manipular os outros, mas não seremos nós os verdadeiros manipulados em vez de manipuladores?
GAVB

sábado, 30 de junho de 2018

O GOVERNO É MUITO BOM A PROMETER AQUILO QUE NUNCA PENSOU CUMPRIR




Estão cumpridos três dos quatro anos do mandato do governo português, que teve uma conjuntura política, económica e social muito favorável, apesar de ser um governo minoritário.
         Contou com uma presidente da República colaborante como nenhum outro governo teve; contou com uma oposição de direita muito suave, até porque houve mudança de líder no maior partido da posição; contou com uma ajuda enorme dos partidos de esquerda, quer a nível parlamentar quer a nível da não existência de conflitualidade social. Os sindicatos nunca foram tão mansos!
         Ao mesmo tempo que contava com as boas graças da generalidade da imprensa, o governo português não baixava a carga fiscal e até teve a lata de aumentar alguns impostos indiretos, aproveitando a descida ocasional dos preços do petróleo. Enquanto isto acontecia economia gerou emprego e retirou-lhe pressão social.
        
Desde que assumiu o poder, o governo do partido socialista foi-se comprometendo (de uma forma dúbia, é certo) com alguns dos seus funcionários (enfermeiros, oficiais de justiça, professores) a atender algumas das suas reivindicações, ainda que de um modo faseado, para não comprometer a saída da fase de recobro em que Portugal se encontrava face aos seus parceiros europeus.
De uma maneira paciente, aqueles que trabalham diretamente para o Estado português esperaram que o governo honrasse os seus compromissos. A um ano de terminar funções, o governo diz que não o fará! Timidamente ainda ensaiou a estafada justificação do «não há dinheiro», mas como foi rapidamente contraditado, passou à argumentação do «não podemos comprometer o futuro» como se não se esses encargos não fossem esperados pelos compromissos assumidos perante professores, enfermeiros, oficiais de justiça, polícias… com se esses encargos não decorressem da estrutura das carreiras públicas.


Na verdade, o governo português nunca teve a intenção de cumprir a sua palavra. Na melhor das hipóteses, o governo português andou três anos a amealhar através de altíssimos impostos e derrogando o cumprimento de promessas para usar essas verbas como cenourinha eleitoral como se o povo fosse um coelho estúpido que acreditará piamente em quem lhe mentiu repetidamente.
Acha o governo que só precisa de escolher um coelho diferente. Haverá alguém que queira fazer de estúpido?

quarta-feira, 27 de junho de 2018

TU AQUI NÃO ENTRAS, PRETA DE MERDA!



Parece que Portugal quer receber os imigrantes do navio Lifeline, que navega há uma semana no Mediterrâneo, cheio de imigrantes, que Malta e Itália se recusam a receber. Quer fazer bonito, mas talvez não fosse má ideia começar por arrumar a sua própria casa antes disso. 
Na noite de São João, uma colombiana foi barbaramente agredida por um fiscal ao serviço dos S.T.C.P. (Serviços de Transporte Coletivos do Porto), numa manifestação de racismo, crueldade, desumanidade, que envergonha os STCP e o próprio país.
O relato da vítima, de algumas testemunhas, o vídeo a circular na internet deixam poucas dúvidas sobre o acesso de ódio racista que aquele funcionário da empresa de segurança 2045, a fazer serviço para os STCP, teve, na madrugada do dia 23 para 24 de junho.
Tu aqui não entras, preta de merda!”; “Pretas, vão apanhar o autocarro para a vossa terra”, “Estes pretos não aprendem.. – foram estas algumas das frases do fiscal dos STCP enquanto agredia barbaramente uma jovem colombiana, até pôr os joelhos em cima dela como se de um troféu se tratasse.

A intervenção deste energúmeno surge na sequência de um desentendimento sobre a prioridade numa fila de espera do autocarro, no centro da cidade do Porto, durante a madrugada do dia de São João. Sem vergonha, sem nunca ser impedido por nenhuma das várias testemunhas, num misto de cobardia e medo, o segurança da 2045 exibiu toda a sua animalidade.

Infelizmente, passados três dias após este odioso crime, nem polícia, nem STCP, nem a empresa de segurança 2045 se dignaram a dar uma palavra, uma satisfação, um pedido de desculpa. O caso também não foi reportado pela imprensa sensacionalista, nem apareceram os famosos “Alerta CM”. 
Trump mete crianças imigrantes, pobres e de cor em jaulas; em Portugal, há alguma imprensa que mete o racismo que se faz no país, na secção das «não notícias» enquanto os dirigentes preferem passar o seu tempo entre um aperto de mão a Putin e outro a Trump.
Portugal e os portugueses são bem melhores que uns marginais racistas que usam indevidamente uma farda ou uns hipócritas que praticam a caridadezinha com o pretinho, coitadinho, ao bom estilo do Estado Novo.
GAVB