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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

PRESENTE COM TALÃO DE TROCA



Pode dar muito jeito que o presente venha com talão de troca (especialmente se não sabem o nosso número da roupa), mas o talão retira toda a beleza e simbologia ao presente. Nessa altura, o presente pouco mais é do “pega lá neste dinheiro e compra o que te apetecer”. Ora isso já fazemos nós quando temos um dinheirinho extra.
Como ligaremos um presente a um momento e a uma pessoa se aquilo que temos não é a ideia original do nosso amigo, marido, familiar, mas uma troca de conveniência que fizemos?

Ainda que não gostemos especialmente dele, um presente marca-nos, toca-nos, pois ficamos a saber como o outro nos vê, como pensou em surpreender-nos agradavelmente, como tentou pôr um sorriso no nosso rosto. Mesmo quando foi desleixado e comprou qualquer coisa sem sentido, fica a recordação desse desleixo. Quando procedemos à troca até isso se vai.

Os únicos presentes que recordo são aqueles que revelavam quanto aquele amigo(a) estava atento aos meus gostos e desejos, bem como à minha maneira de ser.
Sempre que dizemos a um filho(a) “Aqui tens o catálogo da Toys r us – escolhe o que quiseres!”, destruímos por completo a magia de receber um presente. Não foi o pai que lho deu, foi ele que o escolheu. 
O pai ou mãe possivelmente até lhe dizem que nem querem saber o que ele vai escolher, desde que escolha e não os aborreça. 
Aquele filho jamais sentirá que alguém esteve atento aos seus gostos, que alguém pensou nele além da tradição. Quando o pai, por azar, lhe voltar a pagar um conjunto de bonecas que ela já teve há dois anos, perceberá quanto inútil foi ter usado o cartão de crédito do pai em vez do seu coração ou da sua sensibilidade.
Um presente é um afeto e os afetos não têm talão de troca, só de retribuição.
GAVB

domingo, 4 de dezembro de 2016

A CARIDADE CHIQUE


O ideal seria que a caridade ou a solidariedade não fossem necessárias, mas sendo, devemos perceber que a primeira coisa a fazer é respeitar as pessoas que precisam dela. Esse respeito traduz-se em discrição.
A caridade chique soa-me quase sempre a hipocrisia.
Na Bíblia, São Mateus ensina: «Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita».
A caridade/solidariedade é um serviço que a nossa consciência e o nosso coração prestam ao outro, por isso tenho muita dificuldade em compreender que as campanhas de solidariedade sejam um “hapenning social”, que haja necessidade de fotos, publicações no facebook, reportagens jornalísticas, como se aquelas pessoas a quem se dá algo estivessem ao serviço da nossa vaidade.

Com a chegada do Natal multiplicam-se as campanhas solidárias. Na essência são boas e para elas contribuem muita gente com excelentes sentimentos em relação ao próximo, mas acho intolerável que aplaudamos, coloquemos “likes” facebookianos, exultemos quando determinada figura pública se tenta promover à custa de campanhas de solidariedade.

Tentar parecer bom porque fica bem é uma atitude cretina. Mais do que uma chamada de atenção, merece reprovação. Os valores da solidariedade e do amor não podem estar prisioneiros desta gente que não olha a meios para atingir objetivos egocêntricos.
         A mensagem do Natal não é um ícone comercial. Pouco podemos fazer para resgatar o Natal às garras do Centro Comercial, mas temos a obrigação de não deixar que a vaidade de alguns manche sentimentos nobres e sinceros de muitos.
    
     Oferecer um cabaz de Natal, doar roupas, distribuir os brinquedos que os filhos já não querem não precisa de fotos nem de discursos, não necessita que vistamos um roupa de gala nem uma festa envolvente. Lá no fundo é um momento triste, porque aquela mãe ou aquele pai precisaram de estender a mão à caridade para ter aquilo que é básico. Eles precisam que embrulhem aquele ato de humanidade com um abraço, um sorriso, uma palavra de esperança e conforto.  Só isso.


Gabriel Vilas Boas.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O QUE QUERES FAZER DO TEU NATAL?

Sim, o Natal é um tempo único e especial. Um pouco por todo o lado, fomos encontrando luzes, festas, árvores iluminadas, presépios e em cada um de nós instala-se, por dois dias, a supremacia de sentimentos nobres. E não vejo nisto nenhuma falta de sinceridade. Acredito na nobreza dos nossos desejos, mas não na sua força.
            Nestes dois/três dias, fazemos sobressair o melhor de nós, numa espécie de “trégua-conto de fadas” do quotidiano.
            É óbvio que a maioria das pessoas deseja que este “melhor de nós” sobreviva além de hoje ou amanhã, mas, a cada ano que passa, fazemos muito pouco para que tal suceda. Percebo a desilusão do Papa Francisco que há dois dias declarou, em Roma, que a maneira como muitos de nós vive o Natal é uma farsa. Não creio que seja uma farsa, mas acho cada vez mais pobre o seu conteúdo.
As luzes, a árvore, o presépio são um símbolo e não a essência. A essência é o espírito de paz, de fraternidade, concórdia que subjaz ao nascimento de Cristo. Cristo é amor, é paz, é harmonia.
É bom comemorar, mas convém ter algo para brindar além dos copos e do champagne. E é nesse sentido que importa manter viva a mensagem do Natal. Não é preciso que seja Natal todos os dias, mas é necessário que o seu espírito preencha o coração de muitos homens e mulheres durante vários dias do ano. Seria bom e tudo o que é bom vale a pena ser tentado.
            Talvez morram menos inocentes em guerras estúpidas, talvez o terror mate menos, talvez a ganância perca mais vezes o jogo da vida com a humanidade e tenhamos de lamentar menos mortes evitáveis em hospitais, talvez se trafiquem menos armas, talvez se governe melhor os recursos dos povos, talvez… Sim, talvez, porque nunca teremos certezas tal como nunca alcançaremos um mundo ideal, mas, certamente, ele será melhor se tentarmos.
            A melhor mensagem de Natal seria aquela que desejasse manter e não mudar, visto que necessitamos mudar o que está mal e manter o que há de bom.
            Durante dois dias resgatamos a consciência e acendemos a luz de um mundo melhor. Apesar de todas as pobrezas que nos invadem, acho que temos suficiente riqueza para comprarmos um futuro mais digno, mais pacífico e mais harmónico.

Gabriel Vilas Boas  

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

PARA QUE SERVE UM PRESENTE DE NATAL?


Todos os anos assisto à expectativa de uns, ao lamento de outros, às críticas ao consumismo de muitos, mas a verdade é que o Natal institucionalizou as “prendas”. Quase tão ou mais obrigatórios do que o bacalhau, as batatas ou o presépio, os presentes de Natal já fazem parte do senso comum da sociedade.
Desde já declaro que gosto de receber e dar presentes no Natal. Faço-o com convicção e prazer, tanto no ato de oferecer como de agradecer. Compreendo as críticas ao excessivo consumismo e mercantilismo deste ato nobre de trocar presentes, no Natal, porque também o sinto e me desgosta.

Sei perfeitamente que as motivações de cada um, no ato de oferecer um presente de Natal, são diferentes de pessoa para pessoa, mas custa-me ouvir todos os anos os constantes lamentos de vários amigos e conhecidos acerca dos presentes de Natal.


Afinal, para que serve um presente de Natal? Para mim, sempre foi claro que os presentes de Natal servem para, num momento único e singular do ano como é o Natal, mostrar a minha amizade, amor, gratidão e reconhecimento com todos aqueles que me são mais queridos. Claro que de ano para ano esse grupo vai mudando, mas nunca fiz disso um drama. Sempre me recusei a dar um presente por convenção, porque “parece mal não dar”, porque “se dei a um tenho de dar a outro”. Isso quebraria a essência do próprio ato, na minha perspectiva. Talvez por isso me faça uma certa confusão aquela ideia: “No Natal, só dou presentes às crianças.” Gosto de crianças como gosto de adultos. Não gosto de convenções misturadas com sentimentos. Nunca me causou qualquer constrangimento que a lista de Natal contemplasse mais adultos do que crianças ou vice-versa. Sempre me preocupei é que lá estivessem as pessoas de quem gosto muito, de quem sou mais próximo, com quem compartilho momentos únicos e pessoais.

Nesse sentido, encaro a escolha dos presentes com alguma exigência. Não pode ser qualquer coisa. O presente de Natal tem que ter sobretudo um valor afetivo e, por isso, cada presente é escolhido em função da pessoa a quem se destina. Não me preocupa o valor monetário, até porque normalmente não são presentes caros, mas sim que a pessoa que o recebe perceba quanto a estimo, através daquele objeto/símbolo.
Dir-me-ão que há outras formas de manifestarmos a nossa amizade, amor ou apreço por alguém que não envolvem troca de presentes. Completamente de acordo, mas eu gosto de incluir presentes na lista de possibilidades. O dinheiro que gasto com os presentes de Natal é só uma pequena parte daquele de que disponho para gastar da maneira que melhor me aprouver e os amigos e familiares mais chegados são muito mais do que uma pequena parte de mim.
O que é fundamental, no que toca aos presentes de Natal, é gostarmos de presentear os outros e termos bem resolvida na nossa cabeça as razões por que o fazemos. Se é fantástico percebermos, através de um pequeno presente, quanto carinho e amor pôs nele quem no-lo endereçou também é penoso receber algo, apenas por convenção ou porque podíamos “reparar” ou “levar a mal”.
O Natal e o prazer de presentear e ser presenteado são muito bonitos para serem estragados com motivações tão… cinzentas.

Gabriel Vilas Boas 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A PINTURA E O NATAL


O Nascimento de Cristo é a temática religiosa que mais inspirou os pintores ao longo dos séculos. Grandes mestres da pintura retrataram os momentos mais marcantes do nascimento de Jesus Cristo, produzindo quadros que ajudaram a fazer a história da arte.
Rembraudt, Ribera, Strozzi, Tintoretto, El Greco, Murillo, Rubens, Giotto, Caravaggio, Ghirlandaio têm quadros magníficos e muito belos que focam a temática natalícia.

Neste dia de Natal, selecionei três dessas obras para delas “falar”: “A adoração dos Pastores”, de Tintoretto; “A Adoração dos Reis Magos” de Rubens e a “Sagrada Família” de Rafael Sanzio.




A tela de Tintoretto é uma composição grandiosa, onde o pintor veneziano ilustra  a homenagem dos mais simples ao Cristo Redentor acabado de nascer. Neste óleo, o pintor renascentista evidencia algumas características da sua obra: a ilusão de profundidade, dada especialmente ao nível do teto da humilde cabana onde Cristo nasceu; a valorização do uso da cor, através da exploração das diversas tonalidades do castanho e, sobretudo, os efeitos da luz que fazem sobressair as formas dos diversos elementos da cena.




Se Tintoretto pintou a Adoração dos Pastores a Jesus, de Rubens escolhi a tela que retrata a “Adoração dos Reis Magos”. Trata-se duma tela de grandes proporções, datada de 1624, em que o pintor flamengo, mestre da arte barroca, retrata a chegada dos Reis Magos a Belém para adorar o Deus menino.

À boa maneira barroca, a distribuição das personagens retratadas segue um sentido diagonal. Nesta tela podemos observar três sequências diagonais em três planos. Um desses sentidos vai desde os homens sobre os camelos até um outro homem sobre um cavalo. Um segundo sentido vai do homem de negro até um dos reis magos com manto vermelho; e um terceiro sentido diagonal vai desde S. José (lado direito da tela) até ao rei mago que está de joelhos diante de Jesus.

Neste óleo do século XVII, devemos ainda notar que S. José parece um pouco “deslocado” nesta cena da adoração, pois é posto à sombra por Rubens, em contraste com as outras figuras que estão mais iluminadas.
Também devemos notar, nesta composição do artista belga, a utilização duma paleta de cores com tonalidade quentes que é uma das imagens de marca de Rubens.   


  

A minha última proposta artística do dia é o quadro “Sagrada Família” de Rafael Sanzio, que atualmente se encontra no Museu do Louvre, em Paris.
Mais uma composição belíssima, em que o destaque é, obviamente, a figura do Menino e de Maria. Rafael coloca a sua atenção num menino Jesus mais crescido, que, sorridente, procura o colo de Maria, perante o olhar enlevado doutra criança imediatamente atrás de si. Este quadro apresenta um lado mais humano da sagrada família, pois junta-lhe outras figuras, com quem possivelmente confraternizaria quotidianamente. Mais uma vez, S. José aparece numa posição subalterna.

A tela de Rafael destaca-se pela diversidade de cores e pela comunicação de estados de alma que as formas das personagens nos transmitem. Há uma preocupação clara de Sanzio em revelar a alegria de Cristo, o ar pachorrento de S. José, a satisfação de Maria. No meu entender, o pintor humanizou estas figuras divinas com esta composição artística.

Nestes três quadros, que não são mais que uma escolha pessoal, está bem evidente como a arte homenageou o Natal e com este acontecimento marcou a afirmação artística dos melhores pintores que a humanidade conheceu.

Gabriel Vilas Boas

  

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A NOITE MAIS BELA DO ANO...




… é a noite de Natal!

Na voz, no olhar, nos gestos, nas palavras, nos sentimentos, somos a Alegria, a Paz , a Luz, o Amor com que desejamos encher a nossa vida e a dos outros.

António Gedeão dizia, com alguma ironia, que “hoje é dia de ser bom”, de pensar nos outros e nas misérias do mundo, desejando que tudo se componha a preceito de todos como num qualquer truque de magia.
O mais irónico e formidável é que isto não tem ironia nenhuma. O verdadeiro milagre da noite de Natal é que este sentimento de bondade, fraternidade e paz se apossa de milhões e milhões de pessoas, um pouco por todo o lado, com uma sinceridade tão assombrosa quanto efémera.  



Retenho o meu coração no lado luminoso da moeda humana. Comove-me a força incomensurável do bem, do amor. Ela é a vela na escuridão, o alento no desânimo, a força nas tempestades da vida.
Esse desejo incontrolável de desejar um bom Natal a todos aqueles com quem te cruzas, essa necessidade de presentear quem amas, aquela preocupação em estares presente é muito mais que um cliché que te ensinaram; é a magia única e irrepetível duma noite que devemos viver.





Contra todos os pessimismos, hipocrisias, solidões e mágoas, tens o poder duma noite fria de dezembro. Por muito peso que lhe ponhas em cima, a noite mais bela do ano tem um coração tão leve como uma pena e daqui por um ano procederá a mais uns milhões de milagres em simultâneo.
Quando, daqui a alguns minutos, me sentar naquela mesa cheia de luz e amor, agradecerei muito, à noite mais bela e poderosa do ano, o facto de me ter feito feliz.


Gabriel Vilas Boas

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

AO SOM DE... WHITE CHRISTMAS




Nestes dias que antecedem o Natal, ouve-se música natalícia por todo o lado, nas ruas, lojas, cafés, rádio e televisão. As árvores enfeitadas, o presépio e toda a restante decoração, remetem-nos para um Natal frio e branco que segundo parece não vamos ter. Não há neve, nem o frio exige muitos agasalhos. Será um Natal luminoso, com sol, com toda a doçaria que a tradição impõe e claro, com muita música.
             
   São tantas as canções de Natal que se tornaram verdadeiros standards desta quadra que não é fácil escolher apenas uma, mas de todas, talvez a que tenha alcançado maior êxito seja “White Christmas” de Irving Berlin. Esta canção foi composta em meados do século XX, e desde então interpretada por inúmeros cantores. O seu autor, Irving Berlin, nasceu na Rússia, mas aos 5 anos emigrou com a família para os Estados Unidos, onde viria a alcançar um grande sucesso como músico apesar de ser um autodidata ao piano e ter poucos conhecimentos musicais.



 Rodeou-se de bons colaboradores que escreviam exatamente aquilo que Irving Berlin tinha em mente. Um dos seus maiores êxitos foi sem dúvida esta canção de Natal, que todos os anos é cantada em todos os países onde se celebra o nascimento de Cristo, na língua original em inglês, mas também em traduções para as mais diversas línguas.
Um dos intérpretes que mais celebrizou a música foi o ator e cantor Bing Crosby que aqui aparece no musical de 1954 “White Christmas” com Danny Kaye.
Margarida Assis