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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O SORRISO



Sorrir faz bem à saúde, mas sorrimos pouco.
Sorrir sem razão parece-nos tonto, descabido, embora nos saiba muito bem aquele sorriso parolo que alguém nos dedicou sem nenhuma razão aparente, ainda que para nós tenha feito todo o sentido.
Um sorriso é mais que um gesto de cortesia ou uma simpatia de conveniência. Um sorriso é um pequeno e valioso presente que podemos oferecer a quem se cruza connosco. Para certas pessoas constituirá a coisa mais importante daquele dia e recolherão desses breves instantes sem palavras o alento para enfrentar as dificuldades quotidianas.

Como não sorrir? Como não retribuir um sorriso? Não apenas à criança ou ao velho, mas também à empregada do café, ao parceiro de viagem no metro, ao vizinho, à filha, à colega de trabalho que nem nos cumprimenta.
Quando simples e sincero, o nosso sorriso cria alegria, devolve confiança reinventa autoestima. É uma corrente de energia que se cria.
Sorrir faz bem à saúde… da alma e do coração. Através dele dizemos “Olá!”, “Bom Dia!”, “Que bom ver-te”, “Gosto de ti!”, “Já tinha saudades tuas!”.
Sorrir é uma questão de atitude perante a vida e perante os outros. O sorriso que dás ao outro a ti regressa, ainda que possa ser outra pessoa a tratar da retribuição.
Sorrir é a maneira mais fácil e simples de criar boa disposição, alegria e felicidade naqueles que nos rodeiam.
Hoje é o Dia do Sorriso. Se não começou com um, tem uma excelente oportunidade de emendar essa face contraída, sofrida ou autoritária, sorrindo à primeira pessoa que encontrar após ler este texto. Se não encontrar ninguém por perto, desligue o computador ou ligue a câmara do telemóvel e dedique-se um longo e saboroso sorriso.

Gabriel Vilas Boas

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O QUE PENSAS E O QUE SENTES

Há quem diga que podemos escolher o que pensamos, mas não podemos escolher o que sentimos. Na verdade, acho que nem o que pensamos podemos escolher.
Se não anestesiarmos a mente e a consciência, os factos são o que são e não podemos fugir deles. Ignorá-los é uma forma de engano que dura pouco.
Também é um engano achar que dominamos as emoções, os sentimentos. São ainda mais poderosos que as razões. Colocar pedras de gelo sobre eles, reprimi-los, combatê-los, detestá-los não termina com eles. Na verdade, em muitos casos, apenas os alimenta e lhes dá força.
O que fazer? Aceitá-los, quer as razões quer aos sentimentos, por mais antagónicos que sejam.


E quando as duas realidades chocam brutalmente? Os opostos tanto chocam como se atraem, mas o melhor é quando se complementam. Quando correm um contra o outro, razão e sentimento estafam-se em duas linhas paralelas, sem nunca se encontrarem, apesar de ser esse o objetivo. Quando correm um pelo outro, razão e emoção facilmente se cruzam e tornam qualquer decisão mais confortável.
Todas as grandes decisões exigem instinto, mas não sobrevivem à irracionalidade. O instinto não se compra no supermercado, mas a razão pode ser trabalhada, alterada… basta que os factos em análise sejam diferentes.
O carro perfeito combina a velocidade e a paixão dos italianos com a perfeição e a segurança na travagem dos alemães. Não podemos ter os dois? Claro que podemos. O que pensas e o que sentes podem estar de costas voltadas, mas estão muito longe de ser incompatíveis.
Gabriel Vilas Boas


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

GUTERRES, SECRETÁRIO-GERAL DA ONU




A indigitação de António Guterres para Secretário-Geral da ONU foi a melhor prenda de aniversário que a república portuguesa podia ter.
Guterres era indiscutivelmente o melhor dos candidatos ao cargo e fará um excelente lugar. Com esta eleição António Guterres torna-se o primeiro português a atingir um cargo de verdadeiro relevo político a nível internacional.
As qualidades do antigo primeiro-ministro português assentam como uma luva neste cargo: tecnicamente bem preparado, congregador de vontades, humanista, gerador de consensos, profundo defensor dos direitos humanos e do valor da paz, uma clara vocação para servir.

Quando abandonou o poder, em 2001, ficámos com a ideia de um político fraco, um perdedor, incapaz de drenar o pântano de corrupção e compadrio que o rodeava. Talvez isso fosse verdade, mas esquecemos de falar da dignidade de um homem bom, que soube abdicar quando se sentiu impotente para contrariar aqueles que apenas se queriam servir da política.
O percurso público, cívico e político não parou nesse falhanço, porque Guterres soube reconhecer também as suas qualidades e perceber onde podia intervir. Dez anos de ACNUR pareciam ser um epílogo feliz para uma carreira política densa, mas «o indeciso» quis mostrar que seria capaz de voar como um condor e alcançar o  que nenhum português tinha sido capaz de atingir. Fê-lo cumprindo o mandato na ACNUR até ao fim, fê-lo rejeitando a glória certa da eleição para presidente da república, fê-lo sujeitando-se a um processo de eleição em que se apresentava completamente despido de apoios negociados nos bastidores, apostando tudo na demonstração das suas qualidades para o cargo. E como o fez bem! Venceu todas as etapas de modo inequívoco; manteve-se firme perante todas as sujas manobras de bastidores, até que finalmente a sua estrela brilhou! Merecidamente!

2016 é definitivamente o ano de Portugal. A eleição de Marcelo Rebelo de Sousa foi uma espécie de talismã da sorte que tem guindado o país a vitórias importantes no panorama internacional e com as quais sempre sonhámos. O mais engraçado é que todas elas foram por mérito. Quando não se desiste, não há sorte ou azar que resista.

Gabriel Vilas Boas    

terça-feira, 4 de outubro de 2016

FAT-TAX: MÁS IDEIAS DA GERINGONÇA PARA GORDOS E GULOSOS


O governo português tem a intenção de criar mais um imposto indireto: aumentar a carga fiscal sobre os produtos de consumo prejudiciais à saúde, ou seja, fast-food, refrigerantes, bebidas energéticas, snacks, doces, chocolates, gelados…
A ideia não deve ter partido do inábil Mário Centeno, mas do malabarista António Costa, que se sustém no poder como uma habilidade tão surpreendente que até Bruxelas, Berlim, o comité central do PC, as guerreiras do BE e o hipócrita-moralista Correio da Manhã andam abismados.
Como é próprio de qualquer geringonça sonsa, o imposto é lançado em forma de ideia-boato, mas a decisão já deve estar tomada, pois a apresentação do Orçamento para 2017 está para breve.

Costa, o nosso primeiro-ministro que diz devolver rendimentos aos pobres, mas ao mesmo tempo se prepara para taxar a comida que os pobres podem comprar, pode não saber muito de economia, mas de política de sobrevivência é mestre.
O líder do governo não fez crescer a economia e não tem como pagar os rebuçados que comprou a crédito para oferecer aos portugueses. E se Passos nos amedrontava com cortes nos salários e nas pensões cada vez que ia a Bruxelas ouvir o sermão do alemão, Costa anuncia-nos impostos indiretos, que procura fazer passar por educativos e de justiça social. Vai taxar o sol, o sal, as casas de férias, as gorduras e os doces. Pelo caminho carrega um bocadinho mais nos impostos sobre os combustíveis e ainda nos vai convencer que é para nos obrigar a andar a pé, pois estamos com excesso de peso.
Costa trata-nos da saúde: comidinha só da saudável; exercício físico obrigatório, de casa para o emprego e do emprego para casa sem precisar de passar pelo ginásio. No final do mês é uma renda em poupança. Ainda lhe havemos de agradecer tanta preocupação com a nossa longevidade. Deve ser por isso que está a pensar em satisfazer o avô Jerónimo, aumentando as reformas mais baixas em trinta cêntimos por dia. Aumentos nunca vistos! Deve dar para meio café, se não aumentar a taxa da cafeína.

É verdade que a Fat-Tax já tinha sido pensada pela dupla Passos-Portas em 2014, mas toda a gente sabe que o CDS não abdica de sobremesas e o PSD adora salgadinhos, além dos jotinhas ainda não terem deixado a coca-cola. A medida não avançou.
Costa falará dos grandes exemplos que nos chegam do norte da Europa, onde a Finlândia taxa a valer os chocolates, os refrigerantes e os gelados e a Hungria, que não quer refugiados… perdão, gente que consome snacks, doces, refrigerantes. Dirá que Hollande não é o cobardolas que se diz, pois já enfrentou a Coca-Cola e prepara-se para arrostar contra a MacDonalds. 
Costa sabe que os media vão acentuar o lado oportunista da medida, mas também sabe que os jornais e as televisões que o odeiam vivem de um moralismo de pacotilha e por isso decidiu ser tão hipócrita como eles.
A medida vai atingir os pobres, que aos fins-de-semana costumam brincar aos ricos nos restaurantes fast-food dos shoppings. Serão eles as principais vítimas da Fat-Tax, a não ser que os ricos magnatas da Coca-Cola, da Macdonalds e da Santini consigam convencer Mário Centeno que ainda é ministro das Finanças. Pouco provável. Costa costuma tratar das coisas sérias do orçamento com a terrível Mariana, a irrequieta Catarina e o camarada Jerónimo. Eles já devem ter decidido que os gordos e os gulosos deixam de ir ao ginásio.

Gabriel Vilas Boas  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

SE NÃO MUDAS A BEM, MUDAS A MAL


Num dos seus mais célebres sonetos, Camões dizia que “Todo o mundo é composto de Mudança”. Anunciava que não mudavam só os tempos, mas também as vontades e a confiança.
Obviamente que percebemos que mudem os tempos, mas custa-nos que mudem as vontades, a não ser que seja a nossa. Quanto à confiança, só muda quando se perde.
Por que resistimos à mudança? Por medo, claro. A atração da novidade não consegue vencer o temor do desconhecido. Mudar significa sair de uma zona de conforto para uma zona de insegurança absoluta e isso aterra. No entanto, há momentos em que temos de mudar. E o melhor é sermos nós a liderar o processo, porque podemos influenciar o destino dessa mudança enquanto se formos forçados a ela, serão as vontades dos outros a triunfar.
A mais importante das mudanças é a mudança interior. Quando sentimos a insatisfação a corroer-nos a vida nas mais pequenas coisas, é porque algo não está bem connosco. É o emprego que não nos satisfaz, são determinadas relações que se esgotaram, é a nossa rotina diária que nos aborrece.

Isto aconteceu porque, sem darmos por isso, nós fomos mudando e aquilo que nos satisfazia e completava, há alguns anos, deixou de nos fazer felizes.
É muito difícil assumir que somos infelizes. Com frequência usamos o eufemismo para caracterizar a situação ou adiamos pensar nela, até porque pensar sem daí tirar as devidas consequências só aumenta a insatisfação e a infelicidade.
Quando nos recusamos a iniciar o processo de autoanálise, com o objetivo de implementarmos a necessária mudança interior que nos devolva paz, alegria de viver, satisfação, estamos a deixar campo aberto para que os outros usem e abusem da nossa insatisfação, tornando-a caótica e, por vezes, degradante. Mudamos à força. Não para aquilo que queríamos, mas para mais infelicidade.
Claro que todas as mudanças comportam perdas, sejam elas materiais, emocionais, relacionais. Todavia, se ela for conduzida por nós (e não tem de ser à bruta), a insatisfação e a infelicidade deixarão de estar «in» nas nossas vidas. E isso é um bem a não desconsiderar.
Gabriel Vilas Boas 

domingo, 2 de outubro de 2016

OS NEGÓCIOS DA IGREJA PORTUGUESA NÃO FORAM, NÃO SÃO NEM SERÃO FISCALIZADOS


 Que interesse há em aprovar uma lei que tem por objetivo verificar a viabilidade financeira das Fundações, através da sua fiscalização, se depois se isentam as Fundações ligadas à Igreja Católica de se submeter a esse escrutínio? Muito pouco. Não se mata o problema nem a suspeita, além de se beneficiar ilegitimamente um grupo específico da sociedade portuguesa.
Mais uma vez o governo português teve falta de coragem e usou a imprensa para embaraçar a Igreja Católica. E realmente a Igreja Católica parece ter motivos para se sentir embaraçada. Nada justifica que as suas Fundações não se submetam ao mesmo escrutínio de viabilidade financeira que as outras Fundações.

A Igreja Católica já beneficia de benesses excepcionais mais do que devia por causa da Concordata, mas este foi um favor imoral, altamente criticável e suspeito. A Igreja devia ser a primeira a mostrar as boas contas das suas Fundações, a sua utilidade social assim como a sua viabilidade financeira. Tinha essa obrigação moral, tinha essa obrigação legal. Negociar por debaixo da mesa com um governo de direita (tradicional dócil com a Igreja que lhe costuma devolver os “fretes” nas homilias) é uma coisa feia.
Quando se fala de dinheiro, da prestação de contas sobre as ajudas que recebe do Estado, a Igreja portuguesa tem uma responsabilidade ética e moral superior aos restantes grupos sociais.
O governo não pode ter medo da Igreja nem deve usar esta tática de atirar a pedra e esconder a mão. Se há um problema, uma injustiça, uma imoralidade há que enfrentá-la com os poderes que tem: a alteração da lei ou das exceções à lei.
Os jornais também não podem ficar só pela denúncia. Têm que questionar o episcopado, questionar o governo, investigar aquilo que não foi controlado. Não podemos andar sistematicamente a destapar imoralidades e depois não ter a coragem de acabar com elas.
Se o objetivo era envergonhar, amedrontar, condicionar, podem tirar o cavalinho da chuva. Os padres são como o resto da sociedade: sabem perfeitamente assobiar para o lado.

Gabriel Vilas Boas

sábado, 1 de outubro de 2016

DESISTIR É A PIOR DAS SOLUÇÕES

Quando desistes nunca chegas a saber o quão perto estavas de atingir o que querias!
Por vezes, a dificuldade de um objetivo, os sucessivos obstáculos que se nos deparam ou o medo de uma derrota levam-nos à desistência. É a pior das opções! 
Podemos não conseguir, podem ser mais fortes que nós, mas desistir raramente é a solução. Mesmo contra todas as expetativas, podemos triunfar. A derrota faz parte do «jogo» e precisamos tanto de a saborear como a vitória. Até para nos convencermos que não havia mais nada a fazer.
A maioria dos nossos objetivos não são impossíveis de alcançar. Mudar de emprego, ganhar melhor, progredir na carreira, melhor qualificações pessoais/profissionais, emagrecer, fazer amigos… Tudo isto é mesmo possível, embora uns consigam e outros não. Na maioria dos casos é mais uma questão de persistência e valorização pessoal do que competência.

Em primeiro lugar é preciso “querer mesmo” atingir determinado objetivo. Não querer porque é moda, porque os outros querem, porque quero satisfazer um capricho. Querer porque “eu gosto”, querer porque me faz feliz, querer porque me sinto realizado  
Em segundo lugar é preciso ter a noção que precisamos de fazer sacrifícios por esse objetivo maior. Despender tempo, energias, dinheiro, inteligência. Fazer opções que implicam abdicar de algo que gostamos, mas não tanto assim.
Em terceiro lugar, valorizarmo-nos. Somos tão capazes como os outros. Acreditar nas nossas capacidades é fundamental para atingir o sucesso.

Em quarto lugar, perceber aquilo que nos derrota sistematicamente e ter a humildade de mudar.
 Se nas relações pessoais falhamos porque somos demasiado egocêntricos, temos de reconhecer essa falha e alterar comportamentos. Se não conseguimos promoções no emprego por causa do nosso feitio ou porque nos recusamos a aceitar/incorporar os reparos dos nossos superiores, o caminho da vitória passa sempre pela mudança. Se temos medo da mudança, temos de promover frequentemente pequenas mudanças na nossa vida, até sermos capazes de assumir mudanças maiores.
Mesmo fazendo “tudo direitinho”, podemos falhar? Podemos! Não estamos sozinhos no mundo! Os outros podem ser simplesmente melhores ou não estarem interessados no nosso projeto ou na nossa colaboração. A derrota faz parte vida. Por vezes, é ela que nos ensina quão saborosas são as vitórias.
Mesmo perdendo, uma coisa fica resolvida: não ficamos a pensar como teria sido, mas não foi porque não tivemos coragem de ir a jogo.

O futuro está cheio de novos desafios, que só poderão ser vividos se não nos viciarmos em desistências.
gavb