O governo português abriu 462 vagas para contratar médicos especialistas. Não porque precise deles para combater a pandemia, mas porque o sistema nacional de saúde, já não aguentava mais tal carestia de meios.
Ao fim de quase seis anos de governo PS, apoiado pelo BE e pelo PCP, as autoridades portuguesas descobrem que lhe faltam quase 500 médicos no SNS. Incrível o tamanho da hipocrisia política!
Depois de anos a deixar sair médicos e enfermeiros do SNS, sobrecarregando até à exaustão aquelas que recusaram abandonar os seus doentes, o governo acena aos médicos do privado com a contratação pública.
O mais certo é grande parte das vagas ficarem por preencher, porque trabalhar para o Estado português deixou de ser motivo de orgulho, para muito profissionais de saúde, tais foram as desconsiderações, falta de incentivos reais e parcas condições de trabalho que o ministério da saúde dedicou (e ainda dedica) a muitos profissionais.
É um sintoma preocupante de doença do sistema público português quando nem a carreira de médico em funções públicas é suficientemente atrativa para um jovem licenciado.
A diabolização daqueles que serviram (muitos ainda servem) o Estado português, nos hospitais, nas esquadras, nas escolas, nas repartições começa a produzir os seus nefastos efeitos e tem dois grandes responsáveis: os partidos políticos, que não souberem nem governar nem defender médicos, professores, polícias, magistrados, e grande parte da população (bem instrumentalizada por partidos e fazedores de opinião) que foi sugerindo que o serviço público era medíocre e dispensável. Não era, mas está a caminho.
Qualquer cidadão minimamente consciente sabe perfeitamente que são necessários bons médicos, bons professores, bons magistrados, bons polícias. Como sabem que não podemos achincalhar e enganar profissionais competentes e sérios, porque, por mais amor que tenham ao seu país e aos seus concidadãos, eles também têm dignidade.
A ministra da saúde quer contratar cinco centenas de médicos especialistas. Ela sabe que provavelmente não o conseguirá. Grande parte da culpa não é dela, mas será mais uma vez ela a pagar a fatura do insucesso.
Tanta vezes médicos enfermeiros lhe pediram uma audiência, reclamaram por ajuda e obtiveram uma mão cheia de nada. Agora são eles que não têm tempo para atender um governo doente e uma ministra cansada e sem soluções para o SNS. Talvez ela perceba finalmente que os doentes não se tratam com finais da Champions em Lisboa.
GAVB
Sem comentários:
Enviar um comentário