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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O COMBUSTÍVEL BOM E O COMBUSTÍVEL MAU

Mário Ceteno quer mesmo o Óscar de Melhor Artista Político do Ano e é capaz de o conseguir, embora a concorrência de António Costa e Azeredo Lopes seja feroz.

Depois da rábula da reforma sem cortes aos sessenta anos de idade e quarenta anos de descontos, que afinal é só para uma pequena minoria e terá, ainda assim, alguns cortes, agora, o suposto Ronaldo do défice, anuncia a redução do ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos), mas só para a gasolina, como se o gásoleo não fosse petrolífero, mas feito de hidrogénio. 

Centeno gosta imenso destes golpes de ilusionismo, como se o povo português não lhe apanhasse a «marosca». Centeno reduz o ISP sobre a gasolina para tentar contornar a votação da Assembleia da República, no final do primeiro semestre do ano, que obrigava o governo a terminar com a sobretaxa que o Executivo aplicava aos produtos petrolíferos e que já não se justificava, dada a acentuada subida da cotação od petróleo nos mercados internacionais.

Na altura, Mário Centeno explicou que a medida só podia ser aplicada no Orçamento de 2019, agora quer fugir com o imposto à seringa da lei, aplicando-a apenas à parte menor da fatura, ou seja, à gasolina, já que os veículos a gasolina são menos de metade dos a gasóleo.

Detesto estes truques políticos, que me fazem lembrar contabilidade criativa e aquilo que a política tem de pior: a arte de contorcer a realidade. 
Esforço desnecessário e ridículo, ainda ssim perdemos muitas energias neste fogo de artíficio de pobre.

GAVB


domingo, 28 de outubro de 2018

OS BRASILEIROS ENCHERAM O SACO E ELEGERAM BOLSONARO


BOLSONARO GANHOU EM DEMOCRACIA, COMO TRUMP E JOSÉ SÓCRATES

Muitos europeus e em especial os portugueses não conseguem entender como Bolsonaro “ganhou” as eleições presidenciais brasileiras. Já foram ensaiadas várias teorias, desde a pouca instrução de grande parte do povo brasileiro (argumento rasteirinho), à influência do Whatsapp, passando pela falta de segurança nas ruas das principais cidades brasileiras e acabando no inevitável ódio à corrupção personificado no PT de Haddad.

Os brasileiros sabem quem é Bolsonaro e como ele pensa e promete agir. Mesmo assim ou, se calhar, por causa disso, quiseram votar nele. Sim, no Bolsonaro que ia (vai) atirar na “pretalhada” ou perseguir os homossexuais, no Bolsonaro que vai dar livre trânsito à polícia militar. 

Bolsonaro promete trazer segurança, venha ela da maneira que vier, e melhoria económica, seja ela conseguida à custa de direitos sociais ou laborais. Isso contou pouco, para os brasileiros. Não me digam que eles não sabem ao que vão, porque sabem.

Bolsonaro é eleito com o voto de dezenas de milões de brasileiros, muitos deles bastante informados e letrados. Se contassem os votos dos brasileiros que vivem fora do Brasil, Bolsonaro já tinha sido eleito à primeira volta.

A corrupção não vai acabar, pois ela é um fenómeno cultural que criou raízes ao longo de séculos e não é uma prioridade para Bolsonaro, mas o PT vai penar amargamente tantos anos de desmandos e soberba.


Os brasileiros “encheram o saco” e deixaram de importar com os factos ou ameaças de retrocesso na liberdade de expressão e na igualdade entre todos; hoje, eles votaram por convicção, tal como os americanos com Trump, os portugueses com José Sócrates ou os italianos com Conte e Salvini.  Neste particular, nenhum povo dá lições ao outro.



O que estas escolhas demonstram, quanto a mim, é a prevalência do pior do ser humano, quando os problemas apertam. Apesar de todo o conhecimento, de toda a evolução social e política desde finais do século XVIII, com os ideais da Revolução Francesa, parece que regressamos ciclicamente ao homo homini lupus est  (O Homem é o lobo do próprio Homem). 

É esse eterno regresso ao básico instinto que me deixa triste. Os problemas são cíclicos, mas as soluções têm de ser mais astuciosas por parte de quem decide, ou seja, os milhões e milhões de eleitores que ganharam o direito a votar, a ler, a escrever, a dizer o que pensam, a decidir o seu destino, mas, muitas vezes, abdicam de todos esses direitos em favor do “homem providencial”, que na verdade não existe.
Uns anos em democracia e já nos cansámos da trabalheira que isto dá?

GAVB

sábado, 27 de outubro de 2018

A POUPANÇA EM SALÁRIOS NA EDUCAÇÃO SERÁ GASTA EM REFORMAS: MAIS DE TRÊS MIL PROFESSORES PASSARÃO À APOSENTAÇÃO

Hoje, o jornal mais sensacionalista de Portugal titulava que "Poupança de 194 Milhões em Salários Da Educação", e alguns professores replicaram a notícia sem cuidarem de perceber o "como" e o "porquê", o que me deixa triste, especialmente quando tanto nos queixamos da falta de seriedade com que leem os nossos números e nos julgam erroneamente e, por vezes, com malvadez. 
De facto, tanto dinheiro a menos em salários de professores e funcionários tinha de ter como explicação lógica a aposentação de milhares de professores e funcionários das escolas e não o despedimento em massa de docentes, numa altura em que até entraram várias centenas nos quadros, pela primeira vez.

Os sindicatos de professores sabem perfeitamente que mais de três mil professores estão em condições de pedir a aposentação e que isso acarreta uma transferência de despesa de mais de 150 milhões de professores. 
Há cerca de um ano, o JN anunciava que cerca de três professores ascenderiam finalmente ao 10º escalão. https://www.jn.pt/nacional/interior/tres-mil-professores-sobem-ao-10o-escalao-8928050.html
Ora, se multiplicarmos o rendimento bruto anual desses docentes por cerca de 3000, encontraremos um valor aproximado de 150 milhões de euros. Ainda falta aqui contabilizar o valor pago aos funcionários e a algumas centenas de professores do 8.º e 9.º escalões que também se irão aposentar. Com a soma destes valores, chegaremos ao valor anunciado pelo Correio da Manhã, sem mais explicações.

No meu entender, o que a notícia deixa em aberto, é o destino desses 194 milhões, dentro do orçamento da Educação. Não sendo eles gastos em salários, onde serão aplicados, tendo em conta que o Ministério da Educação não sofrerá um corte de 200 milhões no seu Orçamento?
Serão gastos em infraestruturas? Há notícias que o Parque Escolar aumentará a sua dotação, mas não há notícias concretas sobre a política de investimentos do ME, até porque não é norma os ministros falarem abertamente dos planos de gastos dos seus ministérios, para cada exercício orçamental. É um mau princípio, porque se tivesse o hábito de explicar e esclarecer, seria sempre possível não cair em críticas desnecessárias ou injustas e, sobretudo, discutir opções políticas com mais abertura, clareza e hnestidade intelectual.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

PAI, QUE ALIMENTAVA OS FILHOS COM BOLOS E COCA-COLA, FOI PRESO, EM FRANÇA



Numa decisão inédita, mas provavelmente acertada e profilática, um tribunal Francês, acaba de condenar a três meses de prisão efetiva um pai, por negligenciar gravemente na alimentação e educação dos seus filhos, um com três anos e outro com quatro.
Quando entraram em casa do lamentável progenitor daquelas duas crianças, os serviços sociais de Limoges deram-se conta que aquela família vivia em condições de insalubridade e não havia comida no frigorífico.

O pai, um alcoólico violento e já referenciado pelos serviços sociais desde 2016, alimentava os seus dois filhos à base de coca-cola e bolos, apesar de receber apoio financeiro suficiente para alimentar e vestir as crianças de forma adequada. Obviamente o dinheiro era gasto, quase na sua totalidade, em vinho.
As crianças já foram  enviadas para uma família de acolhimento, onde chegaram em estado deplorável: a mais nova praticamente não fala e a mais velha já tinha perdido sete dentes devido ao excesso de açúcar ingerido, proveniente dos bolos e coca-colas em excesso.

A notícia destaca a inusitada dieta alimentar daquelas duas crianças franceses, a mim chamou-me à atenção outros pormenores.
Desde logo a pouquíssima instrução do pai. “Não sabe, ler escrever nem contar”. Com insuficiências tão básicas como poderia ele saber como alimentar os seus filhos? Realmente, a educação básica é um bem essencial, sobre o qual se constroem quase todos os outros. 

Outro pormenor relevante desta notícia é a ausência da mãe. A notícia nada diz sobre ela, mas a sua ausência naquela família disfuncional ajuda a entender o estado periclitante a que os seus filhos chegaram.

Mesmo partindo do princípio que um infortúnio qualquer afastou esta mãe dos seus filhos, é pouco aceitável que a Segurança Social de Limoges tenha tido a ousadia de deixar à guarda de um homem permanentemente bêbado e sem qualquer instrução dois crianças de tão poucos meses. As graves falhas deste pai já acontecem desde 2016, mas só agora ele ficou impedido de lhes fazer mal.

A pena de prisão pode parecer algo despropositada, mas a mim parece-me certíssima. Três meses na prisão, sem álcool, são o tempo necessário para refletir sobre a vida, as suas responsabilidades enquanto pai, a sua dependência do álcool e a tendência para a violência.

Chamar a atenção para os bolos e a coca-cola capta leitores e atiça comentários, mas tira o foco de algo mais importante e grave: a importância da Educação  na construção dos alicerces sociais de qualquer país; a ligeireza com que algumas instituições sociais avaliam as condições de certos progenitores ascenderem à condição de pais. Parece uma ligação automática, mas não é. 
GAVB

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

POR QUE RAZÃO CHAMAMOS LAMPIÕES AOS BENFIQUISTAS?

Os benfiquistas não gostam lá muito, mas a verdade é que são conhecidos como lampiões, pelo menos quando entramos num registo mais descontraído e brincalhão. 

De onde vem esta ligação?

A história aponta duas razões e ambas remotam aos primeiros anos da história do clube, ou seja, há mais de cem anos.

Em 1908, quando já se tinha dado a fusão entre o Sport Lisboa e o Sport Clube e Benfica, o então capitão de equipa (Cosme Damião) teve de pagar 720 réis às Companhias Reunião de Gás e Eletricidade, por prejuízos causados num candeeiro de iluminação, uma vez que uma bola chutada violentamente pelo cpitão Cosme Damião, durante um treino, ultrapassou a vedação do campo e atingiu mortalmente um globo e lâmpada de iluminação pública. Como nessa altura, esses candeeiros eram conhecidos como "lampiões", os benfiquistas começaram a ser tratados por lampiões.

A alcunha pegou definitivamente em 1919, quando o capitão Cosme Damião conseguiu convencer o reeleito presidente Bento Mântua a pagar do seu próprio bolso a instalação elétrica do campo em que a equipa encarnada jogava.
Cosme Damião tinha ficado impressionado com um jogo noturno, em que participara, no Brasil. E Bento Mântua fez-lhe a vontade. Em Setembro de 1919, colocaram-se dezoito mil refletores de mil velas nas bancadas enquanto nos camarotes elevado número de velas brancas e encarnadas acendidas, colocadas alternadamente, fizeram um efeito deslumbrante e o povo que assistiu ao jogo achou que eram lampiões no estádio. O efeito foi surpreendente e a partir daí os benfiquitas começaram a ser conhecidos como os lampiões. 



domingo, 21 de outubro de 2018

AFS - INTERCULTURA: ABRIR A CASA, O PAÍS E O CORAÇÃO AO OUTRO

A AFS é um organismo que surgiu nos EUA após a 2ª guerra mundial, para socorrer as vítimas da guerra.
Depois que a guerra terminou decidiram continuar como organismo mas numa missão de paz, tolerância, entendimento de diferentes culturas, troca de experiências com jovens de vários continentes.
Através deste organismo, jovens portugueses podem inscrever-se e viver uma experiência num país do mundo à sua escolha, de entre os países que se disponibilizam para os receber. Por sua vez o nosso país tem também protocolos com alguns países e recebe todos os anos cerca de 90 estudantes. Alguns ficam três meses, outros seis e outros 9 meses (um ano letivo).
As famílias portuguesas inscrevem-se e são sujeitas a uma seleção que inclui uma entrevista na nossa casa para que a AFS verifique as condições para receber um estudante e as motivações que as levam a receber um jovem na sua casa.

O estudante segue um programa académico, ou seja, frequenta a escola secundária mais próxima da família de acolhimento. Sempre que possível pode praticar um desporto que exista e seja do agrado do estudante e participar em alguma atividade cultural disponível caso seja do seu agrado.
O que se recebe por esta experiência é essencialmente a parte humana e cultural de ter connosco um jovem que partilha connosco o dia a dia, a sua vivência que se mistura com a nossa. É muito bom!
A AFS acompanha o estudante, cada um tem um voluntário de contacto que vai monitorizando o seu estado, adaptação ou alguma dificuldade. A AFS proporciona aos estudantes várias atividades, começou logo à chegada a Lisboa, ficaram juntos um fim de semana em Lisboa. Depois, cada núcleo organiza-se de forma a proporcionar aos estudantes várias atividades.

No nosso caso, o Porto é a cidade escolhida e onde os estudantes se juntam mais vezes, percorram-na e já a conhecem razoavelmente. Passaram também um dia em Braga.
Este fim de semana, por exemplo, estão num campo, na Foz do Douro Porto, também organizado pela AFS.
Além disso, cada família, segundo as suas possibilidades proporciona ao estudante outras saídas de forma a conhecer outros locais do nosso país.
É uma experiência que recomendo. No nosso caso, depois de termos recebido um jovem russo com 15 anos e agora uma jovem da Bélgica com 17 anos, tenho a dizer que este programa é muito bom, enriquecedor a vários níveis, para eles, para nós enquanto casal e para os nossos filhos. A empatia e abertura destes jovens é imensa e isso facilita grandemente a integração na família e mesmo na escola. A Escola de Vilela, Paredes, recebe muito bem estes estudantes, acarinha-os e dá-lhes o apoio que necessitam.


Fátima Costa

sábado, 20 de outubro de 2018

PROFESSORES, É PRECISO ACABAR COM O DISCURSO DE CALIMERO

Todas as semanas aparece uma queixa nova: o salário que não atualiza há décadas; os alunos que são agressivos e mal-educados; o cansaço físico e psicológico que toma conta da mente e do corpo; os pais que reclamam injustificadamente a nota dos filhos mas recusam responsabilidades perante a sua má educação; O Ministério da Educação que promete melhores condições salariais e de trabalho e depois não cumpre; a modernização do ensino imposta «de cima» sem ouvir os professores, quando estes é que estão no «terreno»....

Os professores entraram numa espiral de queixas e queixinhas, que os degasta imenso, e aumenta a antipatia social de que atualmente gozam. Não é por ser os professores, pois o mesmo aconteceria com qualquer outra classe profissional se assumisse a atual postura da classe docente.

É urgente que os professores mudem de registo, deixando esta infeliz atitude de Calimero, a quem todos devem e ninguém lhes paga. 

Os professores têm justas reivindicações, mas não são os únicos e, sobretudo, devem perceber que há um tempo para falar e outro para calar!
Calar não significa desistir ou ceder, mas tão só serenar a mente e encontrar outras estratégias para chegar ao porto pretendido.
No últimos anos, os professores somam derrotas, em vários quadrantes, e algumas eram perfeitamente evitáveis. Quando se perde, a culpa não é sempre da prepotência do adversário ou da sua batota; muitas vezes, cometemos erros e seria bom que soubéssemos fazer autocrítica interna e privada. 

Um exemplo: para o bem e para o mal, os professores são representados pelos sindicatos (e dentro destes a Fenprof assume papel principal). Ora, a Fenprof tem, há décadas, a mesma estratégia comunicacional, e esta tem afundado a imagem dos professores, além de não conseguir resultados palpáveis. Não estará na altura de renovar a estrutura diretiva da Fenprof, para que outros professores possam mudar a perceção que a sociedade tem de nós, estabelecendo uma nova estratégia de atuação com o governo, a comunicação social e outras profissões? 
Parece-me que sim!

Parar, pensar, mudar!

Acho que a prioridade deve ser valorizar a profissão (não confundir com carreira). Não porque somos melhores que os outros, não porque temos mais razões de queixa, não porque sem nós o mundo não anda, mas porque queremos ser parte ativa numa sociedade moderna, humanizada, tecnológica, artística, com autoestima e que prioriza o conhecimento. 
Precisamos de nos concentrar na qualidade daquilo que fazemos, aceitando que a nossa profissão tem espinhos cruéis e rosas belíssimas e perfumadas, como qualquer outra. 

O tempo passa, as sociedades transformam-se, algumas evoluem, e se os professores querem assumir um papel de destaque na construção de sociedades mais inteligentes e humanizadas, têm de se deixar de queixume e azedume, de crítica e ceticismo, adotando uma atitude de resiliência, aprendizagem, humildade e ação colaborativa, que tanto recomendam aos seus alunos!

GAVB