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domingo, 30 de setembro de 2018

COMO É QUE O BRASIL PODE PENSAR EM BOLSONARO PARA PRESIDENTE?





"Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente que apareça com um bigududo por aí"
                                                                               Bolsonaro sobre a homossexualidade



“Pinochet devia ter matado mais gente” 

“O erro da ditadura foi ter torturado e não matar” 


“Não te estupro, porque você não merece” 
                                                                                   Bolsonaro para a deputada Federal Maria Rosário 



“Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados.”
  
Bolsonaro sobre o que faria se os seus filhos se casassem com uma negra ou um homossexual


“Mulher deve ganhar salário menor porque engravida.”

“Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Você está censurada.”
Declaração irritada de Bolsonaro, ao ser entrevistada pela jornalista Manuela Borges, que decidiu processar Bolsonaro.

A Polícia Militar devia ter matado 1000 e não 111.”
    Bolsonaro sobre o massacre de Carandiru

“Não vou combater nem discriminar, mas se eu vir dois homens se beijando na rua, eu vou bater.”

“Parlamentar não deve andar de ônibus” [autocarro]

Se o Brasil eleger Jair Bolsonaro, culpa não é de Bolsonaro, que só vale um voto, mas dos milhões que desprezam a democracia, a dignidade do ser humano, a liberdade e a igualdade de género e raça. Eleger Bolsonaro não é uma questão política, mas de falta de respeito pela história do Brasil e pelos direitos humanos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

TARIFA SOCIAL DA ÁGUA: 99 CÂMARAS AINDA NÃO APLICAM


Quando o governo criou, com pompa e circunstância, a tarifa social para o consumo de água, saneamento e resíduo, os portugueses ficaram com a ideia que todas as pessoas que cumprissem os critérios estabelecidos teriam acesso a ela. Era suposto que quem auferisse baixos rendimentos anuais ou dependesse do subsídio de desemprego, do rendimento de inserção, da pensão de invalidez e de velhice beneficiaria de desconto automático no valor a pagar na conta da água.

Supostamente a tarifa social aplicar-e-ia a quem tivesse um rendimento anual igual ou inferior a 5.808 euros, acrescido de 2.904 euros por cada elemento do agregado familiar sem rendimento. Por exemplo, um agregado com mais de uma pessoa sem rendimento partia de um rendimento elegível de 8.712 euros.


No entanto, o governo «esqueceu-se» de dizer algo muito importante: as autarquias não eram nem são obrigadas a aplicar a tarifa social nos seus municípios

E aproveitando essa possibilidade de adesão facultativa ( e não anunciada ao público em geral), um quarto das autarquias portuguesas continua a cobrar de igual modo gente carenciada e gente endinheirada, quer o preço da água quer o do saneamento quer o dos resíduos sólidos.

E de todas as autarquias que têm tarifa social, muito poucas são aquelas que as aplicam a todos os serviços (água, resíduos, saneamento). Num universo de 383 autarquias o cenário é o seguinte:
166 têm tarifa social  na água;
99 aplicam a tarifa social no saneamento
27 escolheram os resíduos para fazerem a sua obra a caridade com os pobrezinhos
99 autarquias não aplicam tarifa social, porque nada as obriga a isso.
É residual o número de autarquias que têm tarifa social em todos os serviços.


Outro dado relevante é o número de metros cúbicos de água que são considerados para o cálculo da tarifa social: 10 metros cúbicos. Manifestamente pouco, pois uma família de três ou quatro pessoas pessoas consome em média 15 metros cúbicos. 
Mesmo assim ainda há câmaras, como a de Felgueiras, que têm a lata de fixar uns míseros 5 metros cúbicos de água, como limite máximo a quem usufrui de tarifa social. Se a família exceder esse limite, paga tudo como se não tivesse tarifa social. Na prática, a tarifa social raramente é aplicada a quem consome realmente água.


Em conclusão, já não bastava as câmaras terem preços muito diferentes no que diz respeito ao preço da água, saneamento ou resíduos, para agora verificarmos que uma lei que devia proteger os mais necessitados é de aplicação facultativa e sem critérios uniformes ao longo do país. 
A grande conclusão que retiro é que a tarifa social ajuda muito mais a propaganda política do governo do que as famílias mais carenciadas. E por outro lado, fazer uma lei de cumprimento facultativo e parcial é aprofundar ainda as desigualdades entre cidadãos no acesso a um bem essencial como é a água.

Gabriel Araújo

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

TER UM FILHO NA UNIVERSIDADE CUSTA UM SALÁRIO MÍNIMO POR MÊS

Sete mil euros por ano, quase seiscentos euros por mês, é quanto uma família portuguesa tem de desembolsar para colocar um filho a estudar numa instituição pública de ensino superior. 
A maior fatia deste bolo cabe ao alojamento, seguido da alimentação, transportes, livros escolares, despesas pessoais e de saúde. Alguns alunos ultrapassam largamente este valor, aproximando-se dos mil euros mensais. Obviamente há muitas famílias portuguesas que não podem suportar tais encargos e o sonho dos filhos fica irremediavelmente perdido. 

Esta barreira económica impossibilita muitos jovens de alcançar uma situação profissional de acordo com as suas potencialidades, tornando a mobilidade social mais difícil.
Se tivermos em conta que o salário médio, em Portugal, ronda os 750/800 euros líquidos mensais, facilmente se depreende que só uma família com dois salários médios consegue suportar um filho(a) a estudar na Universidade. A situação fica muito difícil, senão impossível, para os agregados familiares onde existe desemprego ou onde ninguém ganha acima do ordenado mínimo, ou ainda quando há mais de um irmão em simultâneo na Universidade e o rendimento do agregado não ultrapassa dois salários médios.



Sinto que há muito a fazer nesta área e com urgência. As famílias não podem viver em constante sacrifício, cobrindo elas totalmente o investimento na formação dos filhos, quando toda a sociedade irá usufruir dele. Infelizmente, o Estado português não possui um recenseamento fidedigno sobre o número de estudantes que não prosseguiram estudos universitários por questões económicas ou que abandonaram a sua formação superior por falta de financiamento familiar. Seria mais produtivo este tipo de inquérito que procurar saber quantos ciganos, brasileiros ou asiáticos existem nas nossas escolas públicas.


Com recenseamento ou sem ele, é consensual que a ação social  escolar dos alunos universitários deixa muito a desejar. Uma medida estruturante que o governo devia implementar, para atalhar de forma convincente este problema, era a construção, em larga escala, de residências universitárias modernas, condignas e amplas, dotando-as das necessidades mais prementes dos estudantes: cantinas, bibliotecas, rede de internet. 

Este investimento torna-se tanto mais necessário, quano é sabido a subida em flecha do arrendamento urbano, em Lisboa e Porto. 
Como o alojamento consome cerca de 50% dos gastos de um estudante universitário deslocado, este tipo de medida seria uma ajuda enorme às famílias portuguesas e um investimento sério e certeiro no futuro do país.

GAVB  

sábado, 22 de setembro de 2018

PINTO MONTEIRO - FINALMENTE AMARANTE HOMENAGEIA O «SEU» PORTUGUÊS EXTRAORDINÁRIO

Foi preciso o Parlamento Europeu ter eleito António Pinto Monteiro "Cidadão Europeu 2018", para a Câmara Municipal de Amarante promover uma justíssima homenagem a um dos mais extraordinários cidadãos de Amarante.

Pinto Monteiro, 74 anos, tem um curriculum invejável: fundou a Cercimarante, em 1980, ajudou a criar a associação Terra dos Homens (centro de acolhimento para crianças vítimas de negligência, abandono ou abuso, dos zero aos doze anos), o infantário-creche O Miúdo e um centro de dia para idosos. 

Quarenta anos de vida pública exemplar, excecional, totalmente dedicada aos outros, aos seus conterrâneos.

Quando alguns eurodeputados portugueses (Francisco Assis, Manuel dos Santos, Carlos Zorrinho, Liliana Rodrigues) propuseram António Pinto Monteiro para "Cidadão Europeu 2018", sabiam que estavam perante um português extraordinário, um ser humano de eleição, como já havia notado a RTP, em 2011, quando selecionou e mostrou aqueles portugueses do século XX que "por obras valerosas se vão da lei da morte libertando".   

Causa impressão que só hoje, depois de conhecidas as distinções nacionais e internacionais, a autarquia amarantina lhe tenha dedicado as palmas, os discursos, as flores, a medalha ou a salva de prata com que simbolicamente homenageia os seus. 
A gratidão e o reconhecimento do valor do nosso semelhantes são valores difíceis de apreender...
Não por todos! Em Amarante, há uma imensa maioria de gente anónima que sabe quem é António Pinto Monteiro, que o abraça com os olhos cheios de lágrimas e lhe sorri com os lábios, os olhos e alma, num profundo obrigado, que durará toda a vida.

Há quinze anos, pouco meses depois de chegar a Amarante para trabalhar na E.B. 2/3 de Amarante, entrevistei António Pinto Monteiro para o jornal escolar O Abelhudo. Foi uma conversa longa, apaixonante e que me ensinou muitíssimo. Das várias recordações dessa entrevista, guardo a comoção com que respondeu à pergunta "Como lidou a sua família com a sua dedicação à causa da Cercimarante?"
Nem sempre tinha lidado bem com as viagens, reuniões, fins-de-semana perdidos em múltiplas atividades da Cercis. E António Pinto Monteiro sofria imenso com essas ausências e com essa tristeza. 

Apesar de tudo, nunca abandonou aqueles a quem tinha acendido uma luz ao fundo do túnel. Por isso, hoje, há milhares de amarantinos que escaparam a um destino infeliz porque António Pinto Monteiro fez questão de cruzar o seu caminho. 
Gabriel Araújo

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A ORIGEM DE ALGUNS HOMENS NOTÁVEIS


Muitos homens notáveis, pelo seu saber e pelos grandes serviços prestados à humanidade, tiveram uma origem humilde. 

VASCO DA GAMA desempenhava o humilde  cargo de moleiro enquanto CRISTÓVÃO COLOMBO era tecelão, tal como o seu pai. 
Já o grande escritor espanhol CERVANTES era soldado raso e depois cobrador de impostos, mas nenhum destes postos menores diminuíram a imortalidade da obra "Dom Quixote de La Mancha". 

Por falar em escritores, HOMERO era filho de lavrador, MOLIÈRE tinha como pai um tapeceiro, VIRGÍLIO um porteiro e HORÁCIO um vendedor, SHAKESPEARE descendia de um madeireiro, MILTON era filho de um corretor da Bolsa e TERÊNCIO era escravo.



Também entre estadistas e políticos famosos encontramos raízes humildes. NAPOLEÃO pertencia a uma família "obscura" da Córsega, ROOSEVELT era tipógrafo e filho de um fabricante de sabão, BOLÍVAR era farmacêutico e LINCOLN foi lenhador antes de se tornar num dos mais importantes presidentes norte-americanos ao emancipar quatro milhões de escravos nos Estados Unidos.

Entre os inventores e cientistas, convém lembrar que o celebérrimo astrónomo GALILEU era pobre tal como os pais. EDISON vendeu jornais em criança, MORSE (o inventor do telégrafo) teve de lutar contra a pobreza que já vinha de família e GEORGE STEPHENSON ( o criador do caminho de ferro) também nasceu em berço pobre.

Em conclusão, temos inúmeros exemplos em que a notabilidade de um ser humano depende muito mais do seu talento, força de vontade e persistência de que qualquer condição excecional à nascença. 



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

ANGOLA PROMETE PAGAR AS DÍVIDA A PORTUGAL DO MESMO MODO QUE COSTA DESCONGELA OS PROFESSORES


Quando a Primavera ia a meio e um dos grandes amigos de Joana Marques Vidal era entalado em Tribunal por ter decidido deixar de ser juiz para aceitar um cargo bem remunerado num empresa pública angolana, a Justiça portuguesa (a tal que está mais forte com os poderosos do que nunca) resolveu enviar o processo do ex. vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, para Angola, de modo a que sejam os rigorosos e impolutos tribunais angolanos a decidir se ele é ou não culpado de corrupção ativa. 
Angola tinha obrigado a Justiça portuguesa a ajoelhar e com certeza que não houve nenhuma influência ou pressão política para que o Tribunal da Relação tivesse ido contra tudo aquilo que o Ministério Público de Joana Marques Vidal defendia. E como em equipa que ganha não se mexe, a Procuradora-Geral da República via continuar a somar acusações. Falta é ver se depois a Relação ou o Supremo não decidem acabar com o «irritante», lá para 2030…

Terminado o «irritante» da maneira mais humilhante para Portugal, António Costa lá foi até Angola falar de negócios, até porque o governo de João Lourenço não sabe como continuar em Portugal sem ter que abordar Isabel dos Santos.
Costa chegou a Angola e em estilo desportivo falou de mansinho sobre os 500 milhões de euros em dívida a empresas públicas e privadas portuguesas e ouviu de João Lourenço a promessa de que «ia começar a pagar». Só não disse quando e muito menos quanto. Usando uma linguagem tão querida ao nosso primeiro-ministro, João Lourenço prometeu a regularização «de» dívida. António Costa logo corrigiu:
         - «Da» dívida, sr. Presidente!
         João Lourenço sorriu e prometeu ao primeiro-ministro português que descongelaria os milhões em falta usando o mesmo critério que António Costa tinha usado com os professores portugueses. Vendo o ar abatido do primeiro-ministro português, João Lourenço confortou-o.
- Não te aborreças, ó Costa. Os portugueses vão entender. Até porque agora que a gente tem a SIC Internacional, podemos ver como os portugueses aprovam pagamentos de dívidas segundo o modelo paga dois, perdoa sete.


GAVB

domingo, 16 de setembro de 2018

OS ALUNOS APRENDEM FAZENDO

Sofia Garcia da Silva, técnica de educação especial, aconselha os pais, que querem ajudar na educação dos seus filhos, a investir nas funções executivas. Segunda esta técnica, as funções executivas comportam três eixos fundamentais: memória do trabalho (manipular mentalmente informações necessárias à resolução de uma tarefa complexa), controlo inibitório (ser capaz de resistir a distrações, tentações e hábitos, controlando emoções) e flexibilidade cognitiva (ser capaz de alterar estratégias, pensamentos e prioridades em função das necessidades).

O artigo de Sofia Silva no jornal Público é importante, confirmando que o pensamento dominante em Educação aponta para o saber fazer. Talvez seja este o maior desafio de pais e professores: deixar crianças/jovens aprender experimentando. Ensinar através da tarefa e não do discurso. 

Em casa, na escola, na rua, no contacto social, é fundamental que a criança possa fazer e sentir o produto do seu trabalho.

Fazer o jantar, ir às comprar, gerir a economia doméstica durante uma semana, resumir um noticiário, fazer oralmente, para a família a apreciação crítica de uma série ou filme é tão relevante como muitas das tarefas que os professores pedem aos seus alunos nas aulas. 
A melhor aprendizagem é aquela que se traduz num ganho efetivo para cada aluno. No entanto, o circuito não pode ser interrompido - da escola para casa ou de casa para a escola. 
Se a mãe continuar a tratar o seu filhinho como um bebé que nada pode fazer com responsabilidade ou as aulas de Francês, Português ou Ciências permanecerem em modo palestra, obviamente as funções executivas de cada aluno continuarão offline.
                                                                                                  GAVB