Depois dos graves incidentes racistas, durante o jogo de futebol entre as seleções da Bulgária e da Inglaterra, no início da semana, todos se mostraram indignados, chocados - como é costume.
Como é costume, essa indignação afrouxará em breve e, como é costume, algo de parecido acontecerá outra e outra vez.
O que não é (era) costume era ver conhecidos adeptos do Benfica, como Ricardo Araújo Pereira, pedir ao seu clube, em carta aberta, que dê bons exemplos, e se demarque publicamente de André Ventura, recém-eleito deputado da nação, pois este defende abertamente ideias xenófobas e racistas.
Como quase todos, o Benfica é contra o racismo. Gosta de o dizer e gosta que se saiba disso. Todavia, os dirigentes encarnados não acham necessário que o clube se demarque de André Ventura, conhecido sócio benfiquista, e que provavelmente deve parte da sua eleição ao protagonismo mediático que teve à custa de "representar", sem procuração para tal, o clube do seu coração num programa televisivo.
Combater o racismo exige que nos demarquemos dos racistas porque, de contrário, estamos a emprestar-lhes a nossa dignidade e a 'normalizá-los'. Isto é tanto mais perverso quanto, muitas vezes, eles usam a nossa imagem para se projectarem.
Se o Benfica se demarcasse publicamente de André Ventura, isso teria um efeito enorme no combate ao racismo e aos racistas.
A carta aberta de Ricardo Araújo Pereira e outros benfiquistas é uma pista importante que devemos seguir, para perceber como os adeptos de futebol podem aumentar o grau de exigência sobre a responsabilidade social dos seus clubes. Afinal, não se dizem eles instituições de utilidade pública?
No entanto, o facto de grande parte dos adeptos do Benfica (e porque não dizê-los da maioria dos portugueses também) se estar a marimbar para a resposta da direção do Benfica, dá-nos uma pista ainda mais precisa do imenso trabalho que há para fazer em Portugal sobre o combate ao racismo e aos racistas.
GAVB
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