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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

DIZER QUE SE É CONTRA O RACISMO NÃO BASTA

Depois dos graves incidentes racistas, durante o jogo de futebol entre as seleções da Bulgária e da Inglaterra, no início da semana, todos se mostraram indignados, chocados - como é costume. 
Como é costume, essa indignação afrouxará em breve e, como é costume, algo de parecido acontecerá outra e outra vez. 

O que não é (era) costume era ver conhecidos adeptos do Benfica, como Ricardo Araújo Pereira, pedir ao seu clube, em carta aberta, que dê bons exemplos, e se demarque publicamente de André Ventura, recém-eleito deputado da nação, pois este defende abertamente ideias xenófobas e racistas. 
Como quase todos, o Benfica é contra o racismo. Gosta de o dizer e gosta que se saiba disso. Todavia, os dirigentes encarnados não acham necessário que o clube se demarque de André Ventura, conhecido sócio benfiquista, e que provavelmente deve parte da sua eleição ao protagonismo mediático que teve à custa de "representar", sem procuração para tal, o clube do seu coração num programa televisivo. 

Combater o racismo exige que nos demarquemos dos racistas porque, de contrário, estamos a emprestar-lhes a nossa dignidade e a 'normalizá-los'. Isto é tanto mais perverso quanto, muitas vezes, eles usam a nossa imagem para se projectarem.

Se o Benfica se demarcasse publicamente de André Ventura, isso teria um efeito enorme no combate ao racismo e aos racistas. 
A carta aberta de Ricardo Araújo Pereira e outros benfiquistas é uma pista importante que devemos seguir, para perceber como os adeptos de futebol podem aumentar o grau de exigência sobre a responsabilidade social dos seus clubes. Afinal, não se dizem eles instituições de utilidade pública?

No entanto, o facto de grande parte dos adeptos do Benfica (e porque não dizê-los da maioria dos portugueses também) se estar a marimbar para a resposta da direção do Benfica, dá-nos uma pista ainda mais precisa do imenso trabalho que há para fazer em Portugal sobre o combate ao racismo e aos racistas.
GAVB

sábado, 13 de maio de 2017

ACABOU A TRETA, CHEGOU O TETRA!



11 de Maio de 2013, Estádio do Dragão -  a poucos segundos do final jogo, Kelvin “saca” um pontapé fabuloso e inesperado e marca o golo da vitória do Porto sobre o Benfica, fazendo Jesus ajoelhar, e o Porto escancara as portas do seu último campeonato de futebol. Qualquer benfiquista tem este momento cravado na memória e essa dor não se apaga, apenas cicatrizou.

Levantando-se dessa amarga lição do destino, o Sport Lisboa e Benfica encetou uma série de vitórias memorável com 10 títulos oficiais (4 campeonatos nacionais, 3 taças da liga, 2 e uma taça de Portugal), havendo ainda a possibilidade de conquistar mais um título brevemente.
Hoje conquistou o seu quarto campeonato de futebol consecutivo – o famoso TETRA – um feito inédito na centenária história do Clube.

Um feito que muito orgulha os milhões de benfiquistas espalhados por todo o mundo e que se deve ao trabalho de muitas pessoas, desde os jogadores, treinadores, dirigentes até aos fabulosos adeptos, que acompanharam a equipa quer nos jogos no Estádio da Luz quer nos jogos fora de casa, com um fervor, alegria e presença fora do comum.
Há, claro, alguns heróis que merecem destaque – Ederson, Luisão, Jardel, Pizzi, Jonas, Mitroglou, Maxi Pereira, Eliseu, Salvio, Gaitan, Lima, Fejsa… - mas seria injusto não destacar o papel de dois treinadores excecionais como são Jorge Jesus e Rui Vitória.  E acima destes todos, o presidente Luís Filipe Vieira.

Durante quatro anos, eles construíram um sonho de várias gerações de benfiquistas e por isso ficaram na história do clube, a não ser que eles próprios se ultrapassem e daqui por um ano nos deem o extraordinário penta.
Por agora, resta-me agradecer-lhes as inúmeras alegrias que me deram ao longo destes quatro anos. Desejo que saibam ser grandes na vitória, respeitando os valerosos adversários que tudo fizeram para os contrariar, como souberam ser determinados em reagir à derrota.
O futebol desperta as nossas paixões e a nossa irracionalidade; é capaz de fazer rir, chorar, pular, gritar, porque junta arte e emoção, porque nos faz gregários, porque transpira Vida.

GAVB