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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SENHORA, SEJA BEM APARECIDA

Hoje é feriado no Brasil. É dia de Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil. Oficialmente desde 1980, a santa preferida dos brasileiros é um fenómeno de fé que dura há 300 anos e orienta a vida espiritual, afetiva e a social de milhões e milhões de brasileiros.
A história remonta ao início do século XVIII e dá conta da surpreendente pesca de uma imagem de Nossa Senhora, por uns pescadores ávidos de boa pescaria, que rapidamente deu origem a uma pescaria soberba e abundante.

Ao longo dos séculos, a padroeira dos rios e dos mares, do ouro e do mel, foi ganhando devotos e dando corpo à fé dos brasileiros, que são, como bem sabemos, um povo místico.
Devido à dimensão humana do Brasil e à devoção que o seu povo sempre teve por Nossa Senhora Aparecida, o seu santuário tornou-se num dos santuários marianos mais visitados do mundo a par de Lourdes, Fátima ou Guadalupe; em certo sentido, até os ultrapassa, pois é um fenómeno religioso mais antigo e profundamente enraizado na alma brasileira.

O que faz um cético ou um agnóstico quando observa toda esta devoção? Tem a tentação de racionalizar, de criticar, de contrapor, de expor as suas contradições, mas devia tentar outra abordagem.
Pensar como é importante a fé na vida de milhões de pessoas e como ela se tornou na força motriz das suas vidas. Tentar perceber como, apesar de todas as críticas e evidências racionais, uma devoção, uma crença, uma fé é tão necessária ao ser humano.

GAVB

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

PRESUNÇÃO DE CULPA


Mais de mil dias depois de ter sido detido no aeroporto de Lisboa, debaixo dos holofotes das câmaras de televisão, José Sócrates é formalmente acusado de corrupção. Quase três anos passaram e desde então para cá o caso Sócrates foi ganhando volume, a acusação foi-se transformando (cada vez piorando mais a situação do ex-primeiro-ministro), ziguezagueando, encontrando novos suspeitos e novas conexões, mas sempre com um resultado final pré-estabelecido. Não devia ser assim, mas foi.


Finalmente o país e Sócrates conhecem a acusação e por incrível que pareça ninguém está admirado com os graves crimes de que os arguidos (outrora gente importante e respeitável do país) são acusados, porque toda a gente já os conhecia. Essa publicitação off the record, pelo Ministério Público, foi a maneira que o MP encontrou para ganhar coragem para acusar Sócrates, Salgado, Zeinal Bava ou Henrique Granadeiro.
A acusação pode ser poderosa, inequívoca e facilmente convertível em punição, mas a Justiça não se livra da justa acusação de também ela ter usado métodos sicilianos. 
Independentemente da raiva e do ódio que alguns agentes da Justiça portuguesa sentem em relação aos ex-poderosos do país e da crença que têm na acusação formulada, devíamos ter chegado a este momento mais cedo e devíamos conseguir outorgar aos arguidos a presunção de inocência, mas isso já é impossível.

Eles já estão condenados. Impossível obter outra sentença. O julgamento será apenas um mero pro forma, pois toda população já formou o seu juízo de valor acerca das acusações amplamente antecipados nos jornais.
É verdade que o mais importante é que se faça Justiça, mas nenhuma Justiça se pode afirmar através do princípio de Maquiavel de que os fins justificam os meios. 
Isso era para os políticos, mas a partir deste momento vale também para alguns juízes. 

A provável culpabilidade de Sócrates, Salgado ou Bava talvez cobre, por agora, a mancha, mas no futuro, este sujar de mãos há de ter consequências e nenhuma delas será boa para a Justiça.

GAVB

terça-feira, 10 de outubro de 2017

SANTANA LOPES TEM UMA ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL POR DERROTAS CERTAS


Apesar de já ter sido primeiro-ministro (infelizmente para nós e para ele também), presidente da Câmara da Figueira da Foz e de Lisboa, Santana Lopes acha que ainda falta no seu curriculum conquistar, através do voto (e não por uma qualquer cooptação), a presidência do PSD (ou PPD/PSD, como ele gostava de dizer). Falta e há de continuar a faltar, porque Santana continua a perceber mal o seu partido, apesar das lições que este já lhe deu.
Há duas décadas, Santana foi ao Coliseu disputar a sucessão de Cavaco e perdeu clamorosamente para Fernando Nogueira e Durão Barroso, mas achou o máximo ter ganho reality show da política televisiva. Alguns anos mais tarde, resolveu patrocinar a descida de Jesus Cristo à Terra, ajudando à eleição de Marcelo Rebelo de Sousa em Santa Maria da Feira.

Santana Lopes quer ser presidente do PSD; tem esse sonho, mas não prepara a sua candidatura como deve ser. Pensa até conquistá-la como o Che Guevara queria conquistar a América Latina: romanticamente. Claro que não resultou, claro que saiu cilindrado. Desta vez vai acontecer o mesmo.
É verdade que a única altura em que Santana preparou meticulosamente a sua subida ao poder (ao colocar-se como n.º 2 de Durão Barroso e esperar pacientemente que ele cedesse aos apelos da fama e do dinheiro vindos de Bruxelas), o país sofreu imenso, mas Santana conseguiu os seus intentos.

Santana Lopes ainda não percebeu que o seu tempo passou? Que agora apenas lhe resta o sossegado posto de senador do Partido e o honroso cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia para que continue a ter palco político com alguma dignidade? Santana é o contrário de Rui Rio e o povo português quer alguém ao estilo de Rui Rio, como se vê na popularidade que António Costa granjeou ao longo destes meses de governação.
Os que dizem apoiar Santana nem gostam assim tanto dele e só o apoiam porque detestam ver Rui Rio tomar o PSD sem oposição, sem uma lutinha de fim-de-semana e também porque sabem que Santana vai perder. Caso soubessem que ele tinha reais possibilidades de vitória nem deixava supor o seu apoio.
Ao contrário do que é a intenção de Santana, a sua candidatura vai a votos para valorizar a vitória de Rio. Também ele vai contribuir com algumas flores para o andor que transporta Rio ao confronto com Costa.
Santana Lopes não tinha necessidade de se autoflagelar assim, mas deve ser por isso que a televisão gosta tanto dele.

GAVB

domingo, 8 de outubro de 2017

QUANDO REGRESSAM OS GUARDAS-FLORESTAIS?



Era esta a pergunta que gostava de fazer ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, ou não fosse ele o responsável político pela extinção de uma carreira que tanto fez pela proteção da nossa floresta.
Foi há mais de dez anos e desde então Portugal perde assustadoramente floresta, tem as populações rurais em constante sobressalto, gasta dinheiro em indemnizações e ajudas às populações consecutivamente afetadas com os incêndios e conforma-se com a morte de centenas de pessoas.

Quanto custou ao país este péssima medida administrativa do então (2006) Ministro da Administração Interna, António Costa? Será que não há por aí uma consultora para fazer o cálculo das perdas ou isso não interessa nada?
O guarda-florestal vivia na floresta, conhecia-a, interagia com ela e protegia-a. As matas estavam limpas, os acessos facilitados, além de se fazer um aproveitamento económico muito mais interessante da floresta.

Os tostões que se pouparam nestes últimos dez anos nem devem ter chegado para a água que os bombeiros gastam anualmente para tentar acorrer a todos os fogos. Perdemos o serviço do guarda-florestal, mas convém lembrar que lhe continuámos a pagar, já que os guardas-florestais foram integrados na GNR. Resumidamente, a medida foi uma perfeita estupidez. Pior ainda foi o não emendar da mão. Há um ano, o secretário de estado da administração interna, Jorge Gomes, disse aos jornalistas, a propósito de mais uma onda de incêndios, que estava fora de questão reativar a carreira de guarda-florestal. Argumento: já tinham passados dez anos e não estava para pagar suplementos remuneratórios a tão específica carreira da administração pública, em vias de reativação.

A floresta e os bombeiros agradecem tão lúcida visão governamental. Entretanto vai  pelo país uma fumarada monumental, o ar está irrespirável, há populações em perigo, mas no pasa nada


GAVB

sábado, 7 de outubro de 2017

PROVAS DE AFERIÇÃO: NADA DE STRESS QUE ISTO AINDA ESTÁ A COMEÇAR


Quando esta equipa ministerial começou o seu trabalho introduziu as Provas de Aferição, sem relevância para a nota do aluno, e terminou com os exames do 1.º e 2.º ciclos, a Português e Matemática. 

Esta decisão causou polémica entre os professores, pais e tutti quanti gostam de opinar sobre Educação, apesar de muitos não saberem quais trabalhos de casa do filho ou ainda confundirem o Liceu com a Escola Secundária.  
Como seria de esperar num governo do Partido Socialista vingou a ideia de aferir em vez de examinar. Olhemos então para as virtudes desta opção e o que podemos fazer para a potenciar, pois é a única coisa útil a fazer.


A grande vantagem das provas de aferição, no meu entender, é verificar a qualidade do ensino português, em várias disciplinas e não apenas em Português e Matemática. 
Ora, isto é dignificar todas as disciplinas, valorizando o trabalho de todos por igual. Pela primeira vez em décadas está a medir-se (por muito rudimentar que essa aferição seja) o trabalho em áreas com as Expressão Artística, A Expressão Motora, a História de Portugal, a Geografia, As Ciências Naturais, a Físico-Química, a Música, a Educação Visual. Então isto não é bom? 
Durante décadas não sabíamos nada acerca do que os alunos portugueses conheciam nestas áreas; agora sabemos! 
Os resultados são maus? De facto, não são grande coisa, mas foram os primeiros e devem servir de alerta e ponto de partida para que os professores (todos e não apenas os de Matemática e Português) corrijam aquilo que é possível corrigir.  
As Provas de Aferição aferem o sistema, aferem as práticas letivas, aferem as escolhas das direções das escolas, aferem o apoio que os pais foram dando aos filhos, aferem o conhecimento dos alunos. 
É tão fácil dizer que a culpa é dos professores que ensinam pouco e mal e dos alunos que não aprendem nem estudam! Quando os resultados são jeitosos, já sabemos que os alunos são “os nossos queridos filhos” e a escola é “a instituição que eu dirijo”. Nada de novo, portanto…

Apesar dos resultados serem maus, convém recordar alguns factos atenuantes, que ajudam a enquadrar a leitura dos mesmos. A saber:
 Todos os alunos que fizeram provas de aferição em 2017 ou nunca tinham feito uma prova nacional ou já não faziam uma há quatro anos;
Várias disciplinas tiveram pela primeira vez a sua prova a nível nacional;
Milhares de professores viram a sua disciplina escrutinada, pela primeira vez;
A prova foi feita depois das aulas terminarem, com todos os envolvidos em relaxamento total, pois a prova não contava para a classificação dos alunos.
Aferir o sistema, o método e o conhecimento adquirido é fundamental para o progresso da Educação e do Ensino, em Portugal. 
Precisamos de afinar práticas, mentalidades, consciências e responsabilidades.
Não precisamos de voltar à velha questão “aferir/examinar”, nem de nos recriminar uns aos outros, nem de achar que o trabalho aparecerá feito com discursos ou mais aulas de recuperação.
Ler com consciência os resultados, mudar o que há para mudar e perceber que aferir é uma prática essencial para quem quer aprender.
GAVB

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

SETE COISAS INACREDITAVELMENTE PROIBIDAS ÀS MULHERES SAUDITAS



Daqui por alguns meses, as mulheres sauditas vão poder conduzir os seus próprios automóveis, numa medida que indicia a abertura do ortodoxo regime saudita a alguma igualdade de género, dentro de uma sociedade profundamente desigual e machista.
No entanto, esta brisa é apenas um ventinho sem grande expressão, porque o essencial continua proibido à mulher nascida na Arábia Saudita. Convém lembrar algumas das inacreditáveis proibições/restrições.

Procurar cuidados médicos, por muito necessários e urgentes que sejam, requer a autorização de um familiar ou de um tutor masculino. Em caso de necessidade extrema, as mulheres sauditas têm literalmente a vida nas mãos do homem.  

Se na saúde a situação é bizarra, no direito não é melhor. Perante a lei, o seu testemunho vale menos do que o de um homem; e numa herança só recebem metade do valor atribuído a um irmão. Em caso de divórcio, as mulheres só têm a custódia dos filhos até aos nove anos (raparigas) ou sete (rapazes).
A desigualdade face aos homens não se vê apenas nas grandes coisas com também nas mais pequenas. Por exemplo, as mulheres não têm autorização para ter um conta bancária e geri-la a seu belo prazer, ainda que tenham obtido autorização para trabalhar (sim, também precisam) e ganhem o seu próprio dinheiro.
Viajar para onde lhes apetece (mesmo dentro da própria Arábia Saudita) está fora de questão para o elemento feminino. Passaportes e outros documentos essenciais a quem viaja só podem ser obtidos com autorização do marido, tutor ou outro elemento feminino que exerça alguma forma de poder sobre elas.

Sobejamente conhecida é a limitação quanto ao vestuário. O Abayas (casaco longo que cobre todo o corpo da mulher) é obrigatório em todo o espaço público e por isso fica vedado à mulher saudita um modo de expressão tão feminino como é o vestuário.
Perante todas estas aberrantes proibições não espanta que casar com quem quiser também lhes seja vedado. Quem dá permissão para a jovem saudita casar é o wali ou tutor legal. Caso queiram casar com um estrangeiro, a autorização tem de vir diretamente do Ministério do Interior, até porque casar com um não-muçulmanos é uma missão impossível.

Vista desta perspectiva, é óbvio que a autorização para conduzir um carro dada pelo Rei Salman ainda é uma coisinha tão pequenina como insignificante, num deserto de tantas proibições.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

GOOGLE PIXEL BUDS – O TEU NOVO PARCEIRO DE VIAGEM


Quem já não se viu totalmente perdido, num país estrangeiro, e sem ninguém que o compreendesse? Muitos de nós, algumas vezes. Ainda que o inglês se tenha tornado numa língua falada e compreendida por muitos povos, ainda há casos de cidades mundialmente conhecidas, onde a esmagadora maioria da população não sabe o básico de nenhuma outra língua a não ser a sua. E a linguagem gestual, por muito expressiva e rica que seja, não resolve tudo.



Pensando nisso e no negócio, a Google lançou uns auriculares que farão a delícia de qualquer viajante. A sensação de conforto e confiança será muito maior. Os Google Pixel Buds são uns auriculares capaz de traduzir em tempo real 40 idiomas diferentes. Usando a tecnologia da inteligência artificial, o áudio é convertido em texto, traduzido para outra língua e depois novamente convertido em áudio.  Na prática, bastará falarmos que estes Google Pixel Buds encarregar-se-ão do resto.
O novo produto da Google foi ontem apresentado em São Francisco, EUA, e estará disponível, para venda, em Novembro, por menos de 140 euros. Se tudo correr normalmente será um dos produtos mais vendidos por altura do Natal.
O viajante solitário encontro nos Google Pixel Buds o parceiro que lhe faltava para as suas viagens. Não sei se os guias turísticos sentirão a concorrência, mas sei que a Google encontro mais um gadget que nos facilitará a vida no futuro. Uma vida cada vez mais global. Resta saber se não se tornará excessivamente solitária.

GAVB