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domingo, 6 de junho de 2021

A BOLHA DE SABÃO

 


O   Algarve é o Inatel dos ingleses e o seu sonambulismo alcoólico é uma fonte inestimável de  receite como atestam os barris de cerveja vendidos na Ribeira, mais as  camas. 

Acreditar que se metiam 20 mil numa bolha foi inocência ou sonsice. Como servir imperiais numa bolha? Pensando pela realidade, António Costa vendeu um pacote de cerveja e sol isento de taxas. 

Dizendo não, o turismo agitaria a bandeira da ruína (o sector queixa-se do número de ingleses que entra no país: 10% do que era em 2019, cinco mil por dia em vez de cinquenta mil). 

Dizendo sim, tratou-nos como aldeões e deu o peito aos snipers.

A paga por resolver o berbicacho à UEFA e a Boris Johnson foi sair da lista verde turística. quanto mais o pobre se verga, mais mostra o rabo. No ultimato de 1890 ainda houve um peditório indignado para comprar um cruzador que enfrentasse a armada britânica, mas só pagou meio barco. Hoje, só cortando a cerveja, mas a Super Bock e a Sagres não permitiriam.

Carlos Tê

segunda-feira, 13 de abril de 2020

O ENFERMEIRO PORTUGUÊS

Luís Pitarma é o enfermeiro português do momento. Não presta serviço em Portugal, não ajudou a salvar uma quantidade inusitada de vítimas do Covid 19, mas cometeu a proeza de tratar tão bem o primeiro-ministro inglês Boris Johnson que recebeu deste um merecido elogio público.

Em Portugal, durante as últimas horas teve honras de herói nacional e até Marcelo Rebelo de Sousa resolveu telefonar-lhe. 
Sinceramente, acho todo este mediatismo, em especial o telefonema do Presidente da República português, uma enorme parolice. 

A culpa não é, obviamente, do jovem enfermeiro português, que fez o seu trabalho, como milhares de outros colegas seus,  tratando Boris Johnson com o mesmo cuidado e profissionalismo com que tratou centenas e centenas de outros pacientes. Se ninguém desejava mal a Boris Johnson, apesar de discordar das suas atitudes iniciais face a este pandemia e face ao papel que o Estado deve ter na saúde pública, porque a humanidade se sobrepõe a qualquer ideologia ou consideração pessoal, também é tonto fazer da pessoa que o ajudou a recuperar um herói. 

Luís Pitarma é, provavelmente, um profissional exemplar, mas fazer dele um herói é insultar o esforço desumano que milhares de colegas seus têm feito nas últimas semanas para salvar vidas. 
Também me parece intelectualmente desonesto falarmos dos magros salários dos enfermeiros (que realmente são magros), face a outras profissões ou até a enfermeiros de outros países.  


Os enfermeiros portugueses ganham mal face aos ingleses? É verdade, como acontece com o mecânico, o padeiro ou o homem da recolha do lixo. Todos estes são importantes, muito importantes. Felizmente, a grande maioria de nós tem a inteligência para o perceber sem que seja necessária qualquer crise sanitária ou alimentar. 
Discutir quem é mais importante, quem é mais essencial, em alturas como esta, é ter um discurso à Trump, Johnson ou Bolsonaro. Cria uma estratificação social que tanto dizemos combater mas que tanto impulsionamos. 

Isto não quer dizer que não precisemos de fazer alterações, porque precisamos de as fazer, mas não agora, nem ditadas por impulsos afetivos e psicológicos.
Daqui a pouco tempo, teremos de discutir a economia. Esse será o momento de discutir o salário dos enfermeiros, dos padeiros, das assistentes de clínicas, dos técnicos da segurança social e muitos outros. Apenas temos de ter a consciência de que o país já está mais pobre e endividado do que estava há dois meses, que os patrões têm menos dinheiro para salários e alguns deles não têm mesmo possibilidade de continuar a atividade económica. 
É com base nisso, e não naquilo que gostaríamos que fosse, que teremos de fazer as nossas opções e sugestões. 

Quanto ao enfermeiro Luís, teria sido melhor que apenas fosse um símbolo do bom serviço que os enfermeiros estão a prestar à população em todos os países no mundo. E isto ter sido o suficiente porque é uma grande honra servir o outro.
Gabriel Vilas Boas

domingo, 12 de abril de 2020

QUE FAREMOS DA NOSSA VIDA QUANDO A VOLTARMOS A TER NA MÃO?

Sem visita Pascal, sem missa da ressurreição, sem almoço de família, sem reencontros,a Páscoa parece mais pobre, contudo é possível que a nudez de rituais nos permita pensar apenas na sua essência e no que o momento significa para cada um de nós. 

Os cristãos assinalam a ressurreição de Jesus Cristo, que é como quem diz a sua afirmação enquanto Deus. Verdadeiramente o cristianismo "começa" neste momento, apesar do Natal ser, afetivamente, o momento fundador da religião mais seguida pelos portugueses. 

É à boleia desse acontecimento tão marcante na civilização ocidental que toda a tradição assenta. E, num momento em que nos confinámos com medo da morte, é bom perceber quanto gostamos de viver. Como lutamos com todos a nossa inteligência, com todo o nosso dinheiro, com toda a nossa tecnologia por esse milagre que é a vida humana. 
A Páscoa é a celebração da vida! A Igreja Católica está certa quando alerta para a necessidade de defender a dignidade da vida em vez de nos contentarmos com a dignidade da morte. 

Hoje, em todo o mundo, milhares de médicos e enfermeiros lutam como desalmados para resgatar imensas vidas às garras da morte e comovemo-nos com esse gesto grandioso. 

Percebemos, finalmente, que a vida daqueles que amamos é sempre mais bela que qualquer morte gloriosa, mesmo que eles sejam velhos, doentes ou os tenhamos esquecidos durante anos. Eles são parte da nossa identidade e não queremos que partam porque com eles parte um pedaço de nós.

Sentimo-nos impotentes porque não podemos fazer mais do que estar quietos e esperar, mas houve tempo em que pudemos fazer algo e não fizemos, como haverá altura em que voltaremos a ter oportunidade de atuar. 

Que planos temos para essa altura? Daqui por um ano, provavelmente, haverá vacina para o vírus que nos confina, mas a fome continuará em muitos países continuará a desafiar a nossa consciência coletiva e os nosso pais e avós voltarão a interrogar-nos mudamente sobre a nossa ausência. Que vacina teremos contra essa desumanidade, que mata mais que qualquer pandemia?

A questão que nos devemos pôr é Que faremos com a nossa vida quando voltarmos a ter nova oportunidade de a amarmos sem restrições?  

Gabriel Vilas Boas.

sexta-feira, 27 de março de 2020

BORIS JOHNSON INFETADO COM A CONVID 19_ OBVIAMENTE ELE SALVARÁ A ECONOMIA PRIMEIRO

Nenhuma noticia de qualquer infetado célebre me deixa contente, nenhuma! Contudo, há muitas pessoas que só percebem a dor dos outros, o desespero dos anónimos que governam quando sentem o drama na pele ou no corpo dos seus. Boris Johnson é um deles, como o é Bolsonaro ou o Trump, entre muitos outros mais ou menos conhecidos. 
Como acontece com todos, desejo que o primeiro-ministro inglês tenha mais sorte que as dezenas de milhares de pessoas que já faleceram, mas é um facto que a vida deu ao troglodita Boris a lição que ele andava a precisar.
Se Bolsonaro não for tão burro como parece, talvez recue na sua ideia de mandar toda a gente para a rua nos próximos dias, salvando a vida a milhares de brasileiros que ainda não perceberam o perigo que correm. Até os líderes criminosos das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro percebem melhor a gravidade do momento do que Jair Bolsonaro.
Por Portugal, a constatação óbvia é que não há nem haverá, em tempo útil, testes ao Corona Vírus antes da tempestade passar, ou seja, estamos defetivamente na fase da contenção de danos, que é como quem diz, aceitar a mortes de várias centenas de portugueses como inevitável.


quarta-feira, 25 de março de 2020

OS LARES SÃO UMA BOMBA-RELÓGIO: OU A DESATIVAMOS COM CUIDADO OU NOS REBENTA NA CARA


Há dezenas de milhar de idosos portugueses em lares. Se apanham a COVID 19, obviamente, a maior parte deles morre. 
Estamos a falar de muitos milhares de pessoas cuja situação precisa de uma intervenção imediata! 

As pessoas que trabalham nos lares estão exaustas, sozinhas e desesperadas, mas têm milhares de idosos para cuidar, não sabendo os que estão infetados ou se estão a infetá-los.
Não há equipas de substituição, em espelho, como disse a ministra da saúde (ou ela não sabe que isto não é o País das Maravilhas?), nem voluntários que queiram arriscar a sua saúde.

O que há é decisões difíceis e urgentes para tomar.
Sendo os idosos, que vivem em lares, o grupo de maior risco, é preciso controlá-los e em massa, pois não há soluções de recurso para todos os casos de emergência que se criarão, se a bomba do COVID rebentar na maioria deles.
Além de todos os profissionais de saúde (hospitais e centros de saúde), os testes à COVID devem centrar-se nos idosos do lares. E muito rapidamente, porque, neste caso, tempo é vida - literalmente.

Decidir rapidamente é o mais importante, porque estamos a poucas horas da fase de mitigação, ou seja, do controle de danos, o que significa que todos vão ter de assumir os custos desta pandemia. Com os Centros de Saúde a tornarem-se centro de análise e atendimento a doentes COVID o risco de disseminação pelas comunidades locais é bem maior, por isso seria uma grande medida testar todos os lares antes que os lares testem a capacidade de resposta dos centros de saúde.

Outra medida que proporia era que todos os idosos cujo controle fosse negativo pudessem regressar a casa dos filhos se assim fosse a sua vontade deles e da sua família. 
Com o pessoal que têm e na atual situação de emergência em que vivemos, não há capacidade para os ter em segurança nos lares nas próximas semanas. Cada família que pudesse devia assumir esse encargo, esse risco também.
É preciso tomar decisões e não esperar que a sorte ou o azar nos imponham consequências.
GAVB

segunda-feira, 23 de março de 2020

ESTÁS POR TUA CONTA, MAS O QUE FAZES NÃO É SÓ DA TUA CONTA

A contagem continua, cada vez mais absurda, cada vez mais cruel e inimaginável. 
Como quase todos os países ainda se encontram a subir a montanha russa sem cintos de segurança, a visão do chão é tão aterradora que as palavras são sempre demasiado débeis para deixar transparecer o medo, a raiva, a tristeza e a dor. No entanto, os números (sempre os números) parecem formigas ao lado de outros eventos catastróficos da história da humanidade.

Em breves dias aproximar-nos-emos daquela terrível frase de Estaline "A morte  de um homem é uma tragédia; a morte de um milhão é uma estatística!"

Entretanto no reino da inconsciência muitos continuam jogando xadrez ao mesmo tempo que a cidade dos homens se consome em fogo, como se o que fazem não condicionasse a vida dos outros.
É verdade que estamos cada vez mais por conta da nossa saúde, aquela que não conhecemos lá muito bem, mas os atos que praticamos dizem respeito a todos aqueles que nos rodeiam, por isso são da conta de todos. 
É fácil assumir que a vida é mais importante que a economia, mas eu diria que também que é mais importante que a democracia ou a até a liberdade, quando em  nome dela alguns tolos arriscam a vida dos outros. 
Um estado de emergência é quando escolhemos um bem maior. Depois disso, tudo a esse bem se submete, ao bem ou ao mal. 

GAVB

sexta-feira, 20 de março de 2020

QUARENTENA DOS EMIGRANTES SERÁ LEVADA A SÉRIO?

Centenas de emigrantes regressaram, in extremis, a Portugal, em especial ao norte de Portugal, onde se têm verificado mais casos de COVID-19. 
Entretanto, foi decretada uma quarentena obrigatória para estas pessoas, pois o perigo de contágio é evidente e eminente.
Como estão a reagir estes compatriotas a esta medida? A que freguesias / concelhos pertencem? Estão a cumprir? 
Este não é um problema menor, pois basta alguns inconscientes atuarem como se não estivéssemos em plena guerra, para grande parte do esforço coletivo, que toda a população faz há uma semana, sair defraudado.

É tempo dos autarcas saírem a terreiro, controlarem as suas gentes. Têm autoridade moral para tal e não precisamos de criar mais cadeias ativas de contágio.

Ainda hoje, em conversa com uma amiga, tive conhecimento de duas atitudes antagónicas face a esta questão, no município de Amarante: a dona de uma padaria recusou-se servir um emigrante recentemente chegado de Espanha, pois sabia da sua condição e lembrou-lhe que ele devia estar em casa, de quarentena. Pediu-lhe que enviasse um familiar para comprar pão, que o serviria de bom grado. Aborrecido, o senhor virou costas e dirigiu-se ao centro da cidade de Amarante, onde procurou satisfazer a sua vontade. 
Ainda no dia de hoje, outro emigrante, poucos dias depois de ter chegado do estrangeiro, mesmo sabendo da quarentena obrigatória a que estava sujeito, resolveu convidar os amigos para engarrafar vinho. Nenhum dos amigos rejeitou os convites.

Muitos de nós falam em hospitais cheios, em empregos que se perderão, pedindo auxílio para o futuro negro que se avizinha, mas não estão estas atitudes inconscientes, criminosas e desafiadoras da autoridade do Estado a contribuir para matar mais alguns, atrasar o retomar da vida social e  económica, destruindo irremediavelmente muitos postos de trabalho?
O papel dos presidentes de junta de freguesia, autênticas autoridades morais nas suas localidade pode e deve ser determinante.

GAVB 

quarta-feira, 18 de março de 2020

HÁ UMA SEMANA NÃO ERA PRECISO FECHAR ESCOLAS, HOJE FOI DECRETADO O ESTADO DE EMERGÊNCIA


Saber avaliar a situação e decidir em tempo útil é o que se pede a quem governa. 
Há uma semana, não era preciso decretar nada, hoje foi usada «das últimas balas» que o governo tem para, administrativamente, combater um inimigo incomum.  
O que valerá, de facto, esta última bala? Provavelmente menos do que muitos esperam, porque continuam a faltar algumas armas cruciais para disparar as balas certas.

Há anos que um fábrica de Penafiel produz máscaras e outro material de proteção hospitalar, mas andava a exportá-lo, pois o governo português nem sabia da sua existência. Telefonaram aos patrões há poucos dias, depois de alguns jornalistas terem descoberto tal preciosidade. 

Faltam equipas médicas de controlo nos aeroportos, quanto mais não sejam para medir a temperatura, e indagar sobre os anteriores passos dos passageiros que chegam, mas há gente tão diligente nas alfândega que muitas máscaras compradas em Macau demoraram mais do que o suposto a chegar a quem por elas desespera.
Não há notícias sobre compra de novos ventiladores por parte do governo, mas alguns privados conseguiram encontrar alguns no mercado e oferecê-los ao hospital da sua área de residência. 
O Turismo e a Restauração reclamam por apoios, mas ainda não foram vistos gestos de solidariedade deste sector com quem trabalha o dobro do seu horário, nos hospitais, centros de saúde, farmácias, através da oferta de alojamento ou refeições.
Há muitas empresas que continuam a laborar sem razão de ser, arriscando a saúde dos seus trabalhadores, dos seus familiares, por mais um, dois, três dias de trabalho, quando a confirmação de um caso positivo os obrigará a fechar, mais dia menos dia. No entanto, não tardará o tempo em que dirão que não podem fazer outra coisa senão despedi-los. 

É altura de usar as balas certas e deixar o palco para quem sabe usar com destreza as poucas armas que o país ainda dispõe. 
A solidariedade é muito bonita, mas se continuarmos a pagar fogos com beija-flores em vez de condores, o mais certo é o fogo nos voltar a deixar a alma cheia de cinzas.

Alguns generais estão com medo e esconderam-se. É altura de darem o lugar aos «Salgueiros Maia» do século XXI, porque o Marcelismo  encolheu-se no seu palácio cor de rosa.

GAVB

terça-feira, 17 de março de 2020

O ESTADO DE EMERGÊNCIA TERÁ MAIS UM EFEITO PSICOLÓGICO DO QUE PRÁTICO

O Estado de Emergência serve para os governos atuarem, em casos de exceção, acima da lei, que, nesses momentos, fica suspensa. 
Ora, o governo português parece não querer o Estado de Emergência para nada, pois não sente necessidade de atuar para lá da lei.
Genericamente, as pessoas estão a obedecer às recomendações da Direção Geral de Saúde, ficando em casa as que podem, fazendo teletrabalho as que têm oportunidade para isso, comparecendo nos seus postos de trabalho aquelas que são imprescindíveis para a sobrevivência dos outros.
O Estado de Emergência não vai fechar supermercados, farmácias, hospitais, recolha do lixo, transporte de mercadorias, bombas de gasolina, nem ninguém quer isso. Infelizmente, também não trará mais ventiladores, nem médicos ou enfermeiros, nem recuperará mais depressa os infetados com COVID 19.
É verdade que poderá meter na ordem alguns "inconscientes" que teimam em frequentar espaços públicos sem que isso seja uma necessidade, mas genericamente o povo está a cumprir com o recolher recomendado, de modo voluntário. 
O Estado de Emergência não vai atribuir mais dinheiro estatal às pequenas e médias empresas do que aquele pouco que o governo tem aforrado. Diria até que essa ajuda depende mais de uma decisão da União Europeia do que do próprio governo. 
O problema é que o Estado de Emergência pode e vai gerar expectativas sobre o fulcro do problema: reforço do sistema nacional de saúde e dinheiro para o futuro das empresas. E obviamente essas expectativas sairão defraudadas, porque o Estado de Emergência não pode resolver nenhuma dessas emergências.  
A grande emergência que temos é mantermo-nos quietos, em casa, disponibilizando meios e recursos privados  para os profissionais da saúde e para aqueles que tratam do reabastecimento à população e... readaptarmos a nossa vida, para esta dupla quarentena três meses.

GAVB