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segunda-feira, 22 de abril de 2019

RELIGIÃO E MORAL SÃO FUNDAMENTAIS NA EDUCAÇÃO DOS JOVENS. QUANDO ASSUMIREMOS ISSO SEM PRECONCEITOS?


Assumimos facilmente que a Escola deve dar ao jovem um formação robusta, eficiente, completa sobre áreas tão diversas como História, línguas, matemática, geografia, ciências naturais e sociais, ambiente, consumo, tecnologia... mas quando a conversa chega à religião ou à moral muitos acham que a Escola deve abster-se de ensinar, embora muito poucos saiba realmente o que se ensina numa aula de religião e moral. A maioria ainda acha que os alunos vão aprender catequese, que aquilo é um feudo de "padres e afins", que usa e abusa de uma tradição a que não tem direito nem legitimidade. 

A ignorância é pródiga na crítica. Sempre foi e sempre o será. 
Muitos pais e educadores acham que a os jovens não têm valores, mas em vez de os ensinarem e exemplificarem, preferem retirar os filhos da única aula onde eles são ensinados, praticados e encorajados. 


Vários pais acham que os seus filhos não têm de se submeter aos ditames de nenhuma Religião ou Igreja, mas saberão eles o que realmente aprendem os filhos nas aulas de Educação Moral Religiosa e Católica? Já perguntaram aos seus filhos os temas que lá discutem com o seu professor(a)? Se não o fizeram, deviam fazê-lo com urgência, pois é lá que muitos aprendem valores como a verdade, a coerência, o respeito pelo próximo, o respeito por quem pensa diferente, o significado do amor, da responsabilidade, a diferença entre o certo e errado.

É lá que os alunos ouvem algo sobre religião. Não apenas sobre cristianismo, mas sobre as outras também. E claramente é lá que recebem melhor informação. 

Muitos peroram sobre religião e religiões, mas poucos cuidam de se documentar, de fazer uma avaliação correta do que foi feito no passado e do que é feito no presente. Pior: há muitos pais que, do alto da sua ignorância, decretam que os seus filhos não podem conhecer nada sobre religião, nada sobre moral, como se isso fosse um vírus perigoso. Decidem por eles, baseados apenas num preconceito ou na sua noção, muito própria, de liberdade. Os que os distingue dos fanáticos seguidores do islamismo ou dos judeus inflexíveis? 

Grande parte dos valores do cristianismo são valores humanistas, em que a sociedade portuguesa se revê. Uma aula de moral não é a catequese, mas uma aula da moral e sobre moral. E como ela anda arredia da sociedade, com as consequências que verificamos dia após dia!

A educação religiosa é fundamental em qualquer Educação. Também para os agnósticos, também para os ateus. Só podemos questionar aquilo que conhecemos.
Uma aula de EMRC é uma mais-valia na educação de um jovem, mesmo que ele não seja católico, pois todas as outras dimensões permanecem intactas e são importantíssimas.

A aula de Moral não é um local aborrecido, nem uma disciplina onde se vai "sacar" um cinco para arredondar a média. A aula de Moral é um espaço onde nos podemos enriquecer sobre duas dimensões importantes do ser humano: a religião e a moral. Quem frequenta estas aulas sai de lá mais rico e mais preparado. E normalmente as aulas são de grande qualidade. Não acreditam? Perguntem aos vossos filhos.

Gabriel Vilas Boas

domingo, 11 de fevereiro de 2018

PAPA FRANCISCO: UM CORDEIRO NUM COVIL DE LOBOS




Infelizmente, creio que as declarações de Dom Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa, não foram um equívoco nem aconteceram por acaso, antes fazem parte de um largo movimento de afrontamento às posições do papa Francisco, no que diz respeito à vida familiar e à sexualidade dos cristãos.
É sabido que entre vários bispos e cardeais, dentro e fora do Vaticano, há grande desagrado com as posições flexíveis do papa Francisco face ao divórcio, à sexualidade, à aceitação das falhas dos cristãos. 
A linha dura do Vaticano continua maioritária e está furiosa e ciumenta com a popularidade do Papa. É essa mesma linha dura que o tem desafiado de diversas formas, procurando uma reação extemporânea do papa argentino, mas Francisco tem sido paciente e misericordioso com os seus críticos.

No entanto, essa conduta não tem obtido grandes resultados. Fazer de cordeiro entre lobos não resolverá nenhum problema, antes os agravará e mais tarde ou mais cedo, Francisco vai ter de os enfrentar, punindo-os ou resignando (Com Bento XVI) ou convocando um novo Concílio clarificador.
O Papa Francisco é muito popular, mas isso não significa que seja poderoso. Acho que ele tem a clara noção disso e tem evitado a todo o custo o confronto com os lobos do Vaticano, esquivando-se a mexer em assuntos sensíveis como o dinheiro que o Vaticano gere ou os casos de pedofilia. Todavia esta misericórdia de Francisco não é suficiente para os bispos e cardeais que julgavam ser os donos da Igreja. 

Eles tinham os cristãos amansados e rendidos a uma doutrina assente no medo, nas restrições e numa visão de sociedade ultrapassada. Francisco convocou a simpatia de quem estava fora e encheu de orgulho e esperança os cristãos. No entanto, estes esperam que Francisco faça tudo, desconhecendo quão ciclópica é a tarefa e ignorando os reais perigos que o papa atravessa.

As reformas de Francisco dentro da Igreja ainda estão em rascunho, necessitando da intervenção clara e inequívoca dos cristãos de todo o mundo, para passar a forma de lei.
Os cristãos precisam do Papa para revitalizar os cristianismo e o papa precisa dos cristãos para vencer a dura batalha que trava no Vaticano com os velhos lobos esfomeados, que querem manter a Igreja como a imaginaram, em meados do século XX, quando a mundo vivia a preto e branco, em plena guerra fria. 
Ao contrário do que possamos supor esses tempos não foram ainda derrotados. Putin reina na Rússia e Trump foi eleito nos EUA.
GAVB

domingo, 20 de março de 2016

HARAM AL-SHARIF - Qual é o teu Deus?


O Haram al-Sharif, ou Esplanada das Mesquitas, é o santuário muçulmano que faz de Jerusalém a terceira cidade santa do islão, depois de Meca e Medina. No entanto, este santuário foi construído sobre as ruínas do templo judaico que albergava as Tábuas da Lei. Do muro ocidental do templo restam apenas vestígios, e o Muro das Lamentações é um deles.
Este local sagrado, tanto para os Judeus como para os Muçulmanos, ilustra as dificuldades de resolução do conflito israelo-palestiniano. Em julho de 2000, as negociações de Campo David II com vista a um acordo de paz, sob tutela dos Estados Unidos, esbarraram logo na questão do estatuto de Jerusalém em geral, e de Haram al-Sharif em particular.

O presidente americano, Bill Clinton, propunha que se desse aos Palestinianos a soberania sobre os bairros cristão e muçulmano, incluindo a esplanada, e que Israel mantivesse a soberania do solo. A delegação palestiniana considerou que esta soberania era perfeitamente ilegítima.
Nos últimos dezasseis anos aprofundaram-se os ódios e a paz voou para bem longe de Jerusalém e do espírito de “responsáveis” dos dois lados.
Tenho muita dificuldade em entender o ódio, o sentido de posse material, a guerra e a o desejo de destruição quando falamos em religião. Qualquer que ela seja! Claro que há o passado, que há a mágoa, a dor e muitas mortes a atrapalhar um futuro que se pretende pacífico, mas o Homem, o Homem crente não pode fugir das balizas que o norteiam: Amor, Paz, Respeito, Compreensão, Perdão, Partilha. Para que serve uma religião se estes valores não triunfam nas nossas ações quotidianas? Que legado deixamos às próximas gerações de crentes?
Não somos responsáveis pelo passado nem temos de assumir ódios que não brotaram das nossas vontades ou ações, mas somos completamente responsáveis pelo presente de incompreensão que vivemos e pelo futuro de desentendimento que ajudamos a solidificar.
Afinal de contas, qual é o nosso verdadeiro Deus: a Paz e o Amor ou a guerra e o ódio?

Gabriel Vilas Boas