Etiquetas

Mostrar mensagens com a etiqueta Catalunha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Catalunha. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

INÉS ARRIMADAS, WONDER WOMAN


Inés Arrimadas, a cabeça-de-lista do Ciudadanos às decisivas e polémicas eleições na Catalunha, é a mulher de quem se fala em Barcelona. E com razão.
Inés é muito mais do que um jovem e belíssima mulher. Ela transpira garra, determinação, coerência política e ideológica. Consegue fazer uma campanha pela Espanha e pela Catalunha em simultâneo, usando a força da imagem e da argumentação.

Obviamente Inés é uma sedutora, mas a sua sedução começa na convicção dos seus argumentos, na coragem com que os defende, no bom senso das suas palavras.


Há uns meses, chamei a atenção da minha colega e amiga Anabela Magalhães (http://anabelapmatias.blogspot.pt/) para este fenómeno que estava a nascer na Catalunha, por oposição ao discurso sectário, cego, inábil do Carles Puigdemont. A maneira corajosa, assertiva e convincente com que Inés Arrimadas demonstrou as fragilidades do presidente da Generalitat deixa antever uma mulher talhada para grandes cometimentos.

Agora, está perto de vencer as eleições na Catalunha.
Inés tem todos os predicados que um verdadeiro político deve ter: argumentação, convicção, sedução, confiança, seriedade, bom senso. Ninguém melhor do que ela representa a juventude e a tradição, o europeísmo e a Catalunha, a unidade e a diversidade.

Se ganhar as eleições será um pequeno milagre, mas ele nunca esteve tão perto de acontecer. Se Inés for eleita a maior representante da Catalunha, é certo que os espanhóis podem dormir descansados, mas não é certo que o governo de Mariano Rajoy tenha sossego. Caso conquista a Catalunha, Inés Arrimadas não é mulher por se ficar por Barcelona, por muito importante e honrosa que seja a cidade condal.
É que, apesar de jovem, Inés não costuma cometer erros. E isso é assombroso.
GAVB

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

RAJOY, O INÁBIL, MARCOU PERIGOSO GOLO NA PRÓPRIA BALIZA


Mandar doze mil guardas-civis para a Catalunha, a fim de impedir um referendo, que afinal se realizou, foi a pior maneira de defender a Espanha dos ataques independentistas de Barcelona. Rajoy achou que podia ser um elefante, numa loja de porcelanas, que isso não traria consequências de maior. Trouxe já algumas e trará outras, em breve.
Para já conseguiu o impensável – 90% dos catalães, que ontem se dirigiram às urnas de voto, querem a independência. Nunca pensei que excedesse os 60%, mas as desesperadas decisões do primeiro-ministro espanhol fizeram subir em flecha o «Sim» indignado dos catalães.

Com 50% a 60%, Rajoy podia especular com a divisão da Catalunha, podia abrir mão de pouco em troca do essencial; com o resultado esmagador de ontem, Rajoy tem um problema sério. O voto dos catalães é uma vontade inequívoca de gente esclarecida. Foi feito também para constituir um sinal e um compromisso com a Europa.
Como muito bem fez notar o presidente do Governo Regional da Catalunha, Puigdemont, os catalães ganharam o direito a serem ouvidos e isso significa o início de um processo de independência. Ao contrário do que aconteceu com os bascos, desta vez, não foram os independentistas a partir para a violência injustificada.


Mais de oitocentos feridos, imagens de violência sobre idosos, ameaças aos moços de esquadra! O governo de Madrid perdeu o tato político. A Guarda Civil espanhola não foi a Barcelona impedir referendo nenhum, mas antes dar força aos independentistas. O governo espanhol embaraçou os seus aliados e agora todos temem que não tenham habilidade suficiente para desatar este nó.
Os catalães não odiavam a Espanha, mas apenas Madrid. Era (ainda é?) possível convencê-los a permanecer de bom grado, porque a companhia dos galegos, bascos, andaluzes também funcionaria com fator de unidade. Agora eles parecem decididos a partir. Talvez não o consigam fazer como imaginam, nem sem dor, mas o seu coração já começa a dizer adeus.

GAVB

domingo, 21 de setembro de 2014

EUROPA: AMEAÇA DE FRAGMENTAÇÃO


Há uns meses largos, o primeiro-ministro escocês Alex Salmond reivindicou junto do seu homólogo inglês mais autonomia para o seu governo dentro do Reino Unido. David Cameron disse que não e fez-se de forte: se Salmond queria mais autonomia, mais valia pôr a questão de independência da Escócia aos escoceses através de referendo. Estava mais que convencido da rejeição de tal proposta. Nos últimos dias deve ter amargurado tanta jactância, só possível em quem não conhece bem os orgulhosos escoceses. Há uma semana, os escoceses estavam mais inclinados para a cisão, mas à última hora, o coração british e o medo de perder a libra fê-los recuar.
Acho que fizeram bem. A alma grandiosa e nobre da Escócia pertence ao Reino Unido. Eles não queriam sair! Eles “apenas” queriam ser respeitados e considerados um parceiro igual à Inglaterra e não um parente de segundo que tinha que ficar agradecido de ser súbdito de Sua Majestade.


Não duvido que o medo da saída da União Europeia e a dúvida quanto à permanência da libra como moeda fizeram pender a balança para o lado do "Não", mas também estou certo que os escoceses estavam mentalmente preparados para amarrarem sozinhos o seu futuro.
Muita gente comparou o caso escocês ao catalão, referindo que o caso escocês abriria a caixa de Pandora da fragmentação europeia, sendo a Catalunha a próxima a “exigir” a sua libertação de Espanha.
Acho que os dois casos têm pouco em comum. Os escoceses queriam ficar… com mais respeito e consideração; os catalães querem sair debaixo do jugo de Madrid porque não suportam que a capital seja Madrid e que tenham de lhe prestar vassalagem. Os escoceses estavam preparados para assumir a rutura apesar de não a quererem; os catalães, ou melhor, os barcelonistas não estão preparados nem economicamente nem mentalmente para sair de Espanha.

Barcelona acha-se rica e autossuficiente, mas esquece que a sua riqueza lhe vem das inúmeras multinacionais que lá se instalaram e que não suportariam ficar fora do espaço da moeda única como certamente aconteceria à Catalunha. Por outro lado, Barcelona é profundamente cosmopolita e não estou a ver os catalães odiaram assim tanto Madrid para abdicarem da sua “dolce vita”. Se estivéssemos a falar dos bascos já não diriam o mesmo… 
Por falar em bascos: o que acharão eles desta ideia catalã de independência? Provavelmente o seu longo sorriso irónico se lembrará de como os “amigos” de Barcelona foram contra o desejo basco de sair de Espanha.
Além disto, ainda não estou convencido que a maioria da Catalunha almeje abandonar a grande Espanha. Julgo que essa vontade é muito maior em Barcelona que na região da Catalunha.
Reconheço a específica cultura catalã, a sua língua, a sua riqueza económica, mas não encontro “boas e fortes razões” para a sua saída do Reino de Filipe VI e Letizia.
Se a Catalunha se separar, será impossível impedir os bascos de “ir embora” e, nessa altura, a Espanha implodirá e a Europa terá outro desenho, pois a pequena Bélgica deixará de existir e outros casos surgirão para atormentar a União Europeia…


A única coisa positiva que vejo nesta nefasta deriva fragmentária da Europa é que tudo está a ser feito pacificamente e em democracia. E é assim que deve ser. Não podemos viver novamente tempos de violência como a sangrenta guerra nos balcãs, onde a Jugoslávia acabou da pior maneira.   
 Gabriel Vilas Boas