Já é suficiente mau uma
professora ser agredida no seu local de trabalho, por quem quer que seja, mas
quando a agressora é uma mãe, que irrompe por uma sala de aula e bate numa
mulher grávida, a ponto desta perder a criança que trazia dentro dela, o caso torna-se
ainda grave.
Quer a direção da escola, quer a
associação de pais, quer o próprio ministério da educação deviam ter repudiado
desde logo o triste acontecimento, pois não souberam proteger aquela professora
e o seu futuro filho, de uma agressão cobarde, indigna e ultrajante.
Como, incrivelmente, ninguém responsável
fez o seu trabalho, alguns deputados acharam por bem levar o caso à Assembleia
da República, pedindo o mínimo: um voto de condenação pelo sucedido.
E eis que o impensável acontece:
o partido do governo, o Partido Socialista vota contra. Os outros partidos de
esquerda (Livre, Bloco de Esquerda, Partido Comunista e Verdes) abstêm-se.
Não consigo compreender este ato!
Não consigo aceitá-lo!
Uma professora, uma mulher grávida
a exercer a sua profissão ao serviço do Estado português é agredida e a maioria
dos representantes do povo português recusa-se a condenar este ato?!
Quando Jerónimo de Sousa ou
Catarina Martins voltarem a dizer que defendem os professores e as suas
legítimas reivindicações, devíamos exibir-lhe um papel com o resultado desta
votação e virar-lhes definitivamente as costas. Quando algum membro do PS
voltar a dizer que é contra a violência, seja ela doméstica ou de outro
qualquer género, exercida contra uma mulher, especialmente quando está grávida,
há que lhe mostrar o seu voto.
Não têm desculpa!
Como diria
Angel Merkel, há atos que nos envergonha para a vida inteira e este será um deles.
Aquela gentinha que se levantou para recusar a condenação de uma agressão a uma
professora grávida, em serviço, não merece respeito nem tem honra para ocupar
o cargo que ocupa.
Há muita gente, entre a população
portuguesa, que tem verdadeiro ódio aos professores, mas acho que mesmo a
esmagadora maioria dessa gente era incapaz de um ato tão vil.
Certamente a vida há-de
encarregar-se de fazer sentir a todos aqueles que participaram nesta VERGONHOSA
recusa, quão mesquinho e baixo foi o seu ato.
GAVB

