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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

OS JAPONESES VOLTAM À CAÇA DAS BALEIAS QUANDO DEVIAM CAÇAR A TRADIÇÃO


É raro, mas os japoneses também têm atitudes incompreensíveis e condenáveis. Hoje, acordei com a notícia gelada do seu regresso à caça comercial da baleia, daqui a seis meses, já que agora se preparam para sair de fininho da Comissão Baleeira Internacional (CBI). 
É uma péssima notícia, até porque os japoneses não são só únicos predadores deste imponente e amigável animal marinho, pois tanto noruegueses como islandeses também praticam esse selvagem desporto... com intenção comercial.


Na verdade, este anúncio japonês é apenas o fim de um hipócrita fingimento, dado que os nipónicos nunca pararam realmente de perseguir estes grandiosos cetáceos, mas alegavam que o fazia por razões científicas. No entanto, essa era uma máscara muito transparente, visto que, só nos últimos meses, caçadores japoneses capturaram trezentas baleias jovens, das quais cem eram fêmeas grávidas. Não há investigação que suporte atitude tão cruel e irresponsável!



Mais verdadeiros, agora, os japoneses falam da importância de defender uma tradição centenária, mas essa continua a ser uma desculpa esfarrapada, dado o caminho responsável e sábio que os súbditos do imperador do sol nascente percorreram nas últimas décadas, abandonando práticas enraizadas, quando tal se verificou nefasto.

Os japoneses são suficientemente inteligentes para perceberem que este NÃO é o "Caminho A Seguir". Não necessitarão, certamente, de nenhuma guerra, abalo sísmico ou embargo comercial para o entender, mas "apenas" de um tremor de consciência, que embargue uma tradição que precisa de ser caçada.
GAVB 


domingo, 16 de abril de 2017

A TRADIÇÃO É UM INVÓLUCRO TÃO BONITO


O número das pessoas que gosta da Páscoa cresce a cada ano que passa. Há sol, uma folga no emprego, uma família para matar saudades, chocolate na boca e umas mini-férias na praia ou no campo para gozar. A hotelaria agradece imenso, embora não deixe nenhuma esmola na igreja.
Alguém se encarrega de cumprir a tradição que sustenta tudo isto. A casa fica aquele brinquinho de que a avó tanto se ufana; a mãe trata de preencher a mesa vistosa e gulosa com pão de ló, vinho do porto, folar e amêndoas e o padre passará com o seu cortejo a compasso.



A tradição é o melhor negócio da era moderna. Além de fashion e moldável, não precisa de ganhar mercado, porque ele está ganho por natureza. Alguns apontamentos de modernidade misturados com fotos vintage, para selar a autenticidade do produto, dão dimensão e grandeza à tradição pascal.
A Páscoa que vivemos é cristã? Sim, já nos tinham falado “disso”.
O que é que significa? Pois… não sabemos bem… mas a nossa avó sabe de certeza e a mãe ainda deve ter umas luzes sobre o assunto. Já quanto ao pai, é melhor não arriscar a pergunta.


A tradição pascal é muito bonita e gostamos muito dela desde que fiquemos pelo invólucro. Queremos lá saber do conteúdo ou da nossa responsabilidade em alimentá-lo. Isso dá imenso trabalho e não é certo que gostássemos assim tanto.
No entanto, é bom lembrar que qualquer tradição, por muito resistente e resiliente que seja, precisa sempre de um pouco de água para se manter viva. Não é sensato deixarmos a avozinha fazer de última bolacha do pacote, porque a sua fé não é comerciável nem dura para sempre. E o tempo acabará por desfazê-la em migalhas.
E sem bolachas não há beleza que salve esse pacote-tradição de se tornar num produto contrafeito made in China.
GAVB


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

ENCERRADO À SEGUNDA-FEIRA




Se um turista aterra em Portugal num domingo à tarde e começa a consultar a oferta cultural de Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Guimarães, Évora ou Funchal rapidamente depara com um problema: praticamente todos os museus, casas de arte, palácios, castelos, estão encerrados. Da cidade mais pequena à mais importante é raro encontrarmos um espaço cultural aberto.


Não importa que estejamos em Agosto, Julho ou Junho, na pausa letiva do Natal, da Páscoa ou Carnaval – a segunda-feira é sagrada. Os anos passam, os turistas deixam o seu reparo, as agências de viagens fazem notar o seu desagrado, mas a prática continua.
Ora esta situação é lamentável, incompreensível e nefasta para o turismo, que tem um impacto cada vez maior na economia nacional. Um país que pretende aumentar todos os anos o número de turistas não pode estar culturalmente fechado à segunda-feira. A oferta cultural de uma cidade é peça fundamental do “negócio turismo” e este não pode estar à mercê de uma tradição que não faz sentido nos tempos que correm. Os museus, os palácios, os castelos têm de estar abertos 12 horas por dia, todos os dias por ano, pelos menos nos monumentos que assim o justificam e são já dezenas.


Como podemos ter os Jerónimos encerrados à segunda-feira com milhares de pessoas em Belém para o ver? E se a isto juntarmos que a Torre de Belém também está fechada, que o Palácio da Ajuda idem aspas, que todos os museus da capital fecham à segunda e o mesmo acontece com os de Cascais, temos um quadro desesperante para quem procura o nosso país, por poucos dias, e tem o azar de passar uma segunda-feira a bater com nariz na porta. Quando chegarem aos seus países é esta informação negativa que passarão e na hora de outros escolherem, este fator funcionará contra Portugal.
Dir-me-ão que noutras capitais europeias acontece o mesmo. É verdade, mas um país que quer passar da 2.ª para a 1.ª divisão do turismo europeu tem de se esforçar mais do que outros, tem de oferecer mais e melhor e não se pode dar a estes luxos.
É preciso estar aberto todos os dias da semana, especialmente nos períodos turísticos do ano, o que coincidem com as férias escolares. 
Isto, obviamente, não implica perda de direitos laborais por parte dos trabalhadores dos museus, palácios ou castelos. As verbas que estes captam nestes períodos altos de visitantes são suficientes para pagar o aumento de pessoal.

Gabriel Vilas Boas