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domingo, 26 de fevereiro de 2017

REAL MARKETING MADRID


Visitar o estádio do Real Madrid, o mítico Santiago Bernabéu, é o sonho de muitos jovens e nem é preciso que gostem lá muito de futebol. É lá que joga Ronaldo, Bale ou Modric; foi lá que jogou Figo, Raul ou Hugo Sanches, para já não falar em Casillas ou do «deus» madrileno Alfredo Di Stefano.
Depois de uma panorâmica geral das bancadas, o visitante vai-se aproximando do relvado ao mesmo tempo que analisa com um olhar de bisturi as entranhas do maior clube do mundo.


O museu do Real é bonito, mas não é nada de extraordinário. Sobressaem, obviamente, as onze taças de Campeão Europeu e fotos e vídeos dos momentos mais altos da riquíssima história do clube.
É neste percurso pelo museu dos «blancos» que o visitante vai percebendo a monstruosa máquina de marketing em que o Real Madrid se tornou. 


As informações sonoras, que podemos ouvir, são em inglês; todas as fotos são permitidas e até incentivadas. Podemos descer até ao relvado, sentar no banco dos suplentes, entrar nos balneários personalizados dos crackes do Real e até simular que somos o Zidane, o Ronaldo ou Florentino Perez e falar para a imprensa.
O preço de tanta simpatia não está apenas no bilhete de visita ao estádio, mas nas últimas salas onde temos de passar: a maravilhosa megastore do clube, onde se vendem todo o tipo de produtos oficiais do Real Madrid, a preços nada convidativos.

Finalmente, o jovem começa a perceber de onde vem o dinheiro que paga os salários astronómicos dos jogadores de futebol e nota a desproporção entre o valor real de um determinado produto/artigo e o seu valor comercial. 
Com os jogadores de futebol acontece algo de semelhante, mas o marketing dos clubes é um fabulosa máquina de fabricar sonhos e ilusões que nos faz crer até ao limite que não somos nós a pagar a conta. Mas somos…
GAVB

sábado, 24 de maio de 2014

CHAMPIONS LEAGUE IN LISBON



Dez anos depois a magia do melhor futebol europeu regressou a Lisboa. Há dez anos atrás foi o EURO 2004, com essa tragédia grega na final que Portugal devia ter ganho, depois daquele jogo memorável contra Inglaterra em que vencemos nos penaltis. Agora é a final da Champions League entre duas equipas espanholas: o Real Madrid e o Atlético de Madrid.
As duas equipas mais importantes de Madrid procuram a glória futebolística em… Lisboa. Os adeptos madrilenos trouxeram para a capital portuguesa a sua paixão pelos seus clubes e pelo futebol. Invadiram Lisboa com as suas cores, a sua alegria e a ilusão de viverem a festa da vitória.
          Durante dois dias os espanhóis encheram os restaurantes e os hotéis da capital portuguesa, pagando generosamente aquilo que a gula dos portugueses quis pedir. A quase tudo disseram que sim. Vieram mais de 100 mil para um recinto onde só cabem 65 mil. Infelizmente, a UEFA guarda cerca de 40% dos bilhetes para amigos e patrocinadores, ignorando os adeptos que tornam este jogo tão irracionalmente apaixonante.
             Os portugueses viveram este jogo de forma especial. Não apenas porque ele se disputava em Lisboa, mas porque no Real Madrid jogam os “nossos” Ronaldo, Fábio Coentrão e Pepe, enquanto do lado do Atleti atua Tiago. O Atlético procurava a sua primeira Champions League, já o Real Madrid tentava ganhar a mítica décima. Dez vitórias na prova mais importante da UEFA confirmavam o Real como o maior clube do mundo.

            O jogo não foi um primor na arte de bem jogar futebol, mas teve tudo o que uma final deve ter: adeptos entusiasmados, equipas a dar o melhor de si, incerteza no resultado até ao fim, uma equipa quase a conseguir levar a taça (Atlético de Madrid), outra a lutar e a conseguir empatar o jogo e forçar assim o prolongamento (Real Madrid). Incerteza, nervos, um golo nos descontos e… mais trinta minutos de jogo. No prolongamento, a equipa de Ronaldo foi mais forte e marcou três golos, vencendo o jogo por 4-1. Ronaldo, mesmo não deslumbrando, como o fez Angel Di Maria, acabou por marcar o golo final.
            O estádio inteiro em delírio aplaudiu os vencedores e honrou os vencidos que lutaram até ao limite das suas forças.  

              A desejada décima vai morar em Madrid. O Clube de Di Stefano, Gento, Puskas, Butragueño, Hugo Sanches, Raul Gonzalez e… Cristiano Ronaldo, o português que os madrilenos veneram, atingia a glória em Lisboa. E não foi porque nos conquistaram. Eles apenas conquistaram a Champions League. Assim podemos beber um copo com eles e alguns até dirão Hala Madri!

Gabriel Vilas Boas