Etiquetas

Mostrar mensagens com a etiqueta Professor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Professor. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

FELIZ É O PROFESSOR QUE APRENDE ENSINANDO


Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faz de tua cadeira,
a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério,
ele te elevará à magnificência.
Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência,
um excelente mestre.

Meu jovem Professor, quem mais ensina e quem mais aprende?
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe,
do professor ou do aluno?
Professor, sê um mestre.

Há uma diferença subtil
entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.
O professor tem uma tabela a que se apega.
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre um mestre.

Feliz é o professor que aprende ensinando.
A criatura humana pode ter qualidades e faculdades.
Podemos aperfeiçoar as duas.
A mais importante faculdade de quem ensina
é a sua ascendência sobre a classe
Ascendência é uma irradiação magnética, dominadora
que se impõe sem palavras ou gestos,
sem criar atritos, ordem e aproveitamento.
É uma força sensível que emana da personalidade
e a faz querida e respeitada, aceita.
Pode ser consciente, pode ser desenvolvida na escola,
no lar, no trabalho e na sociedade.
Um poder condutor sobre o auditório, filhos, dependentes, alunos.
É tranquila e atuante. É um alto comando obscuro
e sempre presente. É a marca dos líderes.

A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros
do começo ao fim.
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
O melhor professor nem sempre é o de mais saber,
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir
e manter o respeito e a disciplina da classe….

Cora Coralina, em “Ainda Aninha…”, no livro “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”

domingo, 10 de junho de 2018

BOM ERA O PROFESSOR NÃO TER CARREIRA, NUNCA SER AUMENTADO, SER HUMILHADO E FICAR CALADO


Argumentar/persuadir é a capacidade de convencer o outro pela força dos nossos argumentos. Quem entra numa discussão (por mais polémica que seja) de boa fé, sabe que deve falar e que deve ouvir e tanto deve admitir convencer como ser convencido. 

O que mais me entristece é que a maioria dos participantes em debates públicos não admite “ser convencido” e confunde isso com “perder”. Não é a mesma coisa! Como não é a mesma coisa termos simpatia por uma fação e ser justo que essa fação consiga os seus intentos.

Por norma, os grandes debates públicos não são um jogo, em que os mais habilidosos vencem independentemente do mérito da sua proposta. Os debates que interessam às populações mexem com a vida das pessoas, influenciam a sua atuação social e familiar. Devemos olhá-los com respeito. 
O respeito começa logo ao estar ao corrente das reivindicações de um lado e da contra-argumentação do outro; o respeito continua ao deixarmos de lado os nossos preconceitos, a favor ou contra, sobre determinada classe profissional. 


Respeito é igualmente pormos de lado as graçolas ofensivas e ainda apenas debitarmos posições racionais e conhecedoras de todos os elementos em debate.



A carreira dos professores é aquilo que é. Privilegiada para uns, adequada para outros, insuficiente para muitos. No entanto, existindo, é como a lei – tem de ser aceite. Não podemos fazer como o rei Filipe IV, de França, que ao verificar que devia tanto aos Templários, os ilegalizou, perseguiu e matou, confiscando-lhes os bens. Todo o acusado / devedor gostaria de chegar a tribunal e dizer:
 “- A lei diz que devo? Que tenho de pagar? Então, mude-se a lei e com efeitos retroativos”. 
Quando este tipo de argumentação vingar, qualquer lei deixa de fazer sentido.


Sempre que os professores suscitam a questão de ganharem o mesmo (ou até menos) há vários anos, há um conjunto de pessoas, com tempo de antena, que se acha no direito de vomitar algumas mentiras:

- Eles progridem automaticamente, ignorando que há avaliação, aulas assistidas, formação obrigatória e avaliada;

- Eles ganham de mais, esquecendo que há professores, com vinte anos de serviço, que nunca passaram os mil euros de ordenado e mesmo assim, pagam casa arrendada, portagens e gasolina para irem trabalhar a duzentos quilómetros de casa;

- Eles não fazem nenhum, embora sejam incapazes de descrever o dia-a-dia de um professor do século XXI, pensando que ser professor é aquela atividade que o seu professor primário fazia, há cinquenta anos, na aldeia onde nasceram;
- Eles ensinam mal, ignorando que todos os bons profissionais que o país tem só existem porque houve e há bons professores;

- O que eles fazem qualquer um faz, ainda que não saibam exatamente o que o professor faz, como o faz e nas circunstâncias em que o faz.

GAVB

domingo, 8 de maio de 2016

QUANDO UM PROFESSOR AMUA


Amuar é quase sempre uma péssima resposta a um problema. Quando acontece com uma criança, passa-lhe com o tempo, quando acontece com um adulto, normalmente agudiza-se com o tempo e não passa.
Os professores estão habituados a lidar com as birras dos seus alunos, mas não com as suas. Frequentemente nem dão por elas.

Quando uma turma inteira obtém razoáveis resultados com vários professores durante o mesmo ano letivo e péssimo apenas connosco e nós pensamos que a culpa é obviamente (?) dos alunos, porque não estudam, isso é pouco avisado. Achar que o nosso método é o único possível com aquele grupo é pouco inteligente; recusar mudar de estratégia, apesar de todas as evidências, é amuar na hora e no local errados.
Quando um aluno não faz aquilo que eu pretendo “à minha maneira”, pode ser a minha maneira que está errada. Amuar, ou seja, insistir num método comprovadamente votado ao insucesso não é solução, por muito que o nosso ego seja atingido. Ninguém fica a ganhar, professor incluído.
Claro que quando um professor tem de mudar o seu inamovível método de ensino, ele é obrigado a sair da sua zona de conforto e as dúvidas são muitas e, por vezes, notam-se. No entanto é preferível arriscar perder alguma reputação balofa, a perder a turma durante meses.

As mentalidades dos alunos renovam-se a um ritmo superior e temos de nos adaptar a elas, levando aos alunos o essencial do que pretendemos ensinar numa roupagem que os tempos aconselham. Eles também não escolheram o tempo e o modo em que vivem.
Há várias maneiras de levá-los ao esforço e ao compromisso. As suas histórias de vida, as suas personalidades não vêm em nenhum manual de pedagogia. Cabe ao professor absorvê-las com humildade e a partir delas desenhar o método que melhor se adequa àquele grupo. Normalmente temos de descer expectativas, ir lá por tentativa-erro e experimentar de várias maneiras.
Fundamental é ter humildade para desconstruir um método certo e inútil e ao mesmo tempo demonstrar coragem e convicção no método que construímos para aquele grupo.
Um professor tem de ter consciência que a sua profissão obrigá-lo-á a reinventar-se várias vezes ao longo da vida, porque amuar nunca foi solução. Sempre que um professor amua, o mundo para, estagna e dá um passo atrás.
Gabriel Vilas Boas