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domingo, 31 de julho de 2016

DESCOBRINDO PICASSO NO EL BORN (BARCELONA)


Instalado no típico bairro do El Born (um dos mais charmoso de Barcelona, onde ruas estreitas, edifícios antigos e lojas, bares e restaurantes modernos coabitam pacificamente), o Museu Picasso é uma visita obrigatória para quem passa uns dias em Barcelona ou não fosse Pablo Picasso um pintor mundialmente conhecido.
O Museu, inaugurado há mais de cinquenta anos, ocupa cinco belíssimos palácios góticos, interligados entre si, para albergar as 3.800 obras de Picasso.



Jaime Sabertés (grande amigo de Picasso e principal impulsionar do museu) queria que este espaço ficasse em Málaga (terra natal do artista), mas o pintor preferiu Barcelona, intuindo que o seu Museu teria muitos mais visitantes se tivesse na cidade de Gaudi, Domèneche i Montaneri ou Puig Cadafalk.
A grande atração da coleção permanente é a série de reinterpretações do famoso quadro de Velasquez, As Meninas (cujo original está no El Prado, em Madrid), em paralelo com os valiosos e surpreendentes quadros que Picasso pintou na sua adolescência. Surpreende qualquer visitante verificar que Picasso pintava quadros tão belos e com tanta técnica aos 13/14 anos. Há uma série de retratos, principalmente ligados à família e círculo de amigos, onde se perceciona que o jovem Pablo tinha um dom fabuloso para a pintura.


Antes, o visitante é fica estupefacto com a série de desenhos de Pablo Picasso, onde o denominador comum são as mulheres em pose eróticas e o pintor Degas, muitas vezes ridicularizado entre prostitutas.
A coleção permanente do Museu percorre cronologicamente todos os períodos da obra de Picasso, apresentando vários quadros dos períodos da sua obra: período azul, período rosa, período africano e cubismo (analítico e sintético).



É também possível ver no Museu Picasso esculturas e peças em cerâmica do autor de Guernica, mostrando quanto o malaguenho era multifacetado.

O único senão que encontro neste museu é não ter no seu espólio algumas das principais obras do autor como Guernica, que devia estar em Barcelona, já que é o quadro mais famoso de Pablo Picasso.

Gabriel Vilas Boas

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

MINOTAURO E ÉGUA MORTA DIANTE DE UMA GRUTA, de Pablo Picasso


A obra de Picasso relacionava-se muitas vezes com a sua vida particular. Depois da sua mulher Olga o ter deixado e de descobrir que a sua amante estava grávida, Picasso escreveu poesia surrealista durante uns nove meses.
Depois, em Março de 1936 visitou Juan-les-Pins, na Riviera francesa, regressando com desenhos de cenas fantásticas representando Minotauros. Para Picasso, o monstro com cabeça de touro era um símbolo da natureza dualista do homem e aqui representa a luxúria e a brutalidade. Embora a gentileza dos seus olhos e o sorriso sejam estranhamente afetuosos, o monstro segura um cavalo despedaçado pelas suas próprias mãos e estende um abraço enorme na direção de uma rapariga com um véu – que o fixa estarrecida.  
À esquerda, outro par de mãos estendidas, implorando, sai da escuridão de uma gruta. Perturbado pelos acontecimentos em Espanha, que mais tarde levariam à deflagração da guerra civil, este quadro era uma alegoria privada para o artista.
O elemento-chave desta composição pictórica é obviamente o Minotauro. O feroz Minotauro foi concebido quando Pasífae, mulher do Rei Minos de Creta, acasalou com um touro. Tem corpo de homem e cabeça de touro e era mantido no labirinto de Creta para onde, de nove em nove anos, sete jovens e sete donzelas eram mandados em sacrifício. Finalmente, o herói Teseu ofereceu-se voluntariamente como vítima e matou a besta, tendo escapado da ferocidade do animal com a ajuda de um rolo de fio fornecido pela filha de Minos, Ariadne.
Nesta pintura, a criatura representa instintos animais, tais como a luxúria.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

LES DEMOISELLES, de Pablo Picasso

Este quadro é considerado uma das grandes obras-primas do século XX. Picasso revolucionou o mundo da pintura ao realizar esta obra, onde representou cinco mulheres nuas e uma pequena fruteira.
Nesta obra, o processo de esquematização a que submeteu as figuras femininas é muito evidente. Ao mesmo tempo, observa-se uma clara tendência para a geometrização das formas.
Neste sentido, Les Demoiselles pode ser considerada como uma pintura precursora do Cubismo, tendência artística que apareceria, em 1908, pela mão do próprio Pablo Picasso.
Este óleo sobre tela, de grandes dimensões (243,9x233,7cm) é uma das joias do Museum Of Art Modern de Nova Iorque. Quanto à sua temática pode dizer-se que Pablo Picasso se inspirou diretamente nas últimas obras de Cézanne, que faleceu em 1906, em Paris. No ano seguinte à sua morte, houve uma grande retrospetiva do autor, o que permitiu aos jovens artistas como Picasso conhecer a obra pictórica deste grande mestre.
Por outro lado, do ponto de vista formal e compositivo, Picasso resolveu o tema de uma forma muito diferente da do pintor pós-impressionista, desenvolvendo uma linguagem totalmente nova.
Nesta obra destacaria dois pormenores: o primeiro na parte central inferior da tela e o segundo, no canto superior direito.

No primeiro caso, verificámos que Picasso retrata um dos temas mais frequentes de Cézanne: a natureza morta. Picasso esquematizou ao máximo os frutos, convertendo-os num ponto essencial, para o qual converge o olhar do espectador.




No segundo caso, o rosto esquemático e alongado assim como as marcas que apresenta, permitem afirmar que o pintor espanhol foi diretamente influenciado pela escultura africana, pela qual Picasso sentia uma enorme atração.


Gabriel Vilas Boas 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

GUERNICA



“No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.” Picasso, sobre Guernica



“Guernica” é, talvez, o quadro, do espanhol Pablo Picasso, mais conhecido. Além da inquestionável qualidade artística, a fama deriva-lhe, também, do acontecimento a que se refere: a Guerra Civil espanhola, antecâmara da II Guerra Mundial.
O artista espanhol pintou este poderoso quadro antiguerra como protesto contra um acontecimento terrível que teve lugar durante a Guerra Civil Espanhola. Em 1937, centenas de civis foram mortos na sequência do bombardeamento aéreo da cidade espanhola de Guernica.
O ataque a Guernica foi manchete nas notícias. A devastação foi mostrada em sombrias imagens a preto e branco nas páginas dos jornais e nos blocos de atualidades exibidos nos cinemas. Picasso viu estas imagens e decidiu imitá-las, optando por pintar o seu quadro num preto e branco austero.
O quadro de Picasso é dotado dum grande simbolismo.
No canto superior esquerdo, podemos ver um touro que observa uma mulher agarrada a uma criança. Segundo o pintor, o touro representava a brutalidade e as trevas. No canto superior direito, observamos uma mulher a cair duma casa em chamas, lembrando os inúmeros incêndios causados pelos bombardeamentos.
                Ao centro, temos desenhado a figura dum cavalo, que simboliza o povo. O animal está trespassado por uma lança. Ao lado do cavalo, um rosto assiste, horrorizado, da janela.
                Na parte inferior, Picasso pintou um soldado morto, que jaz, por terra e uma mulher, tentando fugir das bombas.
                É também de realçar, neste óleo sobre tela, do artista espanhol, as mudanças bruscas entre a luz e escuridão, que sugerem os clarões das bombas a explodir. Já as formas dentadas e distorcidas, desenhadas no canto superior direito, fazem com que tudo pareça distorcido e desfigurado.

Guernica após o bombardeamento ficou reduzida a escombros, com fogos que arderam durante três dias.
 Um terço dos habitantes da cidade foi morto ou ferido.

 Pablo Picasso afirmou que teve, ao criar esta obra, “um sentido deliberado de propaganda”. Através dela, esperava sensibilizar as consciências e congregar a oposição às forças de extrema-direita, responsáveis pelo bombardeamento. A enorme dimensão do quadro e as figuras torturadas foram pensadas para maximizar o impacto junto do povo espanhol.
                O acontecimento foi condenado no mundo inteiro, mas isso de pouco serviu à Espanha. A guerra acabou com o país nas mãos dum brutal ditador.
                Picasso recusou-se a deixar que “Guernica” fosse visto em Espanha até à restauração da democracia, que aconteceu, finalmente, em 1975. A obra está hoje sediada em Madrid, no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia.

Gabriel Vilas Boas