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quinta-feira, 26 de abril de 2018

O DIA MAIS INFELIZ DA HISTÓRIA



Talvez o título seja exagero, mas é o que apetece chamar ao dia do ano que concentra efemérides tão negativas como Guernica, Chernobyl ou Tiananmen.

Antes de falarmos da «morte», convém referir um dos seus “anjos” preferidos: a Gestapo. 
A 26 de abril de 1933, a mais temível polícia política que a europa ocidental conheceu ficou oficialmente estabelecida. Acho que a partir dessa primavera o dia 26 de abril nunca mais se recompôs, pois quatro anos volvidos, a desconhecida cidade basca de Guernica, em Espanha, foi violentamente bombardeada pela aviação alemã, numa espécie de ensaio geral para a II Guerra Mundial, sem que ninguém percebesse que a estreia estava para breve. Estupidamente o ataque teve a conivência de Franco. Só por isto, já merecia ser odiado por todos os espanhóis, mas ele fez por merecer mais...

Este bárbaro ataque ficou celebrizado no mais fabuloso quadro Pablo Picasso – Guernica – que atrai milhões de pessoas ao Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, bem no centro de Madrid.

Meio século mais tarde, em 1988, o azar deste dia de abril voltou a fazer das suas em Chernobyl (cidade da atual Ucrânia, na altura incorporada na extinta URSS), quando o reator da central nuclear colapsou, provocando danos irreparáveis na população e no ambiente, que ainda hoje se fazem sentir.

Um ano mais tarde, na China, na Praça da Paz Celestial (que ironia da História…) ou Praça Tiananmen decorria um significativo protesto de jovens chineses contra o enclausurado regime comunista chinês. A 26 de abril, o jornal chinês Renmin Ribao, num editorial que fez História, deixava antever o final infeliz da história, quando alcunhava o movimento estudantil que ocupava a Praça como subversivo e desestabilizador. O destino estava traçado, mas uma vez com o dia 26 de abril a servir de enquadramento temporal.


Nota de rodapé: ainda não é uma figura história e possivelmente não o virá a ser, mas a 26 de Abril de 1970, nascia na Eslovénia Melanija Knavs. Aos dezasseis anos mudou-se para os EUA e aos vinte e um conseguiu o visto de residente permanente nos EUA. Nesse mesmo ano casou com Donald Trump, tornando-se, nessa altura, cidadã norte-americana. É hoje a primeira-dama do país mais poderoso do mundo e talvez seja melhor ficar apenas por isso…




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

GUERNICA



“No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.” Picasso, sobre Guernica



“Guernica” é, talvez, o quadro, do espanhol Pablo Picasso, mais conhecido. Além da inquestionável qualidade artística, a fama deriva-lhe, também, do acontecimento a que se refere: a Guerra Civil espanhola, antecâmara da II Guerra Mundial.
O artista espanhol pintou este poderoso quadro antiguerra como protesto contra um acontecimento terrível que teve lugar durante a Guerra Civil Espanhola. Em 1937, centenas de civis foram mortos na sequência do bombardeamento aéreo da cidade espanhola de Guernica.
O ataque a Guernica foi manchete nas notícias. A devastação foi mostrada em sombrias imagens a preto e branco nas páginas dos jornais e nos blocos de atualidades exibidos nos cinemas. Picasso viu estas imagens e decidiu imitá-las, optando por pintar o seu quadro num preto e branco austero.
O quadro de Picasso é dotado dum grande simbolismo.
No canto superior esquerdo, podemos ver um touro que observa uma mulher agarrada a uma criança. Segundo o pintor, o touro representava a brutalidade e as trevas. No canto superior direito, observamos uma mulher a cair duma casa em chamas, lembrando os inúmeros incêndios causados pelos bombardeamentos.
                Ao centro, temos desenhado a figura dum cavalo, que simboliza o povo. O animal está trespassado por uma lança. Ao lado do cavalo, um rosto assiste, horrorizado, da janela.
                Na parte inferior, Picasso pintou um soldado morto, que jaz, por terra e uma mulher, tentando fugir das bombas.
                É também de realçar, neste óleo sobre tela, do artista espanhol, as mudanças bruscas entre a luz e escuridão, que sugerem os clarões das bombas a explodir. Já as formas dentadas e distorcidas, desenhadas no canto superior direito, fazem com que tudo pareça distorcido e desfigurado.

Guernica após o bombardeamento ficou reduzida a escombros, com fogos que arderam durante três dias.
 Um terço dos habitantes da cidade foi morto ou ferido.

 Pablo Picasso afirmou que teve, ao criar esta obra, “um sentido deliberado de propaganda”. Através dela, esperava sensibilizar as consciências e congregar a oposição às forças de extrema-direita, responsáveis pelo bombardeamento. A enorme dimensão do quadro e as figuras torturadas foram pensadas para maximizar o impacto junto do povo espanhol.
                O acontecimento foi condenado no mundo inteiro, mas isso de pouco serviu à Espanha. A guerra acabou com o país nas mãos dum brutal ditador.
                Picasso recusou-se a deixar que “Guernica” fosse visto em Espanha até à restauração da democracia, que aconteceu, finalmente, em 1975. A obra está hoje sediada em Madrid, no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia.

Gabriel Vilas Boas