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sábado, 23 de julho de 2016

JUST THE WAY YOU ARE, Diana Krall


Diana Krall é das melhores companhias que podemos ter numa noite de verão. Ao vivo, como música de fundo de um bar junto ao mar, no silêncio da varanda da nossa casa, qualquer lugar é bom para ouvir a voz suave, delicada, relaxante da cantora canadiana.
Ontem, em Lisboa; hoje, no Multiusos de Gondomar, o público português pôde novamente sentir a magnificência de um jazz de primeira água. 
Hoje, proponho-vos voltar a ouvir “Just The Way You Are”, um tema relançado por Krall em 2002, provavelmente para “homenagear” o êxito de Bill Joel, de finais dos anos setenta.
Adoro a calma que transparece em toda a música. Os vários instrumentos combinam perfeitamente com a voz descontraída de Krall que nos convida a ser fiéis à nossa personalidade.

E como às vezes andamos longe da nossa identidade! Procurando seguir tendência, buscando o lado “fashion” da vida sem cuidar do que somos. Por vezes a melhor maneira de agradar a quem amamos é praticarmos aquela autenticidade que nos torna únicos e especiais.

“Don’t changing, to try and please me”
(…)
I took the good times, I’ll take de bad times
I’ll take you just the way you are”

Toda a música é um convite à confiança naquilo que somos. Claro que não devemos confundir confiança com autismo ou arrogância, mas também não precisamos de ter vergonha daquilo que somos, ainda que isso, circunstancialmente, pareça fora de moda.
Diana Krall apela ao amor tranquilo, confiante, seguro. A confiança é um valor fundamental em qualquer relação. Ela está nas palavras, no olhar, nos atos.
“Just the way you are” há sempre acalmar alguns corações inquietos, porque a boa música vai sempre além da arte ou do prazer, penetrando um pouco a nossa alma, fazendo-nos um bocadinho mais felizes.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

STING, A ENGLISHMAN IN WORLD


Sting não é nome de gente, mas é nome de artista. O inglês Gordon Mathew Samner tornou-se Sting por causa da camisola amarela às riscas horizontais negras, com que gostava de tocar, nas bandas por onde se iniciou no fabuloso mundo da música. O “ferrão” ficou para toda a vida.


A minha primeira memória deste britânico, que  foi quase tudo, até professor, remonta ao início da década de oitenta, quando Sting era o talentoso baixista dos Police e encantava meia europa com “Every breath you take”. Foi a primeira música que quis gravar, num suporte que já não existe: a cassete.
A vida dos Police durou pouco no passeio da fama, apesar de êxitos como “Walking on the moon”, “Messege in the bottle”. Sting projetou e enterrou os Police, quando decidiu iniciar uma carreira a solo.
A sua música seguiria coordenadas diferentes das do grupo que lhe deu fama. Mais soul, mais jazz. Sting não larga a guitarra, mas agora é ele o dono do palco. As letras das suas músicas mostram o lado intimista de alguém que gosta de se declarar por inteiro: revelando alma e coração.

A música serena e bela embrulha composições de forte densidade poética e até filosófica. Serei sempre um eterno fã de Englishman in New Iork, onde nos convida a afirmar a nossa personalidade em qualquer lugar. No entanto, Fields of gold enche as medidas de todos aqueles que acham que a música só é verdadeiramente grande quando da boca do cantor saem pérolas de poesia.
As músicas de Sting destacam-se pelos maravilhosos arranjos das melodias, mostrando quanto o inglês é especialista na composição.

Ao longo de três décadas de boa música, Sting ganhou o respeito e admiração do público que ainda hoje o idolatra. Perto de completar sessenta e quatro anos, é cabeça de cartaz de qualquer festival de verão. Daqui a três dias estará em Lisboa para a primeira noite do Super Bock Super Rock. É a quarta vez que está entre nós na última década. São músicas como Sharp of my heart, Desert Rose; De Do Do Do; De Da Da Da; Every Little Thing She Does Is Magic, If You Love Someboby Set Them Free que nos fazem gastar cerca de 10% do salário mínimo nacional para ver e ouvir, ao vivo, aquele barbudo que um dia a rainha de Inglaterra tornou Comandante da Ordem do Império Britânico.
Gabriel Vilas Boas

terça-feira, 7 de abril de 2015

BILLIE HOLIDAY

Faz hoje cem anos que Billie Holiday nasceu; aquela que é por muitos considerada a melhor cantora de jazz de todos os tempos.
Billie Holiday deu à vida o melhor jazz que uma mulher cantou e a vida retribui-lhe com a mais amarga má sorte que alguém pode ter. A vida de Eleanora Fagan Gouth é um tratado sobre o infortúnio.
Filha de pais adolescentes, violada aos dez, mendigando por comida aos doze, prostituindo-se aos catorze, Eleanora interrompe o calvário existencial, aos quinze, quando um pianista lhe pergunta se não teria jeito para cantar.
Quando o crítico musical John Hammond reparou no seu talento perdido em bares noturnos, o mundo começou a conhecer uma voz maravilhosa que elevou a categoria do jazz.
Quem a ouvia rendia-se àquela voz rouca, profunda e sensual, onde escorriam palavras cheias de musicalidade e emoção. Os apreciadores de jazz pediam-lhe para emparceirar com os deuses do jazz porque ela pertencia à realeza. 
Já na condição de diva, cantou entre brancos numa América racista, atraiu Louis Armstrong e sobretudo Lester Young, com quem gravou mais de cinquenta canções. Nessa altura Eleanora já era a divina Billie Holiday, que cantava “Love Me or Leave Me”, “Strange Fruit”, “Blue Moon” ou uma curiosa “All of me”, cuja letra cito parcialmente:


Why not take all of me?
Can't you see?
I'm no good without you
Take my lips
I want to lose them
Take my arms
I'll never use them




Todavia a vida continuou a ser indecente com Billie. Falhou casamentos e amores, encontrou a bebida e as drogas que a levaram à morte precoce que parecia ter escrito no código genético.
Como uma qualquer canção de jazz, a sua vida foi um improviso, onde o talento sucumbiu à desgraça.
No tempo de Billie não havia HD e o som não era captado nas melhores condições, mesmo assim sabe bem ouvir um jazz interpretado por Billie Holiday, porque, como diria James Bound, os diamantes são eternos.
Gabriel Vilas Boas


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

AO SOM DE... DIANA KRALL





Foi lançado ontem, em Portugal “Wallflower”, o novo disco da cantora e pianista canadiana Diana Krall. Neste disco, a cantora interpreta clássicos como ”California Dreamin”, “Desperado”, “Superstar” e “If I Take You Home Tonight” assim como um novo tema de Paul McCartney. Em duas das músicas do CD conta com a participação de Michael Bublé e Bryan Adams. Este último é também  responsável pela fotografia da capa do disco.
Associamos Diana Krall a um jazz moderno e não podemos esquecer nunca a gravação ao vivo feita em 2001 no Olympia de Paris: Diana Krall – Live in Paris.

Wallflower é um disco diferente daquilo a que estamos habituados na cantora, mas conhecendo os seus dotes musicais e vocais e toda a sua trajectória, será com certeza um disco a ouvir proximamente. Já em 2006, Diana Krall lançou um disco onde interpretava canções de nomes famosos do jazz, como Irving Berlin ou Cole Porter. Vamos agora conhecer a cantora numa versão pop 

Margarida Assis