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sábado, 15 de abril de 2017

LEGALIZAR AS CLAQUES? NÃO! ILEGALIZÁ-LAS E JÁ.


Quando é que uma claque de futebol é notícia? Quando faz porcaria!
Quase ninguém se lembra de uma coreografia ou de um cântico dos Super Dragões, dos No Name Boys ou da Juve Leo que não contenham um insulto ao adversário ou ao árbitro. Todas as mensagens que passam tresandam a desprezo, ódio, estupidez no seu estado mais puro.
Alguns condescendem e dizem que criam ambiente, outros referem que estão legalizadas.


Legalizar as claques? Não! Ilegalizá-las e rapidamente. Elas são ilegais, imorais e anormais, por natureza. Uma claque legalizada é uma nódoa feia na lei.
Quando legalizamos uma claque de futebol não fazemos mais do que colocar o rótulo de “gente” a um bando de marginais que rouba e vandaliza estações de serviço; que insulta, amedronta e agride adeptos rivais; que vão de cidade em cidade descarregar o seu mau perder nas montras, cafés e restaurantes; que rouba descaradamente e impunemente; que só circula nos estádios dos clubes rivais enjaulados numa caixa de segurança formada pela polícia de intervenção; que usa, abusa e conspurca o nome de cubes centenários com práticas desprezíveis.


Foi isso que alguém legalizou há uns anos e que muitos defendem como solução para os dias de hoje. Eu não quero ver os No Name Boys legalizados! Eu quero alguns deles bem longe do estádio da Luz. O seu benfiquismo é doentio, porque jamais foi desportivismo.
Por que tenho de tolerar que trafiquem droga e não sejam presos? Por que tenho de pagar polícias que os escoltem para não andar à pancada com gangues rivais? Por que tenho de aceitar ou justificar que desejem a morte a jogadores ou adeptos rivais em cânticos ignóbeis?


Tenho, porque há gente que lhes passa a mão no pêlo, que lhes acha graça, que lhes paga as viagens e as portagens, que lhes compra bilhetes que obtiveram de graça, que os defende nas redes sociais e nos jornais, que acha que a sua animalidade congénita é só uma sátira de mau gosto. Não é. È um abuso da nossa liberdade, uma degradação da nossa cidadania.

As claques não fazem falta ao futebol nem ao desporto em geral. Não procurem legalizar os No Name Boys, mas antes ilegalizar as outras claques. Eles não nos permitem ser adeptos saudáveis, antes nos tornam, a cada dia que passa, pessoas profundamente irracionais.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

DESPREZO OLÍMPICO


O que se passou com a convocatória da seleção portuguesa de futebol para os Jogos Olímpicos é vergonhoso.
Para quem não está inteirado (que vocábulo tão português), descrevo rapidamente o sucedido: Rui Jorge (o selecionador nacional) telefonou a 57 jogadores a pedir-lhes (nalguns casos a suplicar-lhes) para aceitarem a convocatória para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, para obter 18 aceitações.
Obviamente não vão ao Brasil os nossos melhores futebolistas com menos de 23 anos, mas uma terceira equipa, pois em cada três jogadores contactados, dois recusaram. Na verdade foram obrigados a recusar.

Os grandes responsáveis por esta pouca vergonha, por esta falta de sentido patriótico, ético e desportivo são os dirigentes do Porto, Benfica, Sporting, Braga que impediram os seus jogadores de ir aos Jogos do Rio. Impediram até os jogadores que emprestaram a clubes de menor dimensão nacional.
Isto só é possível porque a FIFA não obriga os clubes a ceder os jogadores à representação olímpica, não lhes impondo qualquer castigo. Tacitamente até os apoia, porque a FIFA não quer os torneios olímpicos de futebol tenham qualquer visibilidade mediática, de molde a não fazerem concorrência televisiva e económica aos seus próprios torneios.

No meio disto tudo, os jogadores são tratados como autênticos joguetes nas mãos dos seus clubes, que tomaram esta decisão tão desumana e eticamente reprovável. 
Desumana, porque para a maioria destes jogadores participar nuns Jogos Olímpicos é um momento único na vida de qualquer desportista e essa oportunidade só ocorre uma vez na vida, até pelo constrangimento da idade (devem ser atletas com menos de 23 anos, com a exceção de três).
Além da posição ignóbil dos clubes, a Federação Portuguesa de Futebol também não fica bem na fotografia. Um instituição de utilidade pública tem deveres para com o país e podia ter “obrigado” os clubes a ceder os seus melhores jogadores. É o nome do país que está em jogo e a FPF não se devia encolher.

Os media também fizeram menos do que podiam. Durante o Euro 2016, tivemos uma telenovela com o microfone da CMTV que Ronaldo atirou ao lago, agora não temos uma página de indignação por este desprezo que os clubes de futebol dedicam aos Jogos Olímpicos.
Se a Federação, os clubes, os media desprezam assim o melhor e maior acontecimento desportivo que existe no planeta, o melhor é ser coerente e abdicar de lutar pelo objetivo da qualificação.
Acho que o COI (Comité Olímpico Internacional) devia tomar nota desta situação e castigar os países que tanto desprezam esta nobre competição, impedindo-os de participar na próxima edição em que obtivessem qualificação.

Os Jogos Olímpicos simbolizam o que de melhor o desporto tem. O futebol tem de decidir se, em primeiro lugar, é só um negócio ou um desporto. Talvez os dirigentes não se tenham apercebido de que o negócio só funciona na perfeição porque para os adeptos o futebol nunca deixou de ser um desporto. É por ser um desporto que move paixões. E os negócios precisam das paixões para serem um sucesso.
gavb

sábado, 21 de maio de 2016

DAVID VOLTA A VENCER GOLIAS


David Sualehe é o nome de um jovem jogador de futebol, de 19 anos, que nasceu em Moçambique e joga no Futebol Clube do Porto. No domingo passado viu-se envolvido numa polémica a propósito das comemorações da vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol e respondeu, durante a semana, com uma grandeza, sabedoria e inteligência fora do comum que me encheram de alegria.

A história é simples e conta-se em poucas palavras: David Sualehe estava com duas amigas benfiquistas à hora em que estas comemoravam a vitória do seu clube, no domingo passado. Ambas se fizeram fotografar na festa encarnada e na mesma foto figurava também o amigo que as acompanhava no carro. A foto foi parar às redes sociais, onde fanáticos adeptos do Porto (podiam ser do Benfica, do Sporting, do Braga ou do Guimarães que também os há em igual medida e com igual ódio irracional) fizeram questão de despejar toda a sua indignação por um dos seus estar a comemorar a vitória do rival. David não estava a comemorar a vitória de nenhum rival, David estava com duas amigas, mas gente que vive no ódio e provavelmente nunca gostou a sério de desporto nem do seu clube é incapaz de entender isto.

Foi então que sugeriu, para mim, o melhor da história: a intervenção madura deste jovem de 19 anos que, através de um post colocado nas redes sociais, disse tudo o que há muito devia ter sido dito por comentadores desportivos, dirigentes de clubes e até atletas:
«Tenho muito carinho e respeito ao emblema que carrego. Mas isto não invalida de estar com amigos/as adeptos de outros clubes.»
Não foi um jogador do Porto a festejar com duas amigas, mas três amigos juntos num carros como vos acontece, certamente. E isto nada tem a ver com clubismos! Amizade não tem cor, religião ou clube…»
«Fico triste pelas pessoas se acharem no direito de determinarem a liberdade de cada um. O que posso ou não fazer. O que posso ou não dizer. Fico mesmo triste por saber que existem pessoas mais donas dos outros que de si próprias e, principalmente, por não perceberem que antes de jogador, sou filho, amigo e irmão.»
Como foste enorme David. Como te agradeço que tenhas, com tão sábias e maduras palavras, derrotado esse imenso Golias que espuma ódio, incompreensão e intolerância sobre todos aqueles que não são das suas cores e não os deixam comemorar como têm direito.
Como certamente já ouviste os adeptos do Liverpool cantar: You ‘ll never walk alone.

Gabriel Vilas Boas