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sexta-feira, 26 de julho de 2019

FÁBRICA DE CHOCOLATE EM VIANA


Viana do Castelo é cada vez mais uma cidade jovem, com glamour e capaz de proporcionar a quem a visita uma combinação perfeita entre modernidade e tradição, onde o campo, a montanha e a praia se conjugam na perfeição.

Adoro passear pela cidade de bicicleta, deixar que a brisa do rio me acaricie a alma e me conduza entre o Gil Eanes e o Museu do Traje, com uma paragem obrigatória na pastelaria Natário (original).

Na última visita descobri um outro motivo para visitar a terra das Mordomas: a Fábrica do Chocolate.

O nome engana porque esta fábrica é nada mais nada menos que um hotel temático dedicado ao chocolate.
Quartos personalizados e um restaurante, onde se podem fazer refeições ligeiras, com uma carta totalmente consagrada à doce tentação feita a partir das sementes do cacau.

Para quem não se pretenda hospedar nesta icónica unidade hoteleira vianense, a Fábrica do Chocolate tem um museu interativo e moderno, onde qualquer um fica a par da história do chocolate.
Fiz, com a minha família, uma visita guiada surpreendente, onde aprendi imenso sobre a história e a origem do chocolate. Curiosidades espantosas, acompanhadas pela degustação de um pequeno e delicioso chocolate e por uma bebida desconhecida - o xcolati -, amarga e elaborada com água, canela, cacau em pó e piri-piri. Quanto mais espuma a bebida tiver melhor é a qualidade do cacau.

O imperador Montezuma bebia cinquenta copos (todos feitos em ouro) desta bebida por dia, pois acreditava que ela lhe trazia um acréscimo de energia. Conta a lenda que após cada tomada lançava fora os valiosos copos áureos, numa demonstração óbvia de poder, riqueza e desprezo pelo ouro.

Só no Séc. XIX se assiste ao grande boom da indústria chocolateira com o surgimento das mais famosas fábricas de chocolate: Nestlé, Lindt, Suchard, Cadbury, Cayer, Vianenese, Regina, Arcádia...
Obviamente, o chocolate conquistou o paladar de milhões de apreciadores no mundo inteiro, com os Suíços à frente de todos.
O mundo das artes consagrou-lhe livros, pinturas e filmes memoráveis, que só nos abrem mais o apetite para nova degustação, nova tentação.
Negro, de leite, branco ou com pimenta rosa. Cada um escolhe o seu ou deixa-se escolhe por ele.

Gabriel Vilas Boas

domingo, 3 de maio de 2015

CHOCOLATE E ÓBIDOS: A COMBINAÇÃO PERFEITA


Óbidos e chocolate são uma combinação perfeita! Duas vezes por ano, a mais conhecida vila medieval portuguesa enche-se de apaixonados pelo chocolate e mostra o que de melhor se faz em Portugal, nesta área.
Hoje termina mais um Festival Internacional do Chocolate, que levou a Óbidos dezenas de milhares de portugueses e estrangeiros, ávidos de adoçar o paladar num cenário romântico a lembrar as mais célebres histórias de amor.
Visitei esta feira, de passagem, no domingo passado e fiquei surpreendido com a qualidade e diversidade de atividades relacionadas com o chocolate. Milhares de pessoas enchiam as ruas da vila à procura do mais requintado sabor desse Don Juan dos Sentidos. O núcleo das atividades situava-se dentro das muralhas do Castelo, onde podíamos encontrar maravilhosas esculturas em chocolate, no Museu Abílio, das mais iconográficas histórias de amor. Todas elas impressionantes, no entanto chamou-se atenção a de D. Pedro e D. Inês de Castro pelo pormenor e grandiosidade. Todavia, seria injusto não destacar a dedicada aos amores de Romeu e Julieta ou a referência à maravilhosa história de amor que nos ficou do filme «Titanic».
 

O espaço estava cheio de vários workshops para todos os gostos e idades. As crianças tinha a Casa de Chocolate das Crianças, os adultos o interessante workshop sobre bombons e outro com velas, chocolate e muita sedução...
Enquanto vagueávamos pela vila, usufruindo de cada recanto maravilhoso e romântico, o som da música transportava-nos até à época medieval e despertava os sentidos que ainda estivessem adormecidos.


O sabor, o cheiro, a beleza das decorações proporcionaram ao visitante uma panóplia de sensações extasiantes.  Não pude ficar muitas horas, mas ainda assim não resisti a provar bombons régios de sabor, a imperdível ginjinha de Óbidos e outras bebidas com chocolate, crepes de chocolate com combinações surpreendentemente saborosas e únicas.



Ficaram muitas atividades por fazer, várias casas onde não entrei por manifesta falta de tempo: o espaço sensorial, o show cooking, um curso de chocolataria.  No entanto, no final do ano, o chocolate regressará a Óbidos com estas e outras surpresas e eu regressarei também, provavelmente, com mais tempo para me deleitar.

Gabriel Vilas Boas


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O DON JUAN DOS SENTIDOS

                                Dizem que é um pecado. Chamam-lhe irresistível. Eu acho-o sedutor. O chocolate.
                Esperei mais duma hora para entrar na feira do Chocolate que decorreu neste fim de semana, em Lisboa. Como as minhas jovens filhas, a minha mulher e muitos milhares de outras pessoas. Esperámos sem lamúrias nem arrependimentos. Foi para mim o primeiro sinal do poder que o chocolate exerce sobre as pessoas.
                Um fascínio que vai muito para além do paladar. Invade a mente e cria um pequeno fogo-de-artifício de alegria, prazer e felicidade. E a sua memória prolonga-se no espírito por longos minutos. E queres mais e queres outro sabor, outra sensação poderosa e desconhecida.
                As crianças são mais sensíveis à arte visual que os mestres chocolateiros criam. Obras de arte que fazem os olhos sorrirem. Demoras o olhar nas formas até que o desejo as devora.
  
            
A mulher gosta de provar. Bombons sobretudo. E há as mais inusitadas criações. Adorei o bombom de azeite e o bombom boleto (feito com cogumelo alentejano), mas a minha memória afetiva ainda procura com carinho o bombom de maracujá, o brigadeiro de morango e aquele que tornava a laranja a companheira ideal do chocolate de leite.
                O chocolate é uma arte. Captura os teus sentidos de modo avassalador e tirânico. Inebria-te o paladar, faz-te sorrir os olhos como se fosses uma criança, provoca o teu olfato com aromas conhecidos e desconhecidos e acaricia-te suavemente como se tu fosses único e especial. É como te sentes quando provas algumas daquelas criações que pude saborear em Lisboa, na Feira do Chocolate.
O chocolate é paixão e amor. Não apenas porque o usamos muitas vezes para manifestarmos o nosso afeto por alguém, mas sobretudo porque só pessoas verdadeiramente apaixonadas podem criar objetos de arte tão sublimes.
Ao mesmo tempo inovador e imemorial, o chocolate faz do segredo das suas receitas uma parte do seu charme. Um charme tão intenso e poderoso que é difícil encontrar um pecador que tenha resistido à sua sedução.

Gabriel Vilas Boas